sexta-feira, 2 de agosto de 2013

E se

E se eu não quiser ser tudo para você? E se eu apenas continuar sendo eu mesma e te fazer feliz desse modo? É muito pouco para você?

E se eu não for essa deusa do sexo que você tanto espera? E se um dia eu estiver cansada e me satisfazer apenas com um papai-e-mamãe bem feito e quiser apenas me virar e dormir? Você irá me desejar menos?

E se a minha necessidade de falar em determinado dia, sobre determinado assunto, ou determinada razão, for maior que a vontade de te escutar? Será que você é capaz de me ouvir em silêncio quando eu precisar ser escutada?

E se não somos perfeitos um para o outro, assim, como acreditávamos? E se eu quiser ser imperfeita um dia, você irá me aceitar?

E se não formos tão parecidos como achávamos? E se eu não quiser ser assim tão parecida com você? Você vai continuar me amando?

E se com você eu não conseguir mais ser essa mulher segura que eu estava acostumada a ser? E se eu estiver insegura, você irá me abraçar e fazer esse sentimento ruim ir embora?

domingo, 28 de julho de 2013

Cúmplices do acaso

Intrigante, no mínimo.
Mas não muito, aqui não rolou mistério. Apenas foi dito o que se achou sincero.
E lindo. Ah, que lindeza, tão meigo e cheio de flores que quase não se vê sexualidade em tal expectativa.
Só quer se ver romance, praticamente amor, como nos filmes. Não tem como negar, o mínimo que seja, mas se ama ali.
Entretanto é indevido afirmar com total certeza que não há desejo carnal. Impossível, hipócrita e até ridículo seria.
A mistura de desejo, curiosidade, e, claro, uma pitada serena de amor ou paixão - ou um pouco dos dois, ou mesmo algo parecido - causa uma ânsia tão forte que o tal grande dia parece que nunca vai chegar. E os dias passam mais devagar. 

Receio, medo, dúvida, angústia, depressão, loucura, euforia, tensão. 

Vocês já se veem fazendo planos, grandes planos aliás. Afinal, o que implica ver um filme juntos e não qualquer filme, mas aqueles que eles descrevem como OS filmes de suas vidas. E, não para por aí, toda a seção cinéfila romântica pode vir acompanhada por um cenário em que os dois estariam abraçadinhos, embaixo de edredons ou lençóis (quem adivinha esse tempo?), bebendo vinho ou um chocolate quente, fumando um cigarro ou um banza, tudo muito íntimo, sabe?

Receio, medo, dúvida, angústia, depressão, loucura, euforia, tensão. 

Como será sua voz? 
Será que é muito mais alto que você ou, vai saber, da mesma altura? 
Será que é muito magro do seu lado? 
Será que vocês combinariam, assim, fisicamente? Numa foto posada, sei lá?
Será que vocês vão ter bons papos, irão dar altas risadas? Ou não vão conseguir encaixar nenhum assunto interessante, e a cada tentativa será falha e desanimadora? 
Acho difícil, se não a conversa não teria fluído tão bem ao ponto de um encontro ser marcado e estar sendo tão esperado. 

Receio, medo, dúvida, angústia, depressão, loucura, euforia, tensão. 

Como será seu cheiro? Será que usa perfume do tipo cítrico, amadeirado, ou apenas um desodorante refrescante. Ou um leve odor de cigarro exala de suas roupas, de seu hálito? Não duvido e não me importaria. Fumante por sete anos e fracassando há um mês em encerrar esse mau hábito, quem sou eu para julgar?
Ai, mas e se toda expectativa for por água abaixo? E se o impacto da visão, o tal olhos nos olhos for altamente decepcionante? 

Receio, medo, dúvida, angústia, depressão, loucura, euforia, tensão. 

Vamos mais à frente e chegamos em outro ponto, mais quente, do jeito que gosto. 
Como será seu beijo? Será que beija bem? - Por Deus, que não seja um beijo helicóptero, ou um beijo babão. 
Eu imagino um beijo suave, em que lábios se encostam levemente até as línguas se encontrarem e começarem alguns movimentos aleatórios, sempre em conjunto, como se seguissem a mesma sintonia, formando as notas de uma bela canção. Os movimentos se tornam mais frenéticos e as mãos puxam cabelos, apertam cinturas, e corpos se esquentam, revelando algo tão extraordinário que, iniciado por um ato, esses corpos parecem se tornar apenas um. 
O tempo para, não há barulho, não há interrupção. O mundo poderia acabar ali, naquele momento, como a visão de uma linda paisagem no campo, em que apenas há uma brisa, doce e leve, batendo no rosto e levando cabelos ao vento.

E é dessa forma que qualquer sentimento de receio, medo, dúvida, angústia, depressão, loucura, euforia e tensão vai embora. Ele me faz sentir alguma paz, alguma calmaria. Cores em tom pastel, cintilantes e contrastantes às dores. Ele é um frescor, que deve ser repleto de calor, talvez amor, vai saber.

Em pouco tempo nos tornamos cúmplices de um desejo comum, do novo, do não descoberto. Cúmplices de vidas distintas que se encontraram ao acaso. E vai saber do que esse acaso é capaz. 

Que seja belo, que seja como flores, que seja intenso, que seja eterno. Que seja surpreendente.

(Apenas surpreendente, pelo menos agora, de resto, só o destino e o tal do dia após o outro para saber)

A vida é um sonho - Uma crônica sobre os efeitos alucinógenos que a vida nos causa

Essa crônica que abaixo se inicia foi inspirada em acontecimentos vivenciados (e imaginados e recriados e aumentados e superestimados) no ano passado.

A vida é um sonho, afirmou um amigo enquanto explicava os milagres pós ayahuasca. 

Cores se intensificaram, brilhos passaram a reluzir em objetos antes inanimados e o mais impressionante, a mudança que se gerou em seu estado de espírito. 

Ele passou de livre hedonista a um sonhador que transmite boas energias por onde quer que transite. 

Quero isso pra mim, pensei. 

Mas preciso ir até um determinado lugar, participar de uma cerimônia de chá ao lado de desconhecidos e passar por uma experiência que sabe-se-lá se será realmente eficiente pra mim?

Vai que enlouqueço ao reviver a mais complexa bad trip da vida e, sob efeito do alucinógeno, me jogo das montanhas?

E se surgirem visões de mortos e tenho que conviver com esses fantasmas do passado a me atormentarem todo santo dia?

Perguntas e mais perguntas. Sempre tenho muita certeza do que quero, mas quando não tenho, devo desconfiar. - Mulher tem essa neura com intuição, sabe? E funciona! Vai pensando...

Uma amiga descreveu relatos parecidos aos dados por esse amigo, mas ao utilizar outra substância, só que química, chamada de ácido, doce, ou mesmo LSD.

Quero mesmo usar drogas? - Sério, Angélica? Aos 22 anos experimentando drogas que nem aos 16 você tinha curiosidade em experimentar?

Resposta negativa.

Aprecio a brisa de beck, ou como gosto de chamar e me sinto íntima a fazê-lo, é o faz me rir. Assim que aprendi a nomear a erva maldita que foi quando realmente aprendi a fumá-la.

Mas ainda gosto mais da minha melhor droga, a cachaça - principalmente se for acompanhada do bom e velho cigarro, ou cigarros. 

Cachaça amarga que já me levou à loucura e à insanidade tantas vezes. 

Cachaça amiga que já me acolheu na mágoa, esquentou meu coração partido e me jogou de frente a novos partidos. 

Errados, mas suficientes para fazer apaziguar a dor. Ou, ao mínimo, trazer um pouco de diversão.

Ou, mais confusão.

Meu amigo ainda disse que depois de vivenciar essa "experiência divina" tudo - sim, TUDO - se tornou tão belo ao olhar, que a vida começou a parecer um sonho.

E o que distingue a realidade de um sonho?

Mas isso é muito complicado, melhor eu ir ali fumar um cigarro, até pegar no sono.




quinta-feira, 11 de julho de 2013

Fugaz interrompido

Fora pega de surpresa quando se viu acometida por uma paixão súbita, em conjunto com um desejo arrebatador, que evoluía cada vez mais, até se tornar uma ânsia, enjoativa, tanto quanto o significado que a palavra representava.

Ela achava que só se amava uma vez na vida, e, treze anos depois de ter ouvido essa frase por quem ela se referia como o seu grande amor, percebeu, de quebra, que ele não passara de apenas uma lembrança remota de uma realidade que não existe mais. Que se evaporou assim como a água das poças formadas após uma rápida garoa num dia de verão.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A ressaca moral - Por que a vida noturna é tão solitária?


Em meio ao som das batidas violentas de um dark wave e a fumaça embriagante que emanava no ar daquele fumódromo situado ao fundo, depois da pista, de uma casa gótica que costumamos visitar, um amigo relatava o quanto era difícil se afastar daquele tipo de local. Como era árduo parar de beber, de fumar e de continuar voltando a recintos que nada mais têm a oferecer do que bebida gelada, som alto - bom, mas que já enjoara há algum tempo - e alguns pares de vaginas e pintos ambulantes. Ele também contou sobre a vontade de voltar a pedalar, ver o pôr do sol, sentir as ondas do mar batendo em suas canelas e a brisa inebriante, que apenas um fim de tarde no campo poderia oferecer. Mas era impossível realizar qualquer uma dessas atividades no momento em que se encontra, pois sua realidade está aliada ao caos que a vida noturna promove, onde desejo e farra se confundem no mesmo ambiente em que pessoas usam drogas e agem conforme seus instintos naturais sem qualquer pudor. No entanto, não é apenas esse amigo que enfrenta esse tipo de dilema, como a maioria das pessoas - especialmente essas que vão sempre às mesmas baladas - deve desfrutar de mesmo fardo, ou experiência similar.

Tudo parece perfeito quando você está sob o efeito de entorpecentes, quando aquela sua música favorita toca na pista e você grita para suas amigas “minha música!” como se o DJ tivesse a escolhido especialmente para você. Tudo gira em torno do seu momento, da vontade desvairada de tirar todo o peso das costas e esquecer que algum dia foi jornalista ou que tem uma prova no dia seguinte. Você apenas está ali, curtindo ao máximo, sem se importar se o mundo está caindo sobre a sua cabeça, ou se o chão irá abrir abaixo de seus pés. Até que surge um bonitinho (a) sorrindo para você, te paga um drink, te chama para um canto e te dá um beijo de tirar o fôlego. Dependendo da situação, das circunstâncias, de ambas as atitudes, vocês podem trocar telefones ou perfis no Facebook, ou apenas vão para um motel. Enfim, não importa como terminou a sua noite, sempre tem o dia seguinte. Aquele mesmo em que você acorda com uma ressaca fenomenal - que é tão comum, que se tornou íntima - mas em que já está pensando no que fazer no próximo fim de semana. Os dias passam como o rastejar de uma tartaruga centenária, e o horário de almoço, a volta para casa, a ida à academia e ao inglês são tão tediosos que você decide tomar uma cervejinha no meio da semana, mas o happy hour acaba se estendendo para a boate... Desperta na manhã posterior, novamente com uma enxaqueca matadora e se atrasa para o trabalho. Porém, de qualquer forma, já sabe o que vai fazer na sexta e no sábado, e, talvez, no domingo à noite. É uma busca infinita.

Na realidade, as pessoas que estão na noite sempre estão à procura de algo, por vezes, apenas uma forma de descontração, de querer chutar o balde, pegar geral, esquecer os problemas ou arranjar um namorado (a), vai saber... Podem existir inúmeras razões, mas aquelas pessoas específicas, essas no qual se encaixam meu amigo e uma porrada de gente que eu e você conhecemos, geralmente, são os que chamo de solitários. Corações que foram partidos e que vagam perdidos pelas alamedas escuras e atraentes da autodestruição. Vivem como zumbis em dias normais, sedentos por carne fresca e um pouco de curtição, e como lobos aos fins de semana, caçando diversão interminável. Se essa for ou já foi a sua realidade, você sabe muito bem o que é essa tal ressaca moral no qual estamos falando, aquela mesma que te faz pensar que aquilo não faz mais sentido para você, aquela também que te faz perceber a diferença do momento em que você está rodeado de amigos e até futuros peguetes ou pretendentes, e o instante que você se percebe sozinho, sem uma alma para lhe acalentar ou afogar as suas mágoas. E você se pergunta: o que me falta? Esse meu amigo disse que talvez uma namorada poderia lhe fazer diferença, sossegar o facho. Até que lhe complementei: Ok, você arranja uma garota caseira que poderia ser perfeita se não fosse o fato de ela não estar acostumada com essa vida que você leva, e você começa a se cansar de ficar em casa vendo filme e comendo pipoca. Até que surge a vontade da noite, de andar com as mãos livres e fazer o que der na telha. Um hiato então se formou na nossa conversa até ele acender um cigarro e dizer: “Isso é muito complicado, melhor eu ir para a igreja”. 

Se você caro (a) amigo (a) se identificou com a situação, saiba que não precisa abrir mão de tudo o que gosta para se livrar de um vício, e não estou só falando do fato de ser um frequentador ativo das baladas, mas qualquer hábito que não te faça mais bem, curta a sua vida ao máximo. Se você sofreu uma desilusão amorosa ou qualquer outro motivo que te faça querer sair sem dar satisfação a ninguém, sentir o gostinho da autossuficiência, faça sem receio. Mas não deixe que seus desejos te consumam e atrapalhem sua saúde física e, principalmente, mental. Como eu sempre digo: “A liberdade é algo tanto fascinante quanto destruidor. É impossível impor um limite depois que você já ultrapassou a barreira há muito tempo.”. Por isso, permita-se curtir os prazeres noturnos, mas também saia com aquele seu amigo que você negligenciou algumas idas ao parque ou uma viagem à praia, e vá visitar um museu, ver um filme que está em cartaz, ler aquele livro que está há anos guardado na prateleira, sentir o frescor do mar e até pode bater palmas para o sol, porque é ele que nos mantém vivos. Afinal, não há nada melhor do que se sentir aceso com um pouco de claridade.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Amanhã

Não quero nada
Sentir nada
Fazer nada
Ou, dormir o dia todo, quem sabe
Mas, no dia seguinte, à noite
Depois de algumas doses, vou querer o mundo
Dominar e ser possuída pelas desventuras da vida
E, na manhã posterior, não vou querer nada
Me deixa

Surpreenda-se com o melhor tapa na cara que a vida pode lhe dar


Delírios Agridoces - Tapa na Cara
"Quem nunca errou que atire a primeira pedra", quem nunca ouviu essa frase (praticamente um ditado popular) que atire uma pedra em si mesmo, porque em algum momento da vida alguém já deve ter lhe dito. Agora, reflita: quantas vezes você já escutou alguém dizer (ou, quem sabe, disse para si mesmo): "Julguei errado e me surpreendi"? Muitas pessoas não assumem tal atitude quando fazem um julgamento falho, outras simplesmente são orgulhosas demais para deixarem a peteca cair, mas não fazem ideia que é possível aprender muito com isso, ou mesmo, se deliciar com o fato. Além de tirar uma lição moral com a história, por mais clichê que seja, também pode ser muito interessante (leia-se "gostoso", só para não parecer vulgar) quando você descobre que alguém ou algo, que você anteriormente julgou muito mal, não era nada daquilo que você imaginou. Mas tudo bem, presumir é comum, todos fazemos isso, o que difere é a forma como você age depois de levar esse tremendo tapa na cara, se vai ser uma porrada no meio da fuça, ou - já dizia o funk - um tapinha que não dói - e você bem gosta.

Diz ai quando você viu aquela piriguete na balada rebolando até o chão, de saia curta e um baita popozão, e, sentindo uma ereção entre as pernas, comentou com os amigos: "Essa daí é só pra comer!". E quando foi falar com a garota achando que ela só perguntaria qual era o seu emprego e a marca do seu carro, se viu tomando um chute "naquele lugar" porque percebeu que ela era linda, inteligente e... Interessante? Ainda mais adiante, notou-se ligando para ela todas as manhãs para dizer: "bom dia, meu amor", e visitando diariamente o perfil da moça para ver se tinha algum "amigo" curtindo as fotos dela de biquíni. Final feliz para tamanha voadora do destino, não? Mas, poderia ter sido diferente... Você poderia ter ignorado todas essas qualidades (ou nem ter percebido ou se interessado em saber) e tratado a garota como uma "só para comer" e, talvez tivesse comido, vai saber.

E na mesma balada, você, garota, viu aquele sujeito dançando meio estranho, com cara de louco (sem estar “bem louco”), sorriso largo e, logo cochichou com uma amiga: "Quem é esse doido?". E vocês até riram bastante quando ele caiu na escada, ou tropeçou no próprio pé enquanto tentava alguns passos de dança. Até que você já estava cansada porque pegou meia dúzia e nenhum era legal o suficiente e, o tal maluco apareceu com um assunto interessante, querendo ser amigo, comentando sobre gostos que vocês compartilham e... BANG! a peteca marcou um ponto! Trocadilho tosco, não? Mesma opinião que você teve sobre si mesma quando se percebeu apaixonada pelo esquisitão que ganhou seu coração, e foi tanta emoção que, logo depois de um mês, você estava mandando presente com cartão. Rimas desnecessárias, tanto quanto se você tivesse seguido seu primeiro instinto em aloprar o pobre cidadão, e pegado uns "marmanjão" (foi proposital) que só pensam em malhar os "bração" (de novo, tá ficando chato, eu sei!), mas que não têm nada nos "cabeção" (parei!).

Eu poderia contar mil histórias que já aconteceram comigo ou com meus amigos, mas não haveria necessidade, certo? Afinal, você já sabe onde eu quero chegar com todas essas rimas e trocadilhos "bobão" (última vez!). E a primeira conclusão é: julgue. Isso mesmo! Julgue com vontade, julgue como se não houvesse amanhã (contanto que não chegue aos ouvidos do alvo, por favor), nem que seja para cair no chão de tanto rir, ou morrer engasgado de tanta maldade. E quando você perceber que errou com essa prévia maléfica findada pelo pré-conceito - que você jura não ter, mas sabe muito bem que tem – tropece feio, se jogue da ponte, mas, ria. Deboche de si mesmo, caia no chão de tanto rir ou morra engasgado com o mais puro veneno, mas não se apresse a seguir seus impulsos conservadores. Compreenda o erro e abrace o que vem pela frente, seja uma piriguete que gosta de carros, mas que também lê bons livros, seja o freak guy do rolê que tem um sorriso contagiante, seja um amigo de um inimigo, que você percebeu que nada tem a ver com aquele que você odeia, seja aquele cachorro abandonado que era fedido e feio pra porra, mas que tinha os olhos brilhantes e, depois de um banho ficou tão cheirosinho que você não queria mais largar (sai, Felícia!). E, além disso, sinta o prazer em se surpreender com a vida, afinal, melhor tomar um tapa bem dado na cara e sair satisfeito com o ensinamento, do que se o mundo realmente fosse esse lugar escroto que você imagina. Tô certa?

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Por um minuto de cala a boca



Às vezes o silêncio se faz tão necessário quanto comer ou dormir. Ele é tanto essencial para trabalhar e se concentrar, quanto para manter a saúde mental de um indivíduo. É, mental. Afinal, não existe nada mais perturbador do que quando tudo o que você precisa é de um instante para pensar, encontrar respostas que somente um minuto de quietude absoluta concederão, ou apenas querer ficar sozinho, calado e surdo, e, de repente, algo ou alguém interrompe este momento sagrado. Dá para sentir o tom da ofensa? Sim, ofensa, desrespeito, incômodo, perturbação da paz alheia, ou como você quiser chamar. O pior é quando a justificativa para causar tamanha aflição a alguém se resume a uma argumentação: "Mas tudo estava tão quieto". Isso sim, meu caro (a), é uma grande falta de respeito. Levando em consideração o fato de que algumas pessoas não precisam desse tal momento que eu e você tanto valorizamos, e que muitas vezes não entendem que é fundamental parar e pensar para, em seguida, arquitetar um plano e agir, ou então que silêncio é sinônimo de paz, e não me refiro àquela similar ao símbolo tão pregado durante os anos 60, mas à paz de espírito, que só é possível adquirir interiormente e, com certeza, através de muitos minutos de reflexão e calmaria. 

Vá mais adiante e pense que as grandes revoluções não tiveram sucesso apenas com motirões e gritaria, mas porque seus líderes, por algum tempo, permaneceram em quartos escuros considerando os próximos passos que seriam adotados. A mesma linha de raciocínio também se aplica para as criações das notáveis obras de arte, como pinturas, livros e filmes, e até mesmo as mais belas canções provavelmente não foram escritas num ambiente tumultuoso. Claro que, ao falar de inspiração vale tudo, talvez uma música ambiente, ou o som daquela sua banda favorita, mas este caso é outro. O silêncio é um verdadeiro chá tranquilizante e inspirador, já dizia Bukowski que sozinho um homem nunca está só, e é possível gostar da sua própria companhia e torná-la uma grande forma de entretenimento. E porquê duvidar do grande velho safado?

Querer ficar sozinho, por tempo indeterminado ou o quanto se fizer necessário, é um direito de todos. Independente de quem você seja, ou o que faça da vida, este momento é somente seu e não diz respeito a mais ninguém. Portanto, permita-se a um minuto da ausência de qualquer tipo de ruído e distração e aproveite a sensação de plenitude que o silêncio é capaz de promover. Mesmo que você não alcance o ápice de um nirvana, no demais, se houver muito barulho, mande calar a boca.  

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ele não quer ser amado


Por muitas vezes me perguntei o que estaria fazendo com alguém tão diferente de mim. Tão problemático, tão errado, tão sujo...

A loucura em suas palavras me atraía, do mesmo jeito que ele se atraía pela destruição.

Não sabia o sentido para todo aquele pânico. Talvez eu imaginasse que poderia lhe salvar. Acreditava que, em algum dia, o amor que ele tinha por mim encheria a sua alma e assim, ele não voltaria a flertar com a morte.

Foi então que me dei conta do que mais temia. Ele não tinha alma. Seu corpo movimentava os seus membros inanimados enquanto a sua mente estava constantemente perdida dentro de um abismo.

Eu repetia para mim mesma:
"Ele não consegue ser feliz. Ele não quer ser feliz."

Seu amor me enviou diretamente para o inferno mental. Perdi minha paz de espírito e não tinha forças para enfrentar os monstros que pairavam sobre a minha cabeça. Deste modo, cheguei ao fundo do poço.

Mas eu queria mais.

Me afundei. E ia caindo cada vez mais.

Cheguei onde já não havia luz. Cheguei onde, inconscientemente, eu deveria chegar.

(...)

Incontáveis noites de bebedeiras foram necessárias para lhe tirar da mente. Algumas acompanhada, outras, não.

E mesmo assim ele voltava para me dizer que eu queria mudá-lo. Mas não. Eu queria amá-lo.

Eu repetia para mim mesma:
"Ele não sabe amar. Ele não quer ser amado."

Escrito em: 12.09.2011

Repetições


Apenas diga o que você pensa de mim
Apenas diga o que você quer de mim
Apenas diga o que você espera de mim
Apenas diga, se você gosta de mim

Diga com palavras
Diga com gestos
Diga com sentimentos
Diga com lembranças

Não quero me iludir
Não posso me iludir

Minha alma está cansada
Por trilhar caminhos confusos
Por seguir escolhas erradas
E por amar pessoas ingratas

Preciso saber se posso ser feliz
Preciso saber se posso sentir
Preciso saber se posso me deixar levar
Preciso saber se posso amar

Escrito em 21.03.2012

Amar?


O medo de amar é algo incompressível pra mim. Até onde aprendi, não se escolhe o momento certo, não existe a hora certa.

Você simplesmente sente e, sem sombra de dúvidas, passa a ter certeza com a troca de olhares, com um abraço forte, com um sorriso bobo, com um beijo sedutor.

Eu estava com muito medo.

Medo de me entregar, medo de sofrer, medo de errar, medo de magoar, medo de me comprometer, medo de perder minha liberdade, medo de não ser suficiente, medo de se perder, medo de amar...

Mas algo que eu aprendi com a vida, é que tudo tem a hora certa pra acontecer. Então, deixe acontecer, faça acontecer. Enfrente seus medos e se permita ser feliz.

Escrito em: 20.07.2012

Sopro


Ele apareceu na minha vida como um sussurro.

Um sopro leve e engasgado de quem está à beira do precipício.

Eu tentei segurá-lo em meus braços ao mesmo tempo que lhe oferecia o meu amor, mas não foi suficiente.

Ele então resolveu se jogar em seu próprio abismo, achando que estava me deixando a salvo.

Mas não. Tudo que me deixou foi o gosto da dor de um sentimento não concretizado.

Escrito em: 27.07.2012

quinta-feira, 14 de março de 2013

Embrulho

Ele dizia para ela:
- Não se vá, fique comigo!
Ela continuava de cabeça baixa.
Ele então a sacudia.
- Diga algo, diga! Por favor, diga que me ama!
Ela ainda não respondia.
E ele insistia sem hesitar:
- Eu te amo, por favor, me ame também!
Ela tentava se esquivar de seus braços. Ele não os largava.
Ele ia apertando cada vez mais forte. Estava claro que estava a machucando.
Ela então pôs-se a chorar. Um choro baixo, quase calado. Sofrido, temeroso.
Ele a sacudia mais rapidamente.
- Fala alguma coisa! Fala, VADIA! Diz que me ama, que me AMA!
Ela então começou a se desesperar, chorava mais alto. E mais medo sentia.
Nenhuma palavra saía de sua boca.
Ele começou a estapeá-la. Ela já não era capaz de se defender.
Ele esmurrou ferozmente aqueles pequenos e finos lábios, fazendo-os sangrar delicadamente.
- Sua vagabunda! Diz que me ama e não aquele infeliz! Eu que sou seu homem!
Ele bateu outra vez com mais força. Ela caiu e bateu a cabeça no chão.
Ele então começou a chorar.
- Por que você faz isso? Por que me fez chegar a esse ponto? Eu te amei tanto...
Ele tentou levantá-la pelo braço, ela soltou a mão dele, dando-lhe as costas.
Os olhos dele encheram-se de lágrimas e sua expressão voltou a ser aterrorizante.
- Você nunca me amou, não é, sua biscate?
Ele a levantou com forças, depois a empurrou contra a grade de ferro que adornava o ambiente.
Ela não conseguia olhar nos olhos dele. Ele se enfureceu, deu-lhe um soco na boca.
O sangue jorrava deliberadamente, manchando a blusa dele.
- Por que não me ama? POR QUÊ?
Ela deu-lhe as costas. Ele tirou um canivete do bolso e apontou para ela.
Depois desistiu e apontou para a própria garganta. Ela ficou em choque.
- Anda, sua vagabunda! Vai me deixar morrer? É isso o que você quer, não é?
Ela apenas o fitava, com medo. Ele começou a cortar o pulso, o sangue esguichava.
Ela estava atordoada. Ele continuava a gritar e a xingá-la.
- Quer que eu morra por você, não é vadia?
Ela parecia sussurrar algo incompreensível, talvez estivesse engasgada.
Ele então jogou o canivete no chão e foi para o lado dela. Mudou sua expressão, ficou pálido.
- Diga! Diga! - disse, pegando-lhe em suas mãos.
Ela ainda engasgada, começou a se curvar. Ele pôs a bater em suas costas.
- Fala, você consegue!
Ele então virou-se de frente à ela e pegou em suas mãos, voltara a ficar furioso.
- Diga, por favor! Diga QUE ME AMA!
Ela então vomitou em seu rosto.
- BLARGH!

Início de ano

Inícios de ano são sempre um porre para mim. Me afundo num submundo inconsciente da minha psique, e demoro, pelo menos, duas semanas até digerir a informação de que algo acabou e outro se iniciou. Terminar um ano, é deixar no passado todos os acontecimentos ocorridos naquele período de tempo, é nisso que as pessoas acreditam, mas quem dita o que é passado, presente e futuro, somos nós mesmos.

Tons de liberdade

1. A liberdade é como uma maldição cor-de-rosa.
Tanto encantadora quanto devastadora.

2. A liberdade é algo tanto fascinante quanto destruidor. 
É impossível impôr um limite depois que você já ultrapassou a barreira há muito tempo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013

Superstições à parte, mudanças.

Ressaca moral - parte 2

Duas facetas dividiam seu desejo: a vontade de parar, devido ao cansaço que aquela vida lhe trazia, e o descomprometimento inegável, que, de forma inconsciente, a levava de volta àquela mesma situação.

Ressaca moral - parte 1

Ela imaginava que tudo seria mais fácil se somente seguisse os seus desejos.

Aquela maldita necessidade de ser livre foi consumindo-a aos poucos.

Já não se importava com os pensamentos alheios.

Aquela ânsia por diversão a deixava completamente extasiada.

Ela sabia que aquele caminho estava muito distante do sentimento.

Mas não conseguia mais parar.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Apocalipse

O simples fato de não entender o mundo, lhe afastava dos demais seres, que através de suas escolhas, acreditavam compreender o valor de algo.

Na derrota, a ânsia pela glória.
No desejo, vontades poderiam ser sucumbidas.
Na fraqueza, o medo da morte.

Respirar não era mais a saída.

Eles buscam uma terra que não existe, um reinado que não lhes foi digno, um amor que se acabou com o tempo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A paciente

Nada muda em meu pensamento, eu interiormente respiro. Numa atitude desesperada em não demonstrar que aquele olhar não me intimida, coloco um mecha de cabelo atrás da orelha, enquanto observo sua boca e mãos se moverem, expressando palavras que eu não estaria prestando atenção. De repente, ele chegou mais perto e colocou a mão direita sobre meu ombro esquerdo, e perguntou se eu estava entendendo. Concordei com a cabeça e ele sorriu para mim. Depois virou-se para caminhar em direção a sua mesa, quando pude observar aquele belo par de nádegas rijas se movendo para coordenar suas grossas e fortes pernas. Ele havia me dito que malhava todos os dias na última vez em que estive em seu consultório. Nunca me senti atraída por fortões, mas, por algum motivo, sentia-me extremamente interessada naquele homem. Não que eu me imaginava amamentando seus filhos, apenas tinha a vontade de vê-lo tomando banho em minha ducha.
Queria poder observar aquelas mãos largas esfregando o xampu em seus cabelos, e depois eu entraria em cena com uma toalha na mão, me oferecendo para secar seus membros. De certa forma não o imaginava, por exemplo, fazendo a barba na minha pia. Mas tudo bem, pensei, toda aquela visão me confortava de um jeito ou de outro, pois pela primeira vez eu sabia o que queria quando conhecia um homem que desejava: sexo. Era apenas sexo.

Ele pediu para que eu colocasse o avental, pois iria me examinar. Entrei no micro banheiro instalado em seu consultório, e tirei minhas roupas, apenas ficando de sutiã e calcinha, e coloquei o avental por cima. Quando sai, ele me sorriu novamente, dizendo que eu precisaria tirar toda a minha roupa, inclusive peças íntimas, para que pudesse realizar o exame. - Não fique constrangida! Sou médico, estou acostumado.
Entrei novamente no banheiro e comecei a suar frio. Nunca havia ficado nua na frente de um homem se não fosse para dez minutos depois ele estar em cima de mim, com a sua genital socando a minha. O que eu poderia fazer? Não deveria ter vergonha do meu ginecologista! 

Tirei o sutiã e a calcinha, pus o avental por cima e depois observei pela fresta da porta para ver o que ele estaria fazendo. Seu corpo estava debruçado sobre uma gaveta, retirando os utensílios que usaria para realizar o meu exame. Depois de despôr todos os instrumentos sobre a mesinha ao lado da cama, jogou fora a luva e colocou outra nova. Aquele movimento de enfiar o par de luvas no dedo, empurrando-a até o fim para que a borracha não ficasse solta, me deixou excitada, e comecei a imaginá-lo novamente pelado, mas, desta vez, colocando uma camisinha em seu pau de tamanho colossal.

Respirei fundo e sai pela porta. Ele perguntou se estava tudo certo e pediu para que eu deitasse e abrisse bem as coxas para colocá-las sobre as perneiras da cama ginecológica. Aquele frase me deu um arrepio, então sua imagem pelado não saía mais da minha cabeça. O imaginava agora vestido apenas de jaleco, enquanto sua neca balançava e sorria para mim. 

Ele disse que iria fazer a coleta do papa nicolau e que eu deveria ficar relaxada, mas não consegui entender isso no momento. Foi então que ele colocou o utensílio dentro de mim e dei um gemido alto e ronquido. Olhei para seu rosto e o via em cima de mim, me penetrando pela primeira vez. Perguntou se estava tudo bem e se poderia prosseguir para o exame das mamas, concordei que sim. Ele guardou a coleta em um pote, e depois começou o outro exame, apalpando meus seios, que a essa altura estavam duros que nem pedra. Estava gostando daquilo, já tão excitada com a situação, que não percebia mais se me movia ou falava algo. Enquanto suas mãos me massageavam, fiquei imaginando seus lábios enormes sugando meus mamilos. Peguei a sua mão e comecei a apertá-la sobre meu seio, enquanto me tocava levemente. 

Estava em êxtase, sentia que algo forte e incontrolável estava se aproximando, continuei algum ritmo qualquer, não enxergava mais nada. Continuei com um ritmo frenético e, de repente, senti uma pontada forte em conjunto com diversos arrepios que se espalharam por todas as minhas veias, me causando um fervor e relaxamento total de todos os membros do meu corpo. Quando abri meus olhos, ele me olhava assustadamente. Me levantei, coloquei minhas roupas apressadamente, enquanto ele me observava estagnado. Me virei a ele, e disse: 
- Obrigada.