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quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Mulher coletiva
Assim foi como ele me definiu: mulher coletiva. Mais do que o termo pareça oferecer, me defino alguém que necessita de práxis coletiva, apesar de odiar certas pessoas dentro dos espaços coletivos que são extremamente individualistas. Odeio individualismo, apesar de que também posso cometer esse erro. Acho que no fim é um exercício básico pra ser sempre colocado em prática: não ser individualista. Essa conversa aconteceu depois do primeiro turno dessas eleições, eu me sentia mais perdida que nunca e me embebedei de várias doses de depressão. De lá pra cá me envolvi em algumas atividades e devo ter conhecido mais de cinquenta pessoas nas últimas semanas. Pessoas bacanas, camaradas, que pensam parecido, que tem um senso de justiça social em comum. Absorvo, fundo e sem medo. Parece que estou me encontrando em um lugar. Parece que meu tempo de vida não será à toa conforme o que acredito. Parece que tenho muito trabalho a fazer e muito a aprender.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Su gracia
En toda la inmensidad de tu ser, siento que ya no me arriesgo, temiendo ser audaz y teniendo cuidado de no parecer acomodada. El amor me parece cómodo, confortable, como un abrazo afable y acalentador o como un beso caliente y que te transporta al más sublime universo. La idealización no es algo que me atrae más, digo lo que siento y no tiene nada más sincero que eso. Quería darte el mundo, yo diría, tiempos atrás, pero me has enseñado, de alguna manera, que el mundo pertenece a todos y dividirlo igualitariamente es más justo y plausible. Quería que el mundo viera el poder de tu sonrisa y que ese gesto fuese capaz de tranquilizar a esa sociedad, se burlaba y desgraciada, pero yo confieso que prefiero tener dosis homeopáticas de esa sensación sólo para mí, porque soy egoísta en toda la ignorancia y insegurancia de mi ser. Nací mujer y así moriré, me convertí mujer y así no me conformé, con el ser social al cual fui calificada y usurpada mi paz fue atravesada. Me sigo perdiendo y encontrándome en tus brazos, entendiéndome y cambiando en nuestras conversaciones y ambicionando un futuro más honesto para nosotros, para todos. Su amor me hace mejor. Gracias.
terça-feira, 25 de setembro de 2018
Abandono - compreensão
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Los ojos del alma
Existe uma resposta inapta para tudo o que os olhos são capazes de expressar. Sentir é mais que preciso. Mais concreto e palpável. Porque o que eu sinto parece inesgotável. É um calor incansável. Nunca terei palavras pra conseguir verbalizar o que jorra aqui dentro, talvez por pura inabilidade ou simplesmente timidez, ou, melhor, por achar que não será suficiente. Jamais será. Me pego desprevenida olhando dentro dos seus olhos e percebendo meu reflexo, é como se a metáfora fizesse sentido: me vejo através de você. E uma chama paira no meu interior, gritante, mostrando o quanto é forte o que eu sinto por você. Mil pensamentos dominam a minha mente e tornam esse momento mais estimado. Você, pela primeira vez, como ninguém, me deixa sem palavras.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
Hipnotizada
Não gosto mais da ideia de romantizar a vida real, mas de fato sua chegada a suavizou. É quase como se você fosse um oásis no meio desse meu caos pessoal. O sorriso lindo que contagia e me enche de esperança, e agonia. De não ver as horas passarem para te ter nos meus braços novamente. Sentir teu cheiro e me perder no teu abraço. E desejar que teu gosto não suma dos meus lábios. Passo o dia tentando relembrar cada detalhe teu, sob uma incansável obsessão, aspirando o momento de saciar o insaciável. É uma fome que faz o coração retumbar, e entrar em degelo a cada despedida. Essa energia tua que parece arder, de tão quente, e me faz te querer, de tão urgente. Não consigo parar de te olhar, é como se tua visão fosse cosmética, ou puro mel, de tão afável. Odeio ser clichê, poderia inventar a roda pra tentar descrever o que sinto por você, mas sou humana e, assim, me entendo. Que só quero passar o dia entrelaçando os dedos nos teus cabelos, admirando a beleza do teu ser.
terça-feira, 1 de maio de 2018
Limpeza de lente e concreto
Eu me encontrei em mim mesma assim que eu percebi que não preciso de muitas coisas para ser feliz. Não preciso de posses, um carro na garagem, uma sensação de extremo conforto financeiro e material, mas sei que preciso de amor, seja de quem for, de amigos, da família, ou de alguém que mal conheço, mas que me faz me enxergar completamente despida de incertezas. A vida tem se mostrado afável comigo, como se eu estivesse prestes a conquistar coisas que eu lutei. O problema é que tudo isso demanda espera e a minha ansiedade me faz me perder às vezes no álcool e na extrema necessidade de me manter em movimento, buscando por uma diversão abusiva e que tem afetado meu bolso e meu corpo. Eu já nem estou mais tentando ser vegetariana nos últimos dias, porque minha fome por viver tem sido tão insaciável que não consigo mais distinguir o que é gula ou fome. Mas eu não caio. Eu me mantenho numa corda bamba sem escorregar, como uma verdadeira equilibrista. Não que eu me sinta equilibrada, não posso mentir para mim mesma, mas porque eu aprendi que como não cair. Eu me sinto forte, como se nada pudesse me abalar e é sob essa força que eu vou lidando com esse presente desgastante e tentando plainar sobre a vida de uma maneira, quase, positiva. Eu sinto que mudei e talvez tenha crescido, provavelmente. Hoje, meus sonhos são outros, eu não tenho mais tesão em fugir e testar loucuras sob outra ótica, porque minha vista estava embaçada e agora tudo parece mais claro para mim. Eu quero mais que trascender, eu quero construir. Nem que seja tijolo por tijolo, e com isso, muito suor, mas argamassa não falta, porque até nisso eu vou conseguir esculpir. Está tudo bem, tudo bem.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Libertação e o racismo deles de cada dia
Quando penso em maneiras de me livrar de um peso muito grande, não consigo me imaginar fazendo outra coisa melhor que não seja escrevendo. Escrever é a minha maior arma desestabilizadora a tudo que me sufoca, o meu grito contra a sociedade que me rejeita, o alívio e o calmante às dores emocionais e, provavelmente, o passaporte para a libertação. Tenho lido bastante sobre racismo e feminismo interseccional asiáticos e muito tenho notado e relembrado o quanto minha liberdade foi invadida, meu despeito tirado à força e minha paz arrancada. Desde que me tenho por gente, percebo que nunca fui tratada como igual pelas outras pessoas. É um sentimento de não-pertencimento enraizado e que, conforme fui crescendo, foi se aflorando. Começando na pré-escola, desde a entrada na perua, durante todo o trajeto e com o passar do dia, eu ouvia, de crianças a adultos, piadinhas sobre como meus olhos eram puxados, perguntas sobre como eu conseguia enxergar, se meus pais sabiam falar em português, sobre a comida que eu comia, entre outras coisas. Para mim, eu era uma criança normal, mas as pessoas sempre me trataram com diferença. Conforme fui crescendo, as insinuações foram piorando, porque eu comecei a ser fetichizada e odiada. Perguntavam se a minha vagina era invertida, se eu só ficava com japas, e ouvia coisas como: "nunca fiquei/provei/comi uma japinha". Muitas vezes me senti com raiva de ser quem eu era, sonhava em acordar um dia e no reflexo do espelho encontrar uma menina branca e de olhos grandes. Quantas vezes me perguntei por que eu tinha que ser diferente. Comecei a ter ódio de ser quem eu era. Comecei a notar que as pessoas se aproximavam ou se afastavam de mim por conta da minha aparência. E o pior disso tudo, é que eu sempre estive exposta, ajudando meus pais na loja deles, cresci vendo eles sendo tratados de maneira diferente, ouvia/ouço meu pai sendo chamado de qualquer outra coisa que não fosse o nome dele, o mesmo acontecia com a minha mãe, minha irmã e qualquer outro parente. Acontecia e acontece o tempo inteiro. Isso cansa, isso dói, porque te faz duvidar de si mesmo. Mas tudo isso despertou em mim uma fúria que se reverteu em me distanciar das minhas origens ou abraçá-la, num dilema infinito. Foi então que eu encontrei o feminismo e descobri que precisava me empoderar, que precisava aprender a me colocar no lugar dos outros, a me ver na pele dos outros. Só que notei que as pessoas também não se colocam no meu lugar, ou no lugar de mulheres como eu. Amarelas, orientais, asiáticas. Hoje eu sei: eu sou diferente. A minha cor é diferente, o meu biotipo é diferente, a minha história também é diferente. E nem por isso dói menos ou mais, apenas a gente vai criando uma armadura. Eu sei me defender, o problema é quando esses pequenos abusos acontecem em ambientes que deveriam ser seguros. Não é todo dia que você acorda empoderada, pronta pra se defender com classe e dignidade. Tem dias que eu só queria ser invisível. Tem dias que os olhares incomodam. Tem dias que a verdade não é sempre branda e nem os abusos são evidentes. Tem dias que você não quer explicar para as pessoas que elas estão sendo racistas, machistas ou homofóbicos, você só quer que elas calem a boca e fiquem longe de você. Tem dias que você só quer se divertir como uma pessoa qualquer, sem receber olhares e julgamentos, sem ter que ter vontade de mandar alguém calar a boca ou se fuder, sem querer se irritar ou virar os olhos. Olhos que por sinal estão bem abertos e observando essa podridão toda sem tentar absorver tudo de ruim que há.
Hoje, eu me olho no espelho com orgulho de ser quem eu sou. Das minhas histórias contadas em tatuagens, dos meus olhos, do meu cabelo e do meu olhar colérico que muitas vezes diz: cuidado, não mexe comigo. Minha aparência desagrada porque não sigo mais qualquer padrão e eu sei que incomoda. Mas, bastasse o olhar de distanciamento a completa defesa das agressões. E é sobre isso que eu ainda não consegui me libertar. Tô cansada. Ainda não me identifico com capas de revista, ainda não me vejo representada em campanhas de "representatividade", ainda não me sinto acolhida por este feminismo, que descobri ser branco, elitista, classista e racista. E agora apenas decidi que não vou terminar este texto com mais lamúrias e sem resolução, porque é aqui que eu firmo: eu vou me levantar, vou continuar sendo forte e vou começar a me posicionar. E essa sociedade que tanto me rejeitou vai ter que me aguentar.
Hoje, eu me olho no espelho com orgulho de ser quem eu sou. Das minhas histórias contadas em tatuagens, dos meus olhos, do meu cabelo e do meu olhar colérico que muitas vezes diz: cuidado, não mexe comigo. Minha aparência desagrada porque não sigo mais qualquer padrão e eu sei que incomoda. Mas, bastasse o olhar de distanciamento a completa defesa das agressões. E é sobre isso que eu ainda não consegui me libertar. Tô cansada. Ainda não me identifico com capas de revista, ainda não me vejo representada em campanhas de "representatividade", ainda não me sinto acolhida por este feminismo, que descobri ser branco, elitista, classista e racista. E agora apenas decidi que não vou terminar este texto com mais lamúrias e sem resolução, porque é aqui que eu firmo: eu vou me levantar, vou continuar sendo forte e vou começar a me posicionar. E essa sociedade que tanto me rejeitou vai ter que me aguentar.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Um ano ao seu lado
Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que a razão nada tem a ver com o amor genuíno - não a forma como se o coloca em prática. Isso porque, se eu fosse racional demais, provavelmente estaria sozinha. Provavelmente também, viveria de maneira autônoma ao amor romântico, desacreditada no conceito de alma gêmea, mas, internamente, à procura de um ser impossível. Depois de ontem, um dia que começou mal e só tomou um rumo positivo porque nos depusemos, percebi que não quero mais procurar por esse ser ideal e irreal, porque eu sou real e sou imperfeita. Eu não quero um ser perfeito, porque hoje tenho a perfeita noção de que é justamente a imperfeição que nos leva a crescer juntos. Não importa se nos diferimos em alguns sentidos, o que me é o bastante é saber que ao meu lado tenho alguém imperfeito, real, que cuida de mim à sua maneira e que planeja ter um futuro comigo e, mais do que isso, me ama sendo imperfeita e real. Alguém que eu aprendi e continuo aprendendo a amar, com a consciência de que estamos em constante expansão e mutação, e assim, vou aprendendo. Um ano se passou e percebo o quanto o tempo significa nada. Pois temos todo o tempo do mundo.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Qual é o meu sonho?
Tenho me perguntado recentemente, com certa frequência, qual o meu sonho. E, sobre isso, sempre tive vaga ideia. Sempre soube que escrever seria a minha melhor saída, a minha paixão, o meu tesão e a minha redenção. E, provavelmente, onde estaria meu triunfo.
Aos 12, decidi que seria jornalista. Aos 18, na faculdade, decidi que seria repórter investigativo, deslumbrada pelo trabalho de Cacos Barcellos da vida. Aos 20, perante à crise no mercado de trabalho, decidi que toparia qualquer emprego em que pudesse escrever. Aos 21, recém-formada e com 3 experiências no currículo, desempregada, comecei a fazer freelas. Aos 22, sem freelances e sonhando muito, tangenciada pelo trabalho na loja dos meus pais, o desespero já havia se tornado meu companheiro. Aos 23, voltei ao mercado de trabalho para continuar fazendo o que eu queria, que era escrever. Aos 24, ainda no mesmo emprego, meu salário foi aumentando, assim como minha insatisfação. Aos 25, resolvi morar sozinha, a solitude e a solidão se fizeram presentes e também completaram o cenário ideal para conseguir escrever mais. Aos 26, o desespero volta a me atormentar, só que com mais força e, de repente, sobreviver já não é mais uma escolha.
Cansei de direcionar toda minha imaginação e inspiração para escrever coisas que não acredito, para empresas farmacêuticas que escravizam vidas e criam doenças em função do lucro. Estou farta desse mercado que torna refém uma sociedade necessitada de bens de consumo, mais do que de qualidade de vida. Esgotei as minhas forças tentando humanizar minha visão por patrões e líderes, pois os discursos sempre prevaleceram exatamente isso: o capital.
Mas, não se engane, não vim aqui lamentar minha falta de estabilidade financeira e criticar o capitalismo. Vim aqui dizer que desejo não mais fazer parte disso. Cansei de dar dicas baseadas em estudos para promover medicamentos, cansei de escrever para vender produtos, cansei de enganar leitorxs com uma escrita atrativa e pseudo-gentil. Não tenho mais qualquer desejo de tentar informar a partir de uma imprensa que mais desinforma do que realmente tem preocupação com a parcialidade e respeito com seu leitor. Não quero ser jornalista, não quero ser publicitária. Não quero!
E meu sonho no meio de tudo isso? Eu quero escrever para ajudar, para provocar reflexões e, possivelmente, aprendizados. Quero falar com jovens que estão formando seu caráter, descobrindo o mundo e se descobrindo com ele. Quero dialogar com gente como eu, ou gente diferente de mim, mas que, em algum pensamento, nos encontramos e nos compreendemos. Quero escrever sonhos, utilidades, memórias e histórias que merecem ser contadas.
Quero que a literatura brasileira seja valorizada, que novos Camões, Machados, Leminskis e Vinícius surjam, e que a memória dos antigos permaneça. Que as mulheres ganhem força nesse meio, que lotem as estantes, das livrarias e das casas. Que autores brasileiros sejam tão lidos e venerados quanto são os lá de fora. Que se leia mais, que se desperte o prazer por ler e que livrarias, sebos, saraus e eventos literários se tornem mais populares do que Netflix. E, não somente pelo aprendizado que a atividade proporciona, mas também, como forma de introspecção, de lazer e de transgredir cultura e sabedoria.
Sim. Esse é meu sonho.
Aos 12, decidi que seria jornalista. Aos 18, na faculdade, decidi que seria repórter investigativo, deslumbrada pelo trabalho de Cacos Barcellos da vida. Aos 20, perante à crise no mercado de trabalho, decidi que toparia qualquer emprego em que pudesse escrever. Aos 21, recém-formada e com 3 experiências no currículo, desempregada, comecei a fazer freelas. Aos 22, sem freelances e sonhando muito, tangenciada pelo trabalho na loja dos meus pais, o desespero já havia se tornado meu companheiro. Aos 23, voltei ao mercado de trabalho para continuar fazendo o que eu queria, que era escrever. Aos 24, ainda no mesmo emprego, meu salário foi aumentando, assim como minha insatisfação. Aos 25, resolvi morar sozinha, a solitude e a solidão se fizeram presentes e também completaram o cenário ideal para conseguir escrever mais. Aos 26, o desespero volta a me atormentar, só que com mais força e, de repente, sobreviver já não é mais uma escolha.
Cansei de direcionar toda minha imaginação e inspiração para escrever coisas que não acredito, para empresas farmacêuticas que escravizam vidas e criam doenças em função do lucro. Estou farta desse mercado que torna refém uma sociedade necessitada de bens de consumo, mais do que de qualidade de vida. Esgotei as minhas forças tentando humanizar minha visão por patrões e líderes, pois os discursos sempre prevaleceram exatamente isso: o capital.
Mas, não se engane, não vim aqui lamentar minha falta de estabilidade financeira e criticar o capitalismo. Vim aqui dizer que desejo não mais fazer parte disso. Cansei de dar dicas baseadas em estudos para promover medicamentos, cansei de escrever para vender produtos, cansei de enganar leitorxs com uma escrita atrativa e pseudo-gentil. Não tenho mais qualquer desejo de tentar informar a partir de uma imprensa que mais desinforma do que realmente tem preocupação com a parcialidade e respeito com seu leitor. Não quero ser jornalista, não quero ser publicitária. Não quero!
E meu sonho no meio de tudo isso? Eu quero escrever para ajudar, para provocar reflexões e, possivelmente, aprendizados. Quero falar com jovens que estão formando seu caráter, descobrindo o mundo e se descobrindo com ele. Quero dialogar com gente como eu, ou gente diferente de mim, mas que, em algum pensamento, nos encontramos e nos compreendemos. Quero escrever sonhos, utilidades, memórias e histórias que merecem ser contadas.
Quero que a literatura brasileira seja valorizada, que novos Camões, Machados, Leminskis e Vinícius surjam, e que a memória dos antigos permaneça. Que as mulheres ganhem força nesse meio, que lotem as estantes, das livrarias e das casas. Que autores brasileiros sejam tão lidos e venerados quanto são os lá de fora. Que se leia mais, que se desperte o prazer por ler e que livrarias, sebos, saraus e eventos literários se tornem mais populares do que Netflix. E, não somente pelo aprendizado que a atividade proporciona, mas também, como forma de introspecção, de lazer e de transgredir cultura e sabedoria.
Sim. Esse é meu sonho.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
A viagem
Lembram-se daquela viagem? Em que, desprentesiosas não esperávamos tantas aventuras? Nunca o "eu" se fez tão presente em todos os diálogos da vida. Era como se fosse uma luta constante para manter esse ego vivo. Mas nos entendemos. Lembram-se daquela praia de água límpida e maré baixa? E de como ela acalmava a alma? As ondas batiam levemente trazendo a brisa serena e desforme para refrescar os nossos corpos. Lembram-se de quando pegamos carona com um desconhecido, um punk caiçara que para mim não era tão desconhecido assim? E no carro dele fumamos um enquanto ríamos, em coro, de tudo o que ele dizia? Lembram-se de todas as paisagens, praias, rios e cachoeiras que encontramos? Como tudo era belo e parecia infinito? Lembram-se de quando paramos numa festa dentro de um motoclube e parecíamos integrantes do clube da Luluzinha, com nossos vestidos floridos, pedindo cigarros para homens sujos, bebendo cachaça barata e fazendo pose de quem quer seduzir? Lembram-se de quando tomamos um lsd derretido em água e ficamos brisando com as nuvens do céu, imaginando a realização dos nossos sonhos? Lembram-se do moreno que veio falar comigo, perguntando onde iríamos passar o ano novo e de como a sunga dele era tão apertadinha que dava para enxergar mais do que queríamos? Lembram-se das conversas infinitas, das discussões sobre feminismo, sobre amores e desamores? Lembram-se do quanto estivemos felizes?
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Retrospectiva 2015
Sorrisos que inundam a alma com a aquela brisa fresca e revigorante. Fazem encher o peito de expectativas positivas e resoluções razoáveis. Não vou declarar aprendizado, pois temo ser clichê e ingênua, e até mesmo arrogante. Prefiro revelar apenas que vivi e senti. E dessa vivência, em conjunto com uma explosão de sentimentos, algum aprendizado veio. Diferente do ano passado, em que me mantive em constante frenesi, este ano alcancei alguns objetivos. Sai de casa, enfrentei a solidão no qual também recorri e me acasalei. Senti fome, medo e tive vontade de abandonar tudo, mas aos poucos me reergui. Lutei, batalhei, corri, sofri, militei, briguei, gritei, mas gozei, ri e me encontrei de algumas maneiras, válidas ou não, sinceras ou não. E quando nada mais me aguardava e a vida parecia calma, topei com a paixão, que me bagunçou inteira. Chorei mais um pouco, pensei em fugir, mas permaneci e o calor pude sentir e me deixar invadir. Encontrei o amor, na maneira mais sublime, mas como um sopro intenso me convocou para permanecer. Com inúmeras dúvidas prossegui e assim as escolhas me trouxeram mais certezas.
Quanta coisa! Não sei o que espero de 2016, só gostaria que fosse mais doce que os anos anteriores. Gostaria que objetivos se tornassem realidade e que a calmaria fosse rotina. Mais viagens, mais sorrisos, mais amor.
Quanta coisa! Não sei o que espero de 2016, só gostaria que fosse mais doce que os anos anteriores. Gostaria que objetivos se tornassem realidade e que a calmaria fosse rotina. Mais viagens, mais sorrisos, mais amor.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
O que compreende a tua alma?
Acho que a solidão tem me feito bem, porque nela pude ser invadida por pensamentos que se transformaram em decisões. Preocupações que há tempos permeiam a minha mente, mas que nunca tive forças para torná-las atitudes. Pois bem, essa sou tentando ser uma pessoa melhor de fato, isso porque antes sempre me ocorreu, mas eu não havia percebido que só desejava me tornar alguém melhor para mim mesma. Isso acontece porque existem coisas dentro de nós que estão tão enraizadas que esquecemos realmente de abrir nossos caminhos e colocarmos algo positivo em prática. O que eu estou fazendo de bom para o mundo?
Estamos tão presos no conceito "crescer na vida e ser feliz" e isso está tão atrelado à necessidade de estudar, trabalhar e construir uma vida com independência financeira que esquecemos de muitas coisas.
O primeiro pensamento surgiu quando conversava sobre viagem com uma amiga de Niterói (RJ), que me disse algo que talvez ficará muito tempo na minha cabeça: o ser humano esquece que também é bicho, que precisa de natureza e que só se sente melhor levando uma vida longe das metrópoles, das tecnologias, dos vícios e dos alimentos industrializados. Pois é. Tal constatação surtiu em mim o desejo de utilizar meus cinco dias de férias para conhecer sua cidade e passar longe da ideia de visitar Buenos Aires, afinal, por que iria gastar mais dinheiro indo conhecer outra cultura se mal conheço a de uma cidade vizinha? "Se não conheço nem 50% de SP inteira?" Mas mais além disso, surgiu a necessidade de voltar a testar o vegetarianismo na minha rotina. Eu já fiquei quatro meses sendo ovolactovegetariana, fiquei quase um ano sem comer carne vermelha, e a partir de então, sempre tento substituir a soja pela carne. Por que não tentar de vez agora que moro sozinha e posso cozinhar o que eu tiver que comer? Bem, dadas as minhas condições atuais, ainda preciso almoçar na agência e aqui temos carne todos os dias, então, decidi que vou continuar comendo aqui e trazendo almoço de casa sempre que possível, e vou evitar os alimentos de origem animal o máximo que puder (e resistir). Isso também tem a ver com uma preocupação que há tempos criei quanto ao consumo desse tipo de alimento, porque sei que meu corpo funciona melhor sem proteína e gordura carnívora e porque eu quero tentar não contribuir para a matança animal e, consequentemente, à degradação do meio ambiente.
Outra preocupação é cuidar mais da saúde e isso quer dizer que eu vou tentar me exercitar mais de três vezes por semana (que é o máximo que já faço), mas como já percebi que em casa minha procrastinação é grande, pretendo começar a natação mês que vem e também vou entrar num grupo de ciclismo e poder pedalar à noite pela cidade, já que temo fazê-lo sozinha.
Outro questionamento que me invadiu foi quando me vi discutindo com a minha irmã sobre a legalização do casamento LGBT nos Estados Unidos - que ocorreu semana passada e levou uma legião de pessoas no Facebook a trocarem suas fotos de perfil como maneira de comemorar e apoiar a conquista. Não quero discutir esta pauta, mas quero provocar um pensamento: nossa sociedade, especialmente a minha geração, só é ativista para o outro ver e só faz as coisas sob a possibilidade de torná-las conteúdos compartilháveis. É fácil estender uma bandeira para ganhar likes, ter argumentos válidos para discorrer sobre qualquer tema e defender suas convicções, mas o que estamos fazendo para realmente gerar progresso? Quando minha irmã reclamou sobre "existir mais coisas para se preocupar do que casamento de gay" e eu rebati perguntando o que ela estava fazendo para mudar essas coisas, me vi cometendo o mesmo erro que praticamente quase todas as pessoas nas redes sociais cometem: o engano de achar que estão contribuindo para algo realmente concreto com suas discussões, principalmente porque estas geralmente se tornam brigas de ego e ganha aquele que souber argumentar melhor.
Depois desse episódio, me vi novamente discutindo com minha irmã, mas desta vez, dando-lhe conselhos, quando ela me procurou para dizer que estava se sentindo depressiva e eu lhe recomendei algumas mudanças positivas em sua vida. Ela me disse que não sentia vontade de nada e que pensava em voltar para o Japão, mas que mesmo assim queria construir sua vida aqui - porque lá tinha liberdade e estabilidade financeira, mas aqui ela tem a nossa família. Logo lhe confrontei, disse que isso seria fugir novamente e que se ela sente necessidade de estabelecer uma vida aqui, é porque é isso que ela precisa fazer, afinal, ficar um tempo lá para ter que voltar novamente e ter nada construído só iria lhe render mais frustrações, não é mesmo? É postergar insatisfação, quando o contrário poderia ser realizado. Falei que a falta de vontade pode ser resolvida aos poucos, com paciência e perseverança, ao agregar formas de adquirir mais qualidade de vida. No caso dela, seria preciso se forçar a fazer tais coisas. Perguntei o ela gosta de fazer no tempo livre, ela disse que era ver séries. Fui mais além e perguntei o que ela acha que poderia fazer de divertido ou proveitoso que poderia fazê-la se sentir mais completa. "O que acalenta a sua alma?" Ela não soube responder e disse que gosta de ver séries. Eu deixei essa questão com ela, para fazê-la pensar ou para manter em sua mente e, quem sabe, essa conclusão chegasse em alguns dias. Ou pelo menos lhe cause uma preocupação que lhe faça procurar por essa resposta e assim poder colocar em prática. Da conversa surgiram outras pautas, depois lhe convidei para dormir em casa e preparei um jantar vegano, em troca ela me comprou os ingredientes e deixou algumas maçãs em casa. No dia seguinte, ela me mandou um vídeo fazendo carinho em seu gato, mostrando que se sentia um pouco melhor depois do nosso encontro.
Depois disso, eu percebi que eu também não tinha concretizado o pensamento sobre o quen compreende a minha alma e percebi o quanto tenho ido em contra partida às minhas convicções. Afinal, sou feminista, mas não ativista - não mais, porque não vejo compactuando com muitos conceitos empregados por movimentos feministas (como ir à marcha das vadias, por exemplo), acredito que é possível desconstruirmos o machismo no dia-a-dia, por meio do diálogo e com as pessoas que estão abertas à reflexão de seus atos -, e durante anos me vi totalmente refém de relacionamentos amorosos com homens, como se dependesse deles. Não, não decidi me tornar homossexual ou abdicar de encontros sexuais, eu sou hétero e sexual, não posso tentar dominar o meu primitivismo, afinal, quem sou eu para me auto-reprimir? Mas notei que, os romances não precisam ser o centro da minha vida, até porque isso nunca foi o suficiente para me fazer completa. Primeiro porque - custei, mas - aprendi que não se deve buscar uma cura para a solidão em uma pessoa, não se deve esperar ser completada e nem se deve colocar responsabilidades sobre o outro. As pessoas são livres, elas vêm e voltam quando quiserem, e amor não pode ser a razão para a obrigação de estar sempre presente. Além disso, sei que não devo colocar minha esperança de ser feliz em um homem. Tenho certeza de que não é possível, nunca será suficiente, e ninguém tem a obrigação disso: de me fazer feliz. Até comentei com a minha irmã, quando ela me disse que sempre foi infeliz, que não acredito que a felicidade seja um sentimento eterno, unilateral e, ainda, essa coisa tão superestimada e praticamente inalcançável que tanto desejamos e temos obrigação de conquistá-la. Eu acredito que a felicidade é algo sublime e funciona como uma união de sensações, sentimentos e situações felizes, e que, se vivenciamos isso com frequência, conseguimos ser naturalmente mais felizes, assim como o contrário. E se estamos felizes, a vida fica mais leve e nos tornamos mais fortes para enfrentarmos os momentos difíceis e de extrema infelicidade. Ninguém é feliz o tempo todo, assim como deve ser o oposto disso.
Pois bem, me questionei sobre as minhas principais preocupações, excluindo as minhas necessidades e responsabilidades pessoais - que são trabalhar, pagar o aluguel, aumentar a renda, estudar, escrever etc -, que são: cuidados com o meio ambiente, consumo de recursos de origem animal (que muito além do alimento estão os testes de laboratório, o uso para desenvolver produtos de beleza, limpeza e vestuário somente para abastecer a indústria e, consequentemente, engrandecer o capitalismo) e, principalmente, educação. E com essa preocupação, sempre existiu o desejo de ser professora da rede estadual, algo que pretendo colocar em prática um dia. Mas e o que eu poderia fazer neste momento? Então procurei por ongs e orfanatos na região e decidi me candidatar a um trabalho voluntário - e penso até mesmo em apadrinhar uma criança. Acabei chegando em uma casa que atende no mesmo bairro que o meu e marquei uma visita, além disso, estou tentando coletar doações para levar no local. O objetivo disso não é só me fazer uma pessoa melhor, mas ajudar com o pouco que posso às pessoas que precisam, realmente é algo que compreende a minha alma. Não desejo somente fazer doações, quero poder ter contato com uma ou mais crianças e adolescentes, tentar conversar com elas, tentar contribuir com um pouco do meu conhecimento e, se possível, gerar sorrisos.
Essa sou eu tentando ser alguém melhor, essa sou eu, fazendo o melhor para mim mesma, e essa sou eu realmente encontrando uma proposta de vida que compreenda a minha alma. Chega de ficar na superfície.
Estamos tão presos no conceito "crescer na vida e ser feliz" e isso está tão atrelado à necessidade de estudar, trabalhar e construir uma vida com independência financeira que esquecemos de muitas coisas.
O primeiro pensamento surgiu quando conversava sobre viagem com uma amiga de Niterói (RJ), que me disse algo que talvez ficará muito tempo na minha cabeça: o ser humano esquece que também é bicho, que precisa de natureza e que só se sente melhor levando uma vida longe das metrópoles, das tecnologias, dos vícios e dos alimentos industrializados. Pois é. Tal constatação surtiu em mim o desejo de utilizar meus cinco dias de férias para conhecer sua cidade e passar longe da ideia de visitar Buenos Aires, afinal, por que iria gastar mais dinheiro indo conhecer outra cultura se mal conheço a de uma cidade vizinha? "Se não conheço nem 50% de SP inteira?" Mas mais além disso, surgiu a necessidade de voltar a testar o vegetarianismo na minha rotina. Eu já fiquei quatro meses sendo ovolactovegetariana, fiquei quase um ano sem comer carne vermelha, e a partir de então, sempre tento substituir a soja pela carne. Por que não tentar de vez agora que moro sozinha e posso cozinhar o que eu tiver que comer? Bem, dadas as minhas condições atuais, ainda preciso almoçar na agência e aqui temos carne todos os dias, então, decidi que vou continuar comendo aqui e trazendo almoço de casa sempre que possível, e vou evitar os alimentos de origem animal o máximo que puder (e resistir). Isso também tem a ver com uma preocupação que há tempos criei quanto ao consumo desse tipo de alimento, porque sei que meu corpo funciona melhor sem proteína e gordura carnívora e porque eu quero tentar não contribuir para a matança animal e, consequentemente, à degradação do meio ambiente.
Outra preocupação é cuidar mais da saúde e isso quer dizer que eu vou tentar me exercitar mais de três vezes por semana (que é o máximo que já faço), mas como já percebi que em casa minha procrastinação é grande, pretendo começar a natação mês que vem e também vou entrar num grupo de ciclismo e poder pedalar à noite pela cidade, já que temo fazê-lo sozinha.
Outro questionamento que me invadiu foi quando me vi discutindo com a minha irmã sobre a legalização do casamento LGBT nos Estados Unidos - que ocorreu semana passada e levou uma legião de pessoas no Facebook a trocarem suas fotos de perfil como maneira de comemorar e apoiar a conquista. Não quero discutir esta pauta, mas quero provocar um pensamento: nossa sociedade, especialmente a minha geração, só é ativista para o outro ver e só faz as coisas sob a possibilidade de torná-las conteúdos compartilháveis. É fácil estender uma bandeira para ganhar likes, ter argumentos válidos para discorrer sobre qualquer tema e defender suas convicções, mas o que estamos fazendo para realmente gerar progresso? Quando minha irmã reclamou sobre "existir mais coisas para se preocupar do que casamento de gay" e eu rebati perguntando o que ela estava fazendo para mudar essas coisas, me vi cometendo o mesmo erro que praticamente quase todas as pessoas nas redes sociais cometem: o engano de achar que estão contribuindo para algo realmente concreto com suas discussões, principalmente porque estas geralmente se tornam brigas de ego e ganha aquele que souber argumentar melhor.
Depois desse episódio, me vi novamente discutindo com minha irmã, mas desta vez, dando-lhe conselhos, quando ela me procurou para dizer que estava se sentindo depressiva e eu lhe recomendei algumas mudanças positivas em sua vida. Ela me disse que não sentia vontade de nada e que pensava em voltar para o Japão, mas que mesmo assim queria construir sua vida aqui - porque lá tinha liberdade e estabilidade financeira, mas aqui ela tem a nossa família. Logo lhe confrontei, disse que isso seria fugir novamente e que se ela sente necessidade de estabelecer uma vida aqui, é porque é isso que ela precisa fazer, afinal, ficar um tempo lá para ter que voltar novamente e ter nada construído só iria lhe render mais frustrações, não é mesmo? É postergar insatisfação, quando o contrário poderia ser realizado. Falei que a falta de vontade pode ser resolvida aos poucos, com paciência e perseverança, ao agregar formas de adquirir mais qualidade de vida. No caso dela, seria preciso se forçar a fazer tais coisas. Perguntei o ela gosta de fazer no tempo livre, ela disse que era ver séries. Fui mais além e perguntei o que ela acha que poderia fazer de divertido ou proveitoso que poderia fazê-la se sentir mais completa. "O que acalenta a sua alma?" Ela não soube responder e disse que gosta de ver séries. Eu deixei essa questão com ela, para fazê-la pensar ou para manter em sua mente e, quem sabe, essa conclusão chegasse em alguns dias. Ou pelo menos lhe cause uma preocupação que lhe faça procurar por essa resposta e assim poder colocar em prática. Da conversa surgiram outras pautas, depois lhe convidei para dormir em casa e preparei um jantar vegano, em troca ela me comprou os ingredientes e deixou algumas maçãs em casa. No dia seguinte, ela me mandou um vídeo fazendo carinho em seu gato, mostrando que se sentia um pouco melhor depois do nosso encontro.
Depois disso, eu percebi que eu também não tinha concretizado o pensamento sobre o quen compreende a minha alma e percebi o quanto tenho ido em contra partida às minhas convicções. Afinal, sou feminista, mas não ativista - não mais, porque não vejo compactuando com muitos conceitos empregados por movimentos feministas (como ir à marcha das vadias, por exemplo), acredito que é possível desconstruirmos o machismo no dia-a-dia, por meio do diálogo e com as pessoas que estão abertas à reflexão de seus atos -, e durante anos me vi totalmente refém de relacionamentos amorosos com homens, como se dependesse deles. Não, não decidi me tornar homossexual ou abdicar de encontros sexuais, eu sou hétero e sexual, não posso tentar dominar o meu primitivismo, afinal, quem sou eu para me auto-reprimir? Mas notei que, os romances não precisam ser o centro da minha vida, até porque isso nunca foi o suficiente para me fazer completa. Primeiro porque - custei, mas - aprendi que não se deve buscar uma cura para a solidão em uma pessoa, não se deve esperar ser completada e nem se deve colocar responsabilidades sobre o outro. As pessoas são livres, elas vêm e voltam quando quiserem, e amor não pode ser a razão para a obrigação de estar sempre presente. Além disso, sei que não devo colocar minha esperança de ser feliz em um homem. Tenho certeza de que não é possível, nunca será suficiente, e ninguém tem a obrigação disso: de me fazer feliz. Até comentei com a minha irmã, quando ela me disse que sempre foi infeliz, que não acredito que a felicidade seja um sentimento eterno, unilateral e, ainda, essa coisa tão superestimada e praticamente inalcançável que tanto desejamos e temos obrigação de conquistá-la. Eu acredito que a felicidade é algo sublime e funciona como uma união de sensações, sentimentos e situações felizes, e que, se vivenciamos isso com frequência, conseguimos ser naturalmente mais felizes, assim como o contrário. E se estamos felizes, a vida fica mais leve e nos tornamos mais fortes para enfrentarmos os momentos difíceis e de extrema infelicidade. Ninguém é feliz o tempo todo, assim como deve ser o oposto disso.
Pois bem, me questionei sobre as minhas principais preocupações, excluindo as minhas necessidades e responsabilidades pessoais - que são trabalhar, pagar o aluguel, aumentar a renda, estudar, escrever etc -, que são: cuidados com o meio ambiente, consumo de recursos de origem animal (que muito além do alimento estão os testes de laboratório, o uso para desenvolver produtos de beleza, limpeza e vestuário somente para abastecer a indústria e, consequentemente, engrandecer o capitalismo) e, principalmente, educação. E com essa preocupação, sempre existiu o desejo de ser professora da rede estadual, algo que pretendo colocar em prática um dia. Mas e o que eu poderia fazer neste momento? Então procurei por ongs e orfanatos na região e decidi me candidatar a um trabalho voluntário - e penso até mesmo em apadrinhar uma criança. Acabei chegando em uma casa que atende no mesmo bairro que o meu e marquei uma visita, além disso, estou tentando coletar doações para levar no local. O objetivo disso não é só me fazer uma pessoa melhor, mas ajudar com o pouco que posso às pessoas que precisam, realmente é algo que compreende a minha alma. Não desejo somente fazer doações, quero poder ter contato com uma ou mais crianças e adolescentes, tentar conversar com elas, tentar contribuir com um pouco do meu conhecimento e, se possível, gerar sorrisos.
Essa sou eu tentando ser alguém melhor, essa sou eu, fazendo o melhor para mim mesma, e essa sou eu realmente encontrando uma proposta de vida que compreenda a minha alma. Chega de ficar na superfície.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Paixão que desestabiliza
Voltei a escrever o livro e reli alguns posts desse blog, e assim percebi o quanto me vi confusa com o término com ele. Praticamente tudo o que escrevi aqui até antes do meu aniversário demonstravam o quanto eu me vi perdida e contraditória. Se apaixonar causa um caos imenso, não? Eu aproveito para dizer que tenho agido diferente nesse meio tempo, tento não criar tantas certezas porque eu sei que não serei capaz de transformá-las em estruturas. Não sei se porque ainda sou imatura para realmente criar metas alcançáveis ou se porque sou leviana demais para manter algo. Então, vou vivendo e, vivendo, vou aprendendo, seja algo importante que eu possa aplicar ao meu dia a dia, ou algo que simplesmente me provoque alguma reflexão profunda e descobertas. Sei que ainda não o esqueci, claro, não é possível esquecer alguém assim, não quando você realmente amou, o término foi horrível e logo quando você estava completamente apaixonada. Disse muitas vezes para mim mesma que não era amor, mas menti em todas as vezes. Apego não me proporcionaria as sensação que senti e nem os pensamentos que me confortaram de tal maneira que me vi capaz de imaginar toda uma vida ao lado de alguém. Ou talvez tudo isso seja um grande devaneio de quem não tem os pés no chão e eu confesso: de fato não tenho.
Tenho conhecido pessoas, uma em específica me agrada e me faz bem à alma, outras têm gerado interesse, mas não o suficiente para ser revertido em envolvimento, não desse modo. Talvez eu não esteja mais tão aberta assim, talvez eu esteja mais preocupada em encontrar maneiras plausíveis de desfazer meus erros, e tenho feito. Fui atrás de gente que dei mancada e me redimi. Não sei se fora o suficiente, especialmente para um, mas eu tentei e fui bem recebida. Acho que é um momento de fazer diferente, tentando controlar os impulsos e encontrar alguma fonte de paz, não em alguém, mas em mim mesma.
Tenho conhecido pessoas, uma em específica me agrada e me faz bem à alma, outras têm gerado interesse, mas não o suficiente para ser revertido em envolvimento, não desse modo. Talvez eu não esteja mais tão aberta assim, talvez eu esteja mais preocupada em encontrar maneiras plausíveis de desfazer meus erros, e tenho feito. Fui atrás de gente que dei mancada e me redimi. Não sei se fora o suficiente, especialmente para um, mas eu tentei e fui bem recebida. Acho que é um momento de fazer diferente, tentando controlar os impulsos e encontrar alguma fonte de paz, não em alguém, mas em mim mesma.
sábado, 20 de junho de 2015
25 anos, novos rumos
É muito cedo para assumir alguma coisa, e se eu fizer isso estarei sendo leviana, que é algo que eu não quero mais ser. Acho que talvez seja o momento de me redimir comigo mesma e fazer as coisas da melhor forma, da maneira que não me vi capaz de fazer no passado. Talvez de consertar os erros do último relacionamento, talvez para me tornar alguém melhor, mas de certo modo, tenho receio de entrar em um território que não conheço e acabar mais confusa do que já estava. Mas eu me sinto outra, queria dizer que me sinto mais sábia, mas temo ser leviana nesse ponto também, então prefiro dizer que sim, sou outra, com uma nova visão para alguns assuntos, de coração aberto para novas experiências, mas ainda procurando uma consciência que me promova segurança. Não quero pensar muito, porque o pensamento esgota e provoca desgaste, então prefiro viver e quero viver com uma tranquilidade que nunca provei, talvez com a necessidade de ser mais plena desta vez. Em resumo, tenho fugido dos exageros, inclusive dos de teor mental. Tanto que comecei a ensaiar um pensamento que se traduziria em uma reviravolta na minha vida, mas preferi voltar atrás e assumir que não, foi apenas um começo para algo novo e bom. E isso é ótimo e eu me sinto completamente satisfeita por ter me aberto a novos planos, a novas vivências e, quem sabe, um novo amor. Decidi parar de negar meus desejos mais profundos e completamente enraizados e aceitar o que a vida proporciona de uma maneira mais receptiva, sem carregar o peso dos dias passados e sem múltiplas teorias sobre como cada coisa deve ser e acontecer. Gostaria também que a carência da solidão não confundisse meus sentimentos, queria estar consciente o tempo inteiro, mas isso eu não consigo controlar completamente, portanto, sinto que tenho que levar em consideração outras metas, inclusive aquelas que eu dependo para sobreviver. Vou me deixando viver e eu quero viver. E agora aceito o fato de que sim, eu quero um amor, não as paixões fugazes, não as diretrizes que abordam desastres, não o aperto que dói no peito e deixa um vazio imenso, eu quero amor que me faça transbordar, um amor que me torne melhor e não que me complete, mas que faça eu me sentir mais plena - talvez eu necessite disso, talvez eu realmente seja uma pessoa venusiana, que só se sente mais completa amando - um amor que só agora eu estou disposta a receber e compartilhar.
Eu sou amor, da cabeça aos pés, eu sou.
domingo, 7 de junho de 2015
O lado bom de cada pessoa
Todas as pessoas carregam inúmeras personas. Cada ser é único, em aparência, características físicas, emocionais, espirituais e psicológicas. Cada pessoa, resumidamente, possui um lado bom e um ruim. Não precisamos descobrir qual é o lado tóxico de cada um, nós precisamos relembrá-las do seu melhor, incentivá-las a sempre darem o seu melhor.
domingo, 17 de maio de 2015
Racional
Muito aprendi com o término brusco do meu último relacionamento. Tardei, mas não falhei. Uma das coisas que aprendi foi que ser racional não é pensar e, logo, agir de tal maneira. As pessoas se confundem muito com este termo. Ser racional é ser um pensador, alguém que tenta entender as coisas - acontecimentos, situações, pessoas, sentimentos, sensações - por diversos pontos de vista e, geralmente, de modo detalhado, com conclusões abstratas ou objetivas, ou não. Seres como eu discorrem e perpetuam pelo pensamento livre, ou não, de tudo o que ocorre ou presencia em suas vidas, e costumam entender como ninguém sobre determinadas coisas. Geralmente temos dificuldades em entender nossas emoções porque temos necessidade de racionalizá-las, de transformá-las em vocábulo, ou transcorrê-las, tais necessidades transformam nossos sentimentos em literatura ou em muita conversa, seja com os amigos, seja com psicólogos. Somos seres que pensam, muito e, geralmente, sobre tudo. E quanto chegamos ao entendimento ou conclusão de algo, é como se pudéssemos, finalmente, nos tranquilizar, pois resolvemos tal equação em nossas mentes. Isso independe de nossas ações ou intenções, nós pensamos, ponto. Meu ex se achava racional porque agia de maneira que não demonstrava emoções - assim como um robô - e me classificava como sentimental. Esse tipo de pensamento é comum entre as pessoas, algo que geralmente provém com mais ocorrência no sexo masculino: "homens são racionais, mulheres são sentimentais", e agora eu te digo porquê essa é a maior balela que já te contaram. Primeiro que pensamento, forma de agir, sentir e compreender entre um sexo e outro não difere por esse mesmo motivo. As pessoas são diferentes no seu interior, isso não é porque são homem ou mulher. Se fosse assim, se coubesse essa linha de raciocínio para Deus todo poderoso, criador de Adão e Eva, ele teria criado dois Adões, certo? E não teríamos Felicianos e Bolsonaros vomitando desinformação, preconceito, intolerância e ignorância em defesa da família tradicional brasileira, correto? Mas enfim, eu não quero entrar nesse mérito, se não, não chego aonde queria e nem vou conseguir terminar o texto esta noite. Bem, hoje eu posso dizer que não sei o que sinto por ele, se sinto algo, mas também não faço questão de entender. Talvez eu sinta nada, por ele, e começar a ensaiar qualquer pensamento sobre isso me dá uma baita preguiça. Já não sinto mais sua falta, já me desfiz de qualquer sensação de estranhamento referente a sua ausência, nada mais que tenha a ver com ele me incomoda ou me faz mal, faz nada, sabe? Um nada. Eu apenas cheguei a muitas conclusões e meu coração começou a seguir então a voz da razão, ou mesmo, pensar demais me cansou por completo, então a razão e a emoção se uniram e nenhuma delas está desalinhada. E posso dizer que isso foi ótimo, como um estalo, sabe? De repente você se sente indiferente à tal pessoa e você começa a agradecê-la - em pensamento - por ter saído da sua vida. Não porque te fez mal demais - você já conseguiu se esquecer de qualquer mal que ela tenha lhe causado -, simplesmente porque tudo o que você sentia ou pensava por ela mudou. E, confesso, estar solteira nesse momento da vida está sendo a descoberta mais gostosa de todos os tempos. Porque consegui unir o término, com o aprendizado disso tudo e mais o fato de começar, finalmente, a morar sozinha (porque ele estava sempre aqui), e tem sido incrível. Tenho gostado da minha solitude, tenho aproveitado a minha solidão e, quando canso de estar só, eu simplesmente saio de casa e posso trazer quem eu quiser aqui, inclusive, pessoas que eu não poderia trazer enquanto estava com ele. Tudo tem sido tão desbravador e ao mesmo tempo consolador, me sinto mais madura, mais segura, mais completa e repleta de amor próprio. Obrigada ex, por ter terminado de maneira horrível, por ter me feito te tirar da minha vida e, mais ainda, ter me deixado só, porque o mundo sem você, realmente, tem sido mais belo e proveitoso. E, outro fato importante, não era amor.
sábado, 9 de maio de 2015
A razão que encontrei na sua ausência
Febril me acolhi no meu cantinho: minha cama com todos os travesseiros e edredons que tenho, e adormeci. Quando despertei, já estava escuro, e no meio dessa escuridão, vi teu rosto, exatamente como estava acostumada, com você dormindo tranquilamente, meio babando, meio roncando, ao meu lado. Ainda tenho costume de dormir no canto da cama, como se estivesse te dando espaço, e as vezes lembro de você reclamando que eu durmo encolhida demais, sem perceber que você dominava quase todo o colchão, apenas me disponibilizando o cantinho. E eu nunca achei ruim te deixar aquele espaço todo, era uma maneira de te deixar à vontade na minha casa, de deixar um pouco do meu para você, e, metaforicamente, de te dar um grande espaço na minha vida.
Lembro-me que depois de algum tempo juntos, àquela sua imagem passou a me confortar, e muitas vezes eu te abracei e distribui beijos sem você notar. Era um modo de cuidar de você, de te amar mesmo que você não estivesse acordado para perceber. Ainda deitada no colchão, outras imagens suas começaram a surgir de maneira tênue, não mais me bombardeando e enchendo meu peito de mágoa e meu rosto de lágrimas, como há alguns dias. Acho que sua ausência tem me resultado compreensão e tenho aprendido a lidar comigo mesma muito mais tranquilamente do que em toda a minha vida. Coisas que eram nebulosas meses atrás, agora fazem muito sentido. Tenho aprendido a amar a minha casa, me sinto acolhida, mesmo quando não há companhia. Quando estava com você, eu mal ficava sozinha aqui, eu até tinha medo de estar, era como se eu estivesse postergando enfrentar a minha solidão. Li esses dias que tememos os momentos de isolamento porque sabemos que teremos de nos enfrentar, e o quanto isso pode ser doloroso. E hoje eu aprendo a apreciar isso, minha solidão que nada é vazia, minha solitude que me torna uma pessoa mais consciente e cuidadosa comigo mesma. Não me cuidei enquanto estava contigo, coloquei muito peso sobre você e me perdi, hoje eu entendo isso. Pensava que você era a pessoa certa na hora errada, mas não, você veio na hora certa porque eu aprendi e ainda tenho aprendido com você, e eu espero que eu também tenha provocado algo assim em você. Sejamos honestos, tudo na vida é aprendizado e a gente só enxerga isso quando abandona o ego.
Foi então que te admirei em meus pensamentos e senti que isso prova o meu amadurecimento, dado o fato de como as coisas terminaram, eu poderia me forçar a te esquecer, ou estar com raiva ainda, remoendo tudo o que aconteceu. Eu acho que só parei de me desesperar ao lembrar de você ou a ver coisas que te remetem, é como se eu calasse um pouco meu coração e tirasse os pensamentos ruins sobre você de mim. Aos poucos eu vou parando de ver você em todo mundo que eu encontro na rua, ou a lembrar de você com pesar. É como se apenas fosse restando a lembrança boa, muito mais amena e menos frequente, e acredito que eu ainda tenha que aprender muito sobre tudo isso. Quando as coisas começaram a parecer que poderiam ficar ruins, liguei a luz, levantei, e um banho tomei. Liguei um som alto, falei ao celular, me arrumei. Tô pronta para sair.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
O fim
Hoje tento compreender este fim repentino que quebrou todos os nossos planos. Nossa viagem no meu aniversário, o almoço com meus pais no domingo, a visita à casa de sua avó no natal, a nossa ida sozinhos à praia assim que recebêssemos, os pequenos desejos que criamos em conjunto e poderíamos colocar em prática no decorrer do ano, da vida, o fim de semana sem dinheiro em que passaríamos enrolados no edredom, nos aquecendo com o calor de nossos corpos. Como eu vou esquecer cada um desses planos que minha mente construiu junto à sua ao longo desses 4 meses, assim, de repente? É como pegar um saco cheio de papéis coloridos, amassá-los e queimá-los até perderem sua cor, sentido e definição.
Mas a vida tem que seguir, assim como os planos, certo? Planos que podem ser reciclados, arrumados e totalmente renovados. Nisso, o tempo e uma dose de coragem ajudam. Mas, e o meu amor, onde fica? Eu não sei o tamanho dele - nem sei se é possível medi-lo -, mas pequeno, não é. Não sei se vou descobrir a profundidade dele durante esse tempo longe de você, mas definitivamente, eu não queria passar por isso, é muita dor. Eu não queria desistir de nós, não queria refazer os meus planos, não queria te ver como um estranho, que esteve tão presente na minha vida e que agora está tão distante.
Minha casa mantém seu cheiro, é como se você estivesse ali o tempo inteiro. E está, porque você faz parte de toda a história que eu tive nela. Desde arranjar os entregadores, ao desencaixotar de caixas, à primeira refeição, ao primeiro drink, à primeira compra, ao primeiro passeio pela vizinhança, ao descobrimento dos comércios locais, ao boteco da frente que foi cenário para conversas sérias e para a primeira noite na minha rua, ao seu lado. Eu ainda não te conhecia bem e você as vezes parecia nervoso, mas sempre gentil e afável, sempre convidativo, sempre incrível, em tudo. Eu temia muitas coisas, mas você sempre me deixou segura para ser eu mesma, e eu fui ficando e você entrando cada vez mais na minha rotina, nos meus desejos, na minha vida.
Te tirar assim, bruscamente, é um abuso dos mais graves a tudo que eu tenho como mais essencial no meu caráter e no meu emocional. É arrancar uma parte imensa de mim e da trajetória que iniciei este ano. Entretanto, eu não sei se é preciso. Eu não quero te esquecer à força, me esquivar da lembrança sua a cada momento que eu ver, sentir ou tocar algo que te remeta. E daí eu entendi que eu não quero te esquecer. Eu não quero te amar menos, e nem quero tirar qualquer vestígio de você de mim. Mesmo que seus pensamentos e desejos agora sejam completamente contrários aos meus, mesmo que hoje você tente me ignorar na sua mente e no seu coração, mesmo que você esteja tentando me odiar. Não me importa. Eu não quero te tirar de mim.
Eu não quero esquecer da maneira doce que você ri, com a boca fechadinha e repleta de graça. Da voz grave que sai desses lábios carnudos e doces que fizeram eu me perder tantas vezes. Do olhar confuso e penetrante desses olhos fundos e radiantes. Do toque da sua pele macia e rígida, que contempla esse corpo forte. Dos seus braços aconchegantes que me pegavam no colo e me transportavam para outra dimensão. Do seu delicioso pênis, que se encaixava direitinho em mim e me proporcionaram inúmeros momentos de prazer e loucura. Da forma como você me possuía e me despertava os desejos mais impuros. Da sua companhia insubstituível, seja nos dias cinzas, seja na hora da alegria. Do seu bom humor repleto de ironia e da maneira simples que você encara a vida. Do seu jeito tão único, que se desmembra entre o menino sonhador e alegre, ao homem preocupado e responsável e ao garoto que ama super heróis e coleciona bonecos repletos de valor sentimental, que aludem sua infância e o seu desenvolvimento pessoal.
Eu sinto que jamais poderei esquecer aquela viagem na praia, que vimos a lua vermelha, fizemos planos com os pés na areia e nos amamos como nunca, sedentos pela carne do outro e com o peito cheio de amor. Em que você nos salvou de três trombadinhas, tão pequenos perante ao enorme homem que os enfrentava, com uma coragem e senso de proteção imbatíveis. Da noite na Roosevelt, em que me declarei à você no dia em que decidimos voltar e compreendemos, ali mesmo, que nosso futuro estava apenas começando - será que fomos ingênuos demais em acreditarmos que nosso amor salvaria as mazelas que trouxemos para o nosso relacionamento? Eu sentia que podia flutuar, mas melhor que isso: que poderia fazer isso de mãos dadas a você sem qualquer medo de cair. Não porque te via como uma muleta emocional, mas porque eu criei confiança em você e sentia que éramos parceiros de crime, cúmplices do acaso e da rotina e amantes que se amavam e cuidavam um do outro. Também não tenho como esquecer da vez que apareci no meio da noite na sua casa, de táxi, durante a semana, e você me arrancou do carro e não conseguia me soltar mais. Nem da vez em que te levei para o banheiro do bar, enquanto batiam na porta loucamente e ríamos sem parar, com você, todo sem jeito. Do seu último dia de trabalho em que te visitei antes de fechar, e estreamos aquele lugar. Das vezes em que, sem dinheiro, trouxemos o bar para a nossa casa, e bebemos, fumamos e cozinhamos petiscos, enquanto planejávamos o que faríamos quando estivéssemos com grana, não porque estivesse ruim daquele jeito, mas porque ambos queríamos melhorar o momento com o outro. Não esqueceria também das vezes que você me socorreu, no dentista, no hospital, nas quedas na rua, nas escadas, no trampo, quando eu não aguentava mais e saber que ao te encontrar ao fim do dia, tudo ficaria melhor. Dos rangos quando não tive forças para cozinhar, das vezes em que me perdi e você me doou seu abraço para me confortar, e das inúmeras massagens para me fazer relaxar. Das bebedeiras, em que já pudemos cuidar um do outro. Das vezes em que, naturalmente, proferimos elogios enquanto nos pegávamos nos encarando, como se o sentimento de amor nos dominasse por completo.
Chorei muito ao relembrar cada momento até chegar até aqui, mas eu decidi não lamentar mais pelo fim. Eu fui sincera, poderia ter agido de outras maneiras, poderia ter uma máquina do tempo e desfazer vários erros, mas a vida é agora, e no momento, eu fui sincera comigo mesma e não tenho como voltar atrás. Decidi que, por te amar demais, eu tenho que te deixar partir e também devo seguir o meu caminho. Mesmo sabendo que o que estamos fazendo vai contra o que queremos, mesmo sabendo que o tempo pode ser crucial para nunca mais te ter na minha vida, e que poderemos nos perder para sempre um do outro. Eu não quero falsas esperanças, então compreendi que vou ter que lidar com a sua rejeição. Que em alguns dias, vou chorar menos e terei aceitado melhor a sua ausência. E que ainda terei muitos demônios para enfrentar, especialmente longe de você. Esses dias foram essenciais para o meu crescimento, mas ainda me restam muitos - assim espero. E talvez, quem sabe, um dia nos encontremos pelas esquinas da vida, e estejamos mais maduros e dispostos a nos amar com plenitude, a sermos o que queríamos ter sido um para o outro e talvez estejamos prontos para o relacionamento que ambos queríamos. Não para enfrentar os dias frios, esquentar nossa cama vazia ou solucionar nossa solidão, mas porque, se for amor de verdade, então nosso fim só aconteceu por um cálculo errado de timing. Não tão errado assim, porque confesso: foi um verdadeiro prazer te conhecer. Se cuide e saiba que sempre torcerei por você. Vá e voe, nenão.
Mas a vida tem que seguir, assim como os planos, certo? Planos que podem ser reciclados, arrumados e totalmente renovados. Nisso, o tempo e uma dose de coragem ajudam. Mas, e o meu amor, onde fica? Eu não sei o tamanho dele - nem sei se é possível medi-lo -, mas pequeno, não é. Não sei se vou descobrir a profundidade dele durante esse tempo longe de você, mas definitivamente, eu não queria passar por isso, é muita dor. Eu não queria desistir de nós, não queria refazer os meus planos, não queria te ver como um estranho, que esteve tão presente na minha vida e que agora está tão distante.
Minha casa mantém seu cheiro, é como se você estivesse ali o tempo inteiro. E está, porque você faz parte de toda a história que eu tive nela. Desde arranjar os entregadores, ao desencaixotar de caixas, à primeira refeição, ao primeiro drink, à primeira compra, ao primeiro passeio pela vizinhança, ao descobrimento dos comércios locais, ao boteco da frente que foi cenário para conversas sérias e para a primeira noite na minha rua, ao seu lado. Eu ainda não te conhecia bem e você as vezes parecia nervoso, mas sempre gentil e afável, sempre convidativo, sempre incrível, em tudo. Eu temia muitas coisas, mas você sempre me deixou segura para ser eu mesma, e eu fui ficando e você entrando cada vez mais na minha rotina, nos meus desejos, na minha vida.
Te tirar assim, bruscamente, é um abuso dos mais graves a tudo que eu tenho como mais essencial no meu caráter e no meu emocional. É arrancar uma parte imensa de mim e da trajetória que iniciei este ano. Entretanto, eu não sei se é preciso. Eu não quero te esquecer à força, me esquivar da lembrança sua a cada momento que eu ver, sentir ou tocar algo que te remeta. E daí eu entendi que eu não quero te esquecer. Eu não quero te amar menos, e nem quero tirar qualquer vestígio de você de mim. Mesmo que seus pensamentos e desejos agora sejam completamente contrários aos meus, mesmo que hoje você tente me ignorar na sua mente e no seu coração, mesmo que você esteja tentando me odiar. Não me importa. Eu não quero te tirar de mim.
Eu não quero esquecer da maneira doce que você ri, com a boca fechadinha e repleta de graça. Da voz grave que sai desses lábios carnudos e doces que fizeram eu me perder tantas vezes. Do olhar confuso e penetrante desses olhos fundos e radiantes. Do toque da sua pele macia e rígida, que contempla esse corpo forte. Dos seus braços aconchegantes que me pegavam no colo e me transportavam para outra dimensão. Do seu delicioso pênis, que se encaixava direitinho em mim e me proporcionaram inúmeros momentos de prazer e loucura. Da forma como você me possuía e me despertava os desejos mais impuros. Da sua companhia insubstituível, seja nos dias cinzas, seja na hora da alegria. Do seu bom humor repleto de ironia e da maneira simples que você encara a vida. Do seu jeito tão único, que se desmembra entre o menino sonhador e alegre, ao homem preocupado e responsável e ao garoto que ama super heróis e coleciona bonecos repletos de valor sentimental, que aludem sua infância e o seu desenvolvimento pessoal.
Eu sinto que jamais poderei esquecer aquela viagem na praia, que vimos a lua vermelha, fizemos planos com os pés na areia e nos amamos como nunca, sedentos pela carne do outro e com o peito cheio de amor. Em que você nos salvou de três trombadinhas, tão pequenos perante ao enorme homem que os enfrentava, com uma coragem e senso de proteção imbatíveis. Da noite na Roosevelt, em que me declarei à você no dia em que decidimos voltar e compreendemos, ali mesmo, que nosso futuro estava apenas começando - será que fomos ingênuos demais em acreditarmos que nosso amor salvaria as mazelas que trouxemos para o nosso relacionamento? Eu sentia que podia flutuar, mas melhor que isso: que poderia fazer isso de mãos dadas a você sem qualquer medo de cair. Não porque te via como uma muleta emocional, mas porque eu criei confiança em você e sentia que éramos parceiros de crime, cúmplices do acaso e da rotina e amantes que se amavam e cuidavam um do outro. Também não tenho como esquecer da vez que apareci no meio da noite na sua casa, de táxi, durante a semana, e você me arrancou do carro e não conseguia me soltar mais. Nem da vez em que te levei para o banheiro do bar, enquanto batiam na porta loucamente e ríamos sem parar, com você, todo sem jeito. Do seu último dia de trabalho em que te visitei antes de fechar, e estreamos aquele lugar. Das vezes em que, sem dinheiro, trouxemos o bar para a nossa casa, e bebemos, fumamos e cozinhamos petiscos, enquanto planejávamos o que faríamos quando estivéssemos com grana, não porque estivesse ruim daquele jeito, mas porque ambos queríamos melhorar o momento com o outro. Não esqueceria também das vezes que você me socorreu, no dentista, no hospital, nas quedas na rua, nas escadas, no trampo, quando eu não aguentava mais e saber que ao te encontrar ao fim do dia, tudo ficaria melhor. Dos rangos quando não tive forças para cozinhar, das vezes em que me perdi e você me doou seu abraço para me confortar, e das inúmeras massagens para me fazer relaxar. Das bebedeiras, em que já pudemos cuidar um do outro. Das vezes em que, naturalmente, proferimos elogios enquanto nos pegávamos nos encarando, como se o sentimento de amor nos dominasse por completo.
Chorei muito ao relembrar cada momento até chegar até aqui, mas eu decidi não lamentar mais pelo fim. Eu fui sincera, poderia ter agido de outras maneiras, poderia ter uma máquina do tempo e desfazer vários erros, mas a vida é agora, e no momento, eu fui sincera comigo mesma e não tenho como voltar atrás. Decidi que, por te amar demais, eu tenho que te deixar partir e também devo seguir o meu caminho. Mesmo sabendo que o que estamos fazendo vai contra o que queremos, mesmo sabendo que o tempo pode ser crucial para nunca mais te ter na minha vida, e que poderemos nos perder para sempre um do outro. Eu não quero falsas esperanças, então compreendi que vou ter que lidar com a sua rejeição. Que em alguns dias, vou chorar menos e terei aceitado melhor a sua ausência. E que ainda terei muitos demônios para enfrentar, especialmente longe de você. Esses dias foram essenciais para o meu crescimento, mas ainda me restam muitos - assim espero. E talvez, quem sabe, um dia nos encontremos pelas esquinas da vida, e estejamos mais maduros e dispostos a nos amar com plenitude, a sermos o que queríamos ter sido um para o outro e talvez estejamos prontos para o relacionamento que ambos queríamos. Não para enfrentar os dias frios, esquentar nossa cama vazia ou solucionar nossa solidão, mas porque, se for amor de verdade, então nosso fim só aconteceu por um cálculo errado de timing. Não tão errado assim, porque confesso: foi um verdadeiro prazer te conhecer. Se cuide e saiba que sempre torcerei por você. Vá e voe, nenão.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Insaciável
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