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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Eu pra mim é pouco

Neste corpo que me compreende, não me encontro

Adquiri um peso que meus ombros não podem carregar

Os dias passam como meses, e eu não os percebo

Oscilo entre manhãs nubladas e tempestades noturnas

Sem meio termo, com o copo meio vazio

Temo que este recipiente não irá suportar mais

Noto que dias ensolarados borraram na memória

Restando um gosto amargo que arde o estômago

E traz o invólucro a tona, febril e oco

Não reconheço o reflexo, como se me fosse tomado

O corpo não é meu, nem do Estado, é de outrem

Não o controlo, mas sinto todas as suas dores

Gostaria de não sentir, mas não cabe mais a mim escolher

Queria ser universo, mas mal caibo numa agulha

Sou nada, invisível e alienígena

Fui muito, intangível e insaciável

Fui

Sou

Quero

Ainda

Eu pra mim é pouco.

domingo, 19 de abril de 2020

Eu, frágil eu

Faz um ano que parei de escrever aqui. Não sei dizer porquê exatamente, mas posso chutar. Talvez porque achava que meus delírios estavam tomando outras formas, que estava direcionando-os para algo mais assertivo. Mas é um fato que, relendo alguns posts, muita coisa não mudou. Talvez, certas mudaram para a pior. Não me reconheço mais. Não sei também ao certo o porquê disso, mas sinto que me perdi de mim mesma. Seja pela rotina que foi ficando cada vez mais difícil, seja pelos machucados que continuam latejando. Seja porque me sinto muito distante do ideal emocional que criei como subterfúgio e algo a se conquistar quando me sentia mal e precisava me ancorar. Mas, a verdade é minha navegação atracou em ares estranhos após tempestades que quase me naufragaram. Quando se é mais jovem, é mais fácil comemorar a sobrevivência, como um sinal de vitória acompanhado de frases de resiliência, tipo "nada me derruba", "eu aguento", e por aí vai. Quando se está numa fase da vida em que se busca estabilidade constante, a sobrevivência é só mais um dia do calendário. E fica cada vez mais nítido que não, não aguento mais.
Somos hoje completos estranhos, tão perto, mas tão distantes. Cada um se comunicando em línguas que não se conversam, como dois surdos, ou cegos, ou mudos. Confesso que às vezes não sei como ainda estou em pé, se até meu corpo denota minha exaustão. E não há qualquer sentimento de orgulho relacionado a esta confissão. Já que sinto que a qualquer momento vou adoecer, como uma sombra que paira sob um lago já sem peixes trazendo à tona o presságio da escuridão. Gosto de pensar que algo muito simples, como assistir Vikings, estava me dando alguma inspiração. Mesmo sabendo que minha sugestão poderia não agradá-lo, afinal, como se identificar com esses brancos safados que queriam colonizar o mundo? Apesar de que outros brancos safados colonizaram o mundo e assim que o mundo é, uma grande briga por quem coloniza mais enquanto outros morrem de fome. Ao começar a ver a série notei algo interessante nesses vikings, que é a ausência do medo perante à morte. Enquanto fomos criados num mundo de tradição cristão, em que o temer é constante, seja de deus ou do homem, é realmente acalantador. Gostaria de encarar este momento que todos vivemos dessa forma, mas a real é que temo, temo muito a doença e a morte, especialmente daqueles que jurei cuidar. E você, é um deles. Tenho falhado, talvez, nunca tenha cuidado de verdade, como você mesmo disse. Mas, lembro bem, de vários momentos que você nunca deixou ser cuidado de fato. E que é muito difícil cuidar de alguém que não valoriza isso. Fiquei relapsa, amargurada, como você mesmo disse. Fiquei o pior que eu mesma poderia me imaginar. Eu tendo a me culpar por isso, como se fosse um carma que carrego de saber que nunca vou ser amada, mesmo você me dizendo o contrário. E diz que o culpo. Fico pensando que não somos tão diferentes do cristãos tementes e hipócritas, seja do século VII, seja de agora. Confesso que tenho te tratado de uma forma que eu jamais gostaria de ser tratada, mas ainda assim, sou eu tentando me defender. Porque sinto que isso é uma constante, que se eu não me defender, vou cair de vez e vou me tornar de vez algo que nunca desejei e me nego de todas as formas possíveis a aderir: a submissão. Pra você pode ser exagero, histeria, afinal, já se perguntou quantas vezes você chamou ou consentiu uma mulher de histérica? Será que minhas inseguranças não têm um fruto real a não ser o mundo imaginário e perdido da minha mente? Será que minhas reclamações são tão distantes da realidade assim? Será que eu não mereço ser bem cuidada e que assim também vou voltar a cuidar? São tantas questões que não cabem mais aqui.
Tenho uma ferida na minha mão, que está ardendo e sensível ao toque. Sinto meu coração da mesma forma. E assim como qualquer aproximação faz a ferida doer e repelir o que lhe é estranho, sinto que meu condicionamento é este. Não posso dar o braço a torcer, porque você vai fazer de novo. E não há nada neste mundo, nenhum cosmético ou medicamento, que vai limpar sua visão. Assim como tendo a desconfiar, você tende a me desacreditar. E não há mundo possível para dois humanos assim viverem em conjunto.
Penso que o que une as pessoas é o sentimento de coletividade e de reciprocidade, e isso envolve diálogo, sincero e aberto, envolve querer fazer as coisas fluírem. Envolve se doar. E sinto que perdemos, ou talvez nunca tivemos concretamente por muito tempo, isso. Nossos sonhos se desencontraram, nossos abraços perderam o efeito reparador, porque a fala verborrágica, contraditória e errática soa mais alta. Os sorrisos selaram-se em amargor de lábios rachados. A voz nem soa mais como próxima à música. Assim como nossos corpos permanecem frios e nossas vontades desconexas. Tento entender onde errei e vou continuar tentando, não sob a exaustiva tentativa de racionalizar tudo, mas sob o espectro de que preciso melhorar. Mas não vou, nunca mais, ficar me culpando por um fim inevitável e cravado por duas pessoas.
É preciso saber a hora de ir embora, ainda mais quando a hora de se calar paralisou os ponteiros. Não acredito num futuro promissor para nós. Não posso me iludir mais, porque preciso ter os pés nos chãos e focar na luta diária que me é imposta. Gostaria que fosse diferente, mas ai eu estaria me iludindo novamente. A realidade agora é dura, feia, isoladora e as chances de liberdade parecem distantes. Mas, isso tudo me faz pensar no que é liberdade? Mais vale estar confinado num lar repleto de amor ou solto nas ruas esvaziadas pelas nossas escolhas de vida?
Me sinto pequena e sozinha. E se meu barco precisa navegar, que seja para ilhas mais afáveis ou para permanecer e criar raízes. Com você, ou não.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Vida breve

Não tem nada de romântico em assumir o título. Não é motivo pra enaltecer a juventude desregrada. A vida é breve porque ela não vale nada. A vida se resume a número. Mortos são estatísticas. E tentam nos fazer engolir que a vida é valiosa. Adoecer, morrer repentinamente, ir morrendo aos poucos ou estar morto por dentro. Pode acontecer a qualquer momento, pode acontecer com qualquer um. A vida é breve porque ao mesmo tempo que é valorosa, algumas vidas não valem nada. Pra ninguém, pra nada. Eu não valho nada. Hoje vi gente morrer, amanhã ou outro dia pode ser alguém que amo, pode ser comigo. Existe certeza da morte mais do que se tem da vida, mas o que nos resta é enganar a morte ou nos enganar sobre a morte? O que nos mantêm vivos? O que me faz sentir viva? Não tem nada a ver a morte, mas as vezes pode ser algo como renascer todo dia. Talvez dormir seja um pressuposto à morte. Dormir e não acordar mais. A diferença é que não resta consciência e isso não é problema. Para quem está morto.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Existe algum lugar?

Existe algum lugar em que eu me encaixe sem que eu me sufoque? Que me faça querer fugir ou gritar ou espernear ou correr pra um abraço? Daqueles que acalentam suficientemente o ego e afagam as dores? Onde eu me encontro nesse abraço? Posso eu abraçar a mim mesma? Posso algum dia parar de me sentir mal por nunca conseguir ser suficiente? Posso realmente ser capaz, sozinha, de revolucionar os paradigmas da minha própria percepção de vida? Quem eu sou que não me encontro de mim mesma? Será que a pergunta deveria ser: o que eu quero? Ou quem quero ser? Ou o que preciso fazer para me sentir melhor na minha própria pele?
Sinto que me falta combustível, mas mais do que isso me falta um lampejo certeiro. Sinto que não quero sentir mais nada porque estou cansada. Quero ser livre.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Trégua

Existe espaço no tempo para recuperar o fôlego perdido? Pode-se dizer que sim, mas e se o pulmão já está estragado devido aos maus tratos recebidos ao longo do tempo? Cabe um lapso capaz de reverter isso ou estamos todos perdidos? Reféns de uma ilusão relacionada a um tempo que não volta ou um futuro que não chega. A vida é breve, tão breve que nos perdemos com relação ao nosso tempo e estragamos o tempo que nos resta sem notar que a vida passa e não é percebida. Daí acabou o tempo.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Viagem

Tenho receio de levianidade, assumo. Presto atenção ao que não me pertence e sofro porque não sei separar. Não entendo meus limites, pois não gosto de me cercear. Mas tento antecipar e na espera me enclausuro. Na claustrofobia cerebral, divago e permaneço, sem saber onde vou parar. Surtos de lá pra cá, extremos acolá. E uma vontade imensa de fugir sob a esperança de me resgatar. Sem buscas por um porto seguro, a ânsia é por desprendimento. Sentir na pele o vento bater no rosto, devagar. Como uma nova brisa que fornece alegria e contagia. Inocência minha, mas felizes são aqueles que não esperam demais e não mantêm suas mentes presas ao mesmo lugar. O pensamento pode ser ecumênico, basta manter-se livre.

Dois tempos e um quebrado

Tenho dificuldades para dormir, 
Porque temo perder tempo,
E não vivo, apenas resisto,
Porque vago como um zumbi, 
Perdida em meus pensamentos. 
Perdida nos meus desejos. 

Queria poder me perder no mundo.
Fechar os olhos e me transportar,
Vagar por entre as ruas e sorrisos,
Explorar e sentir novos lugares,
Sob a esperança de reconciliação,
Com o tempo, com o mundo e comigo.

Queria entender o que não é meu,
E ao mesmo tempo me tranquilizar,
Pois nada me pertence, nem o tempo,
Nem meus pensamentos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Previsível

Parece que quando alguém acha que nos conhece ela passa a agir, com o passar do tempo, como se você sempre fosse estar ali, para servi-la, para ser companhia, para ajudá-la, para apoiá-la, para suportá-la em sua impassível individualidade - cega e, provavelmente, despretensiosa -. Você se torna, para a pessoa, aquilo que mais rejeita: um ser previsível. Engraçado, porque sinto que as pessoas sempre me surpreendem, e, portanto, acho que cabe não subestimá-las. Ninguém gosta de ser subestimado. A gente às vezes cria uma imagem de nós mesmos, com cuidado ou, na maioria das vezes, com arrogância, que dói demais quando nos tratam como menos. Não sei se o que falta é humildade, mas creio que além disso é preciso consistência. É difícil tentar agir de determinada forma - mudando um comportamento - quando se é tratado por baixo. Nossas defesas são construídas social e moralmente e, com base nisso: individualmente. Vamos criando estratégias mentais de fácil superação para estar em cima de qualquer situação - nem que seja superficial, é uma defesa - e é mais fácil seguir em frente do que realmente entender o que está acontecendo. Me sinto vítima das minhas tentativas de autodefesa, e nem por isso me machuco menos. Me doou demais, espero demais e me iludo demais. Penso tanto que chego à exaustão e, quase sempre, não encontro soluções. Sinto que continuo sozinha. Previsível até pra mim.

Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.
Zygmunt Bauman

Minha liquidez


Eu tenho essa mania de ser muito dura comigo mesma, coisa fadada há muito tempo. Mas, como sou humana - cheia de falhas e incoerências -, é natural dizer que não faço por onde, nem quando minha consciência já pesa antes de eu agir. Impulsiva demais pra dar tempo ao tempo e respeitar o tempo do outro. Eu não respeito nem o meu tempo, eu nem sei reconhecer o meu tempo. Porém é um aprendizado mais que requisitado, se tornou necessário. Se é difícil mudar um comportamento - como dizem - creio e noto que é mais difícil mudar um pensamento, que começa como um lapso ou através de um gatilho acionado, e se transforma numa parte de você, ou no que você passou a vida toda acreditando ser. Não sei porquê me perco tanto, talvez eu não confie em mim mesma. Talvez eu não sei lidar comigo mesma em alguns momentos, e assim, não sei lidar com o outro, ou com os outros. Me sinto cansada de bater sempre na mesma tecla, que cada vez mais se transforma num grande muro, onde bato a cabeça toda vez que eu não sei pra onde ir. E assim vem a vontade de correr. Fugir. Pra bem longe, mas nem sei exatamente do quê. Talvez, toda vez que o impulso desse tipo de pensamento surge, eu esteja querendo fugir de mim. Queria ser coberta, não numa bolha, mas demasiadamente segura. Isso deve ser uma ilusão.

O que aprendemos com a amarga experiência é que essa situação de ter sido abandonado à própria sorte, sem ter com quem contar quando necessário, quem nos console e nos dê a mão, é terrível e assustadora. Mas nunca se está mais só e abandonado do que quando se luta para ter a certeza de que agora existe de fato alguém com quem se pode contar, amanhã e depois, para fazer tudo isso se - quando - a roda da fortuna começar a girar em outra direção.  
Zygmunt Bauman

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Velho bêbado

Tem um senhor, morador de rua, que vagueia perto da minha casa todos os dias. E, diariamente, ele está bêbado. Seus passos lentos e atrapalhados, como se arrastasse os pés. Seu rosto sempre vermelho e os lábios moles que proferem algumas palavras nonsense em conjunto com pedidos de trocados para mais uma cachaça. Ele vai até o boteco da esquina, todos os dias, frequentado por alcoólatras, de várias classes, assim como ele. Seu bafo pode ser capaz de matar um leão, de tão forte, e seu cheiro misturado à cachaça, sujeira e suor se alastra pelo caminho como uma sombra que permeia um corpo esquecido pelo tempo, pelo cuidado ou por alguma razão de viver. As pessoas fingem não vê-lo, o ignoram. Sua espécie é a mais desprezada nessa sociedade. Ninguém quer ficar perto de alguém nessas condições, ninguém vê humanidade ali. É como um selvagem que em algum momento cedeu à repressão que a própria vida lhe trouxe. Não dá pra saber a história de cada velho bêbado que encontramos nas esquinas, becos e botecos sujos da cidade, ninguém liga. Ninguém quer saber. Mas é interessante se identificar de alguma forma àquela condição, mesmo que tão alheia a nós, que temos uma cama e chuveiro quente. Porque qualquer pessoa em algum momento de desespero já teve vontade de sair correndo. Encher a cara diariamente. Tacar um longo e ressoante foda-se a esse sistema que continua escravizando inocentes, que promove guerras civis, que ainda mata pobres, que nos obriga a sobreviver exaustivamente numa escalada que não tem topo. É mais fácil se identificar com um velho bêbado do que com um engravatado que dá risada alta e não sai do celular enquanto come seu insosso prato de buffet caro no horário de almoço oficial de qualquer bairro comercial da cidade. Porque as vezes esse tipo é tão desprezado e tão invejado quanto o velho bêbado (em sua pseudo-liberdade). Nossos parâmetros comparativos são por vezes tão distorcidos que é difícil encontrar humanidade em cada indivíduo. Será que por que nos falta humanidade também?

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A pena

Sigo delirando na vida que é me imposta e reluto em aceitá-la nos seus termos mais conformistas. Quero um mundo mais honesto, nem que eu não possa usufrui-lo enquanto viva, mas que fique de herança da minha breve estadia. Arrogância travestida de altruísmo? Ou uma revolta tão forte (e necessária) que se não for pensando nas próximas gerações melhor não fazer? Essa luta é minha. Deveria ser de todos. Mas é compreensível a desmotivação de cada pessoa. Sigo flutuando porque ainda sou crua em algumas questões, mas das dores, já sou calejada, e isso não significa que doa menos. A questão é que não surpreende mais. Ele diria que é autossabotagem, eu chamo de autocuidado e de percepção deveras aguçada, que beira à enfermidade. Queria uma relação sincera que o machismo passasse longe, mas isso é idealizar demais e o amor não se sustenta assim. Nada nessa sociedade está inerente ao machismo. Me dói porque me faz perceber que continuo falhando. E errando eu sigo me confundindo, me desesperando, me atordoando e me perdendo. Às vezes sinto que não mereço ser amada, não posso culpar a sociedade por me fazer sentir assim, mas também não posso culpar a mim mesma. Só queria um relacionamento que eu pudesse me despir completamente, e eu encontrei, só não sei como me cobrir. Queria me sentir coberta de plumas que de tão macias eu me sentisse acolhida e quentinha, pois estou cansada de flutuar.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Desmotivação

O título me acompanha como um sobrenome. É o terceiro lugar que eu trabalho este ano e não consigo mais me enxergar motivada. Passam-se alguns meses, semanas, dias, e eu já tô querendo pedir arrêgo. Escrevo este parágrafo duvindo de mim mesma. Porque a vida toda ouvi que a gente tinha que valorizar o nosso trabalho, que uma atitude dessas (chegar atrasada, faltar, o contrário da proatividade) é coisa de gente que não precisa do emprego, principalmente da minha mãe, que depois que virou patroa esqueceu-se como é ser funcionária. Aliás, ela acha que é assim que deve ser, que a gente não pode ficar insatisfeito e buscar por oportunidades melhores, que não pode brigar por melhores condições de trabalho etc. Ela tem mudado o pensamento, mas ainda não entende porque pulo tanto de emprego em emprego. Eu tenho vários motivos - que cansei de explicar. A terapeuta disse que eu me afeto muito com o ambiente e pessoas. Verdade. Eu as odeio. Tá, foi exagero. Tem gente legal e gente cuzona em qualquer lugar. Depender de pessoas, especialmente no ambiente de trabalho, pra encontrar a própria satisfação nunca é um bom caminho. E é essa a minha questão. Eu amava a content e as pessoas, mas estava infeliz no trabalho. Eu odiava a mestiça porque o ambiente era um lixo e não gostava nenhum pouco do meu trabalho. Neste lugar, eu amei o dinheiro, mas não tenho mais paciência e nem alma pra vender pra fazer qualquer esforço em me enturmar pra continuar lá. Por: dinheiro. Não aguento mais buscar por: dinheiro. Já me fodi tanto com a falta dele e com o desemprego que talvez eu devesse agir conforme minha mãe e o Temer acham: não pense, trabalhe. Acontece que então nem tenho como começar porque meu trabalho envolve totalmente o pensar. Se não estou bem, não trabalho bem. Porque toda aquela lavagem cerebral que passei em achar algo positivo na propaganda morreu. Tô quase virando militante anti-publicidade de tanto argumento que encontrei. Vou fazer uma anti-campanha. Criar uma estratégia do caos. Fazer um brainstorm pra chegar na melhor ideia de desordem e algumas peças de anarquismo pra derrubar esse governo golpista e saquear a casa e as contas de quem tem mais de 2 milhões de propriedade e renda líquida. Tudo isso de forma conceitual, o slogan até pode ser: "Distribua seus bens ou renda-se". E o posicionamento: "O poder é nosso". Ah, isso seria um prazer, rs. Sonho de princesa, aliás, de pebleia.

sábado, 18 de agosto de 2018

Mulher fácil

Não importa sua linha de frente ou de estudos, você sempre estará fadada a sofrer com a face mais bruta do machismo - porquê você tem conhecimento, já disse alguém que a ignorância é uma benção -, especialmente quando você mantém relações heterossexuais. Porque o homem do seu lado sempre será um homem hétero e independente da cor, da classe, da origem e da luta dele, ao lado dele você sempre enfrentará situações de opressão. Porque você sempre será a mulher da relação e trará todo estigma que isso traz. Você sempre será a pessoa menos benquista. Sempre será aquela motivo de confusão e competição. Ninguém olhará pra você sem antes trazer dois mil artifícios pra te reduzir à figura da mulher, da frágil e extremamente subestimável. Você nunca será boa o bastante. Nem pra ele, nem pras pessoas ao seu redor, nem pra sociedade, que te condena desde o útero. Você sempre será quem carregará o peso do machismo no seu ombro, porque para o homem ao seu lado é só uma questão de compreensão. De esforço. E a maioria das pessoas não quer se esforçar pra entender o outro. Dá trabalho. Cansa. Ainda mais se pensar que poderia ser mais fácil. Claro, se você fosse mais fácil. Mas, no fim, você sempre estará sozinha nessa questão.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Los ojos del alma

Existe uma resposta inapta para tudo o que os olhos são capazes de expressar. Sentir é mais que preciso. Mais concreto e palpável. Porque o que eu sinto parece inesgotável. É um calor incansável. Nunca terei palavras pra conseguir verbalizar o que jorra aqui dentro, talvez por pura inabilidade ou simplesmente timidez, ou, melhor, por achar que não será suficiente. Jamais será. Me pego desprevenida olhando dentro dos seus olhos e percebendo meu reflexo, é como se a metáfora fizesse sentido: me vejo através de você. E uma chama paira no meu interior, gritante, mostrando o quanto é forte o que eu sinto por você. Mil pensamentos dominam a minha mente e tornam esse momento mais estimado. Você, pela primeira vez, como ninguém, me deixa sem palavras.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Amor romântico, dores e especulações sensoriais

Sempre fui do tipo que se questiona tanto e permeia por tantos pensamentos até chegar à estafa. Essa mente incansável não dorme até não encontrar um motivo razoável para baixar a guarda, ou qualquer sentimento, mesmo que efêmero, que sugira alguma possível resolução. Mas, veja bem, isso é uma fraqueza. E, apesar disso nunca ter me impedido de agir e de buscar por condições melhores, independente da origem dessas necessidades, em algum momento a confusão vem e, com ela, uma série de dúvidas e perguntas vazias. Quero sentir tanto que quando tenho contato com essa profundidade, me assusto. As pessoas falam de amor através de suas ideologias e convicções, e idealizações, que não sobra espaço para apenas sentir, sem questionar, sem tentar destrinchar algo que às vezes não tem uma explicação racional e crua. Uma explicação que vai saciar essa urgência. Eu não gosto de romantizar o amor, mas ao mesmo tempo idealizo com metáforas e tentativas de definir algo que nem eu mesma entendo. Eu acho que é porque se trata de uma série de sentimentos e sensações. Talvez o amor não tenha pressa. Mas a vida tem. E a gente muitas vezes escolhe amar por saber que talvez não sobre muito tempo para experienciar algo tão belo. Talvez a gente apenas não tenha que separar as coisas em caixinhas. Estigmatizar e moldar de acordo com a nossa ótica pessoal que muitas vezes é deturpada pela indústria que faz chover poemas do século XIX, pelos remanescentes sofredores que são também grandes poetas da nossa cultura, pelo amor que se recebe da mãe (e aquela falácia de amor materno que tudo salva para vender bolsa Luis Vuitton no Natal e perfume da Avon no dia das mães) e por uma série de referências que nos impactam e consentimos por toda nossa vivência. Amor também é uma construção social. Amor também pode ser sofrimento. Amor também pode ser aquela explosão de sensações tão doces que parecem ter gosto de sorvete e tão leves que parecem sair de uma brisa num fim de tarde de verão, aquecem a alma e nos tiram um sorriso fácil. Essa vida é dura e muitas vezes deprimente. Às vezes, escolhemos certos caminhos que nos levam pra esse poço de dejetos mal cheirosos. Às vezes não. A vida nos carrega. E o amor, que eu não sei como descrever e nem compreender de fato, pode deixar tudo mais afável e brando. O que nos resta, assim como tudo nessa vida, é viver. E amar, se possível.

domingo, 5 de agosto de 2018

Alegorias

É o medo compulsório da paranóia. Deixar de ser solo e perder individualidade. A ideia de dividir a vida que é mal digerida. O dorso descoberto para o acaso. Segurança a partir de uma falsa ilusão. Especulação sem sentido. Declínio. Delírio. Certeza. Vulnerabilidade. Discurso teatral. Incoerente. Incerto. Romantizado. Estardalhaço. Sombra do passado. Devaneio. Sono. Tesão. Tensão. Falta de foco. Superestimado. Ego. Orgulho. Amor. Lapso. Dormir.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Hipnotizada



Não gosto mais da ideia de romantizar a vida real, mas de fato sua chegada a suavizou. É quase como se você fosse um oásis no meio desse meu caos pessoal. O sorriso lindo que contagia e me enche de esperança, e agonia. De não ver as horas passarem para te ter nos meus braços novamente. Sentir teu cheiro e me perder no teu abraço. E desejar que teu gosto não suma dos meus lábios. Passo o dia tentando relembrar cada detalhe teu, sob uma incansável obsessão, aspirando o momento de saciar o insaciável. É uma fome que faz o coração retumbar, e entrar em degelo a cada despedida. Essa energia tua que parece arder, de tão quente, e me faz te querer, de tão urgente. Não consigo parar de te olhar, é como se tua visão fosse cosmética, ou puro mel, de tão afável. Odeio ser clichê, poderia inventar a roda pra tentar descrever o que sinto por você, mas sou humana e, assim, me entendo. Que só quero passar o dia entrelaçando os dedos nos teus cabelos, admirando a beleza do teu ser.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Eu não sou líquido



Eu não sou líquido, mas me sinto escorregando pelas arestas do que chamamos de vida adulta, ou, pelo menos, às concepções relacionadas à ela. E esse líquido tem um gosto amargo. Comecei a semana sendo invadida, novamente, por questões relacionadas ao trabalho. É muito tempo de vida perdido fazendo algo que não se acredita. A vida é breve e ela tem chamado nesse sentido. Vi um gráfico num site de empregos que dividia o entendimento em se ter um emprego e uma carreira, dando a entender que se ter uma carreira em que se acredita e em que se investiu muito tempo, esforço e dinheiro, é recompensador. É como vivenciar a tão sonhada experiência da carreira dos sonhos. Fiquei furiosa me perguntando quantas pessoas passam, muitas vezes, a vida inteira, acreditando nesse ideal falso e presunçoso, e em quantas nunca acordam dessa ilusão. O mais intrigante disso tudo é que eu trabalho com isso, vendendo uma ideia com o objetivo de gerar consumo, e foi sob esse conceito falacioso que eu tentei perverter a minha mente, centenas de vezes, achando que estava prestes a adquirir isso. Fiquei relembrando quando comecei e quanto eu evolui nas minhas habilidades. Eu sou agora o que poderia se chamar de redatora criativa modelo. A questão é que não quero ser um modelo de fábrica, mais um zumbi correndo de estação à estação, mergulhada num mundo corporativo que mais suga que fornece, e gastando todo meu dinheiro de bar em bar pra tentar esquecer o quanto de mal tem no mundo - e que a área que trabalho, muitas vezes, só colabora para isso. Capital é a base de tudo, é o que faz girar esse mundo. E isso me preocupa. Depois que comecei esse texto, percebi que já tinha escrito algo parecido há dois anos (aqui e aqui), mesmos questionamentos e angústias. Sigo sem respostas. "Use o sistema ao seu favor", é o que me disseram semana passada e é o que eu vejo a maioria das pessoas fazendo ao meu redor. Pessoas, essas, que também se questionam sobre tudo isso. Já desejei ser menos pensante. Fazer tudo no modo automático, fechar os olhos e apenas fluir, mas eu não consigo e agora sei que não quero mais. Sinto que tenho mais decisões a tomar, e com cuidado poder me encontrar em busca de um futuro mais ameno e honesto comigo mesma.

"O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação.", Simone de Beauvoir

domingo, 1 de julho de 2018

O pêndulo e a vela


O tempo nunca foi meu amigo. Na verdade, eu nunca consegui acompanhá-lo. Penso que não há liberdade quando se tem que viver conforme o tempo que foi determinado a você. Nessa sociedade que prega o egoísmo como condutor de uma vida que se espera que você tenha, o livre arbítrio é uma farsa. "Jogue o jogo deles", eles disseram, enquanto no andar de baixo, havia um garoto de 19 anos, periférico, negro e gay sofrendo bullying de sua chefe, um dos motivos que supostamente o levaram a ter um surto psicótico meses depois. Quem aguenta viver nessa cidade com sanidade? Sempre correndo, sendo esmagado dentro dos transportes públicos, perdendo horas no trânsito diariamente e constantemente se perguntando que merda de vida é essa. "Tenha uma vida que merece ser vivida", quando se alcança isso? Ou essa frase é só mais uma fábula desses poetas que eram completamente infelizes, sempre buscando algo inexistente para aliviarem suas dores? Não é à toa que os mais famosos também eram bons poetas de bar, tinham problemas com álcool. A verdade é que não tenho conseguido mais me divertir sem álcool. As mudanças bruscas que passei me deixaram séria porque é preciso força para encará-las com firmeza até que se solidifiquem. A questão é que não quero que se tornem estruturas, porque eu gostaria de dançar um pouco pela vida antes que as coisas concretas tomem forma. Eu quero um minuto de paz, porque o tempo não tem sido legal comigo. Ou, talvez, porque eu não tenho conseguido aproveitá-lo de uma maneira sadia. Eu quero mais, ao mesmo tempo que não tenho certeza do que quero. E encarar esta confusão diariamente tem me feito enlouquecer. O tempo não para, e as vezes quando quero, ele não passa. No fim somos apenas peças do tabuleiro, temos apenas que nos mexer para jogarmos, sem saber qual é a jogada certa. Ele me disse: "É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão", eu o vi com uma luz, sua proposta me trouxe uma claridade, mas há uma voz no fim do túnel me dizendo para não acreditar nisso, assim como todas as outras vozes que sempre me disseram para não confiar em ninguém. E eu confio. Mas não consigo encontrar minha própria luz.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A pressa que nos faz comer no prato vazio


Começo com uma questão porque, diferente da maioria dos posts, eu não quero trazer certezas vazias dessa vez. Até porque, continuo me perguntando do porquê da pressa em se ter certezas, sendo que eu assumidamente não as quero. E me sinto hipócrita ao dizer isso porque tenho entendido bem as diferenças entre querer e conseguir. Não sei quando ou porquê me tornei essa pessoa controladora, ou talvez eu sempre tenha sido e não tenha percebido. Até agora. A terapia tem me ajudado em algumas questões, especialmente nesta, que tenho tratado com atenção. E percebo o quanto essa ansiedade tem influenciado completamente nas minhas ações por toda a minha vida. A principal atualmente é a minha necessidade de viver essa paixão descontrolada. Pessoas apaixonadas ficam loucas, porque agem impulsivamente, como drogadas, necessitando seu consumo sabendo que nunca se sentirão saciadas. Tem até estudo pra isso, tem até esse cara aqui, discorrendo maldosamente sobre:
 

Ontem, após terapia eu me perguntei se poderia me dar ao luxo de aceitar o fato de que o amor da minha vida está do outro lado do oceano. - Talvez eu tenha exagerado em usar "amor da minha vida", mas eu estou apaixonada, ainda, então, posso me dar ao luxo de ser exagerada também? - Eu não sei se é luxo, ou inocência, mas não posso mentir para mim mesma que eu consigo esquecê-lo e, inclusive, que eu deveria ter pressa para isso. O nosso mundo tem pressa e também é muito egocêntrico na hora de te incentivar a seguir outro caminho. É como se toda vez que algo não der certo, você parte para outra (sendo melhor ou não), ou, então, no meu caso, quando eu acho que algo está me fazendo mal, eu tenho que pular fora e, se possível, com um salto tão alto que fica impossível do outro me alcançar. Eu já fiz isso muitas vezes, com pessoas e situações. Eu me sufoco e saio correndo necessitando de ar para preencher meus pulmões vazios. Com ele eu não consegui, e hoje, eu entendo que não preciso. Não preciso também apressar a conveniência de sempre encontrar uma pseudo-solução para tudo. É uma preguiça, de querer resolver as coisas na minha cabeça porque não suporto ficar indecisa ou não ter respostas, isso me perturba, me tira o sono e o chão. Eu também não preciso mais ser essa pessoa, talvez eu devesse entender como melhorar isso. Eu não posso arrancar uma pessoa dentro de mim sendo que na minha mente ela respira profunda e ininterruptamente. Tem coisas que dependem do tempo, que passa num compasso próprio e que ninguém tem controle. E esse passar ilude ou é certeiro, dependendo da sensibilidade individual de cada pessoa. É como na questão sobre ser pássaro ou árvore e a nossa pressa em responder uma pergunta tão cheia de interpretações e tão rica em entendimentos. Ninguém precisa ser um ou outro, nem por ora, nem como imposição, a natureza é tão mutável quanto a gente, ainda bem. Mas, ainda assim, eu procuro criar raízes e talvez essa seja a maior incerteza que tenho me deparado. Tenho pensado bastante sobre ser mãe. Na realidade, penso mais em ter uma filha do que de fato ser mãe. Li sobre a necessidade do controle nesse ato e também sobre a lavagem cerebral que nós, mulheres, sofremos desde os primórdios, sobre a possível realização encontrada na maternidade. Sinto que não estou me confundindo, seja porque estou chegando perto dos 30 - e existe toda a pressão envolvida em ser mãe até essa idade -, ou porque me sinto vazia e acabei de influenciando de alimento alucinógeno ou alienador. Apenas sinto que quero fazer isso algum dia, mais do que uma meta a ser cumprida, sinto que esse momento está chegando. Eu não me imagino passando por qualquer momento da maternidade, mas quero ter a oportunidade em criar uma criança para o mundo, passar meus ensinamentos de alguma forma e vê-la crescendo e se tornando passarinho. É assim que me vejo criando este ninho. Já falei um bilhão de vezes para a terapeuta que não consigo me imaginar dividindo a minha vida com alguém, sendo feliz, construindo família e planos, porque eu nunca tive um relacionamento saudável por muito tempo. Eu fico acreditando que tudo vai dar errado, que o cara vai ser abusivo, que vai ser folgado, etc etc. E, mesmo dentro de um relacionamento, eu nunca consigo ficar muito tempo feliz ao lado da pessoa, sempre algo está errado. Já quis acreditar que é porque não era a pessoa certa, mas lembro que isso aqui é vida real e que deveria ser natural ter relacionamentos saudáveis. Em inúmeras conversas, observando fatos e ouvindo histórias, eu me apeguei muito, ao longo dos anos, à força da mulher, especialmente, ao fato de ser mãe. Devido à história da minha mãe e de todas as referências femininas que estive próxima - eu até tenho certo repúdio por mulheres dependentes e carentes demais, é como se eu as ignorasse (não tem porquê comparar se eu sinto o mesmo repúdio por homens, não tenho essa referência e existe todo um contexto social e histórico para muitas mulheres agirem assim), eu sinto que é algo que eu quero fazer um dia. Ele apareceu e me pareceu como uma promessa para um futuro assim, como eu desejava secretamente, e diferente de outros caras com quem estive, ele tem essa energia supostamente feminina, algo um tanto maternal. É estranho eu ver dessa forma, mas isso é apenas uma característica que eu encontrei e sob meu olhar, mas é um fato que eu também quero ser cuidada. Ao mesmo tempo que tenho essa angústia em não querer depender jamais de um homem, eu preciso admitir que eu quero receber isso. Porém, minha mente me confunde, porque eu também tenho medo de cair na cilada de ser a pessoa que só cuida e foi isso que ele me mostrou que poderia acontecer, à distância, devido aos comportamentos visivelmente manipuladores. Terapeuta concluiu: em qualquer relacionamento - que é sempre uma relação de poder (como ela disse na sessão anterior) - vai existir a dependência e ela vai ser sempre algo negativo ou positivo, e pode ser positivo, ambas as pessoas podem cuidar uma da outra e vice-versa e realmente ser uma relação de parceria, e tudo bem se sentir dependente disso, se for saudável assim. Para finalizar, recitou Tom Jobim: é impossível ser feliz sozinho. Talvez seja verdade, apesar de eu ter discordado tempos atrás. Somos mutáveis, é assim que fala?