domingo, 1 de junho de 2014

Eu sou louca e estranha - Uma carta de despedida ao menino de topete


Não querido, não te encontrei hoje porque estou disposta a satisfazer os seus desejos.
Um dos trechos da minha canção favorita do Sonic Youth diz I'll be your slave, mas isso não quer dizer que você tem esse poder sobre mim.
Não estou aqui para suprir as suas carências afetivas e nem passar a mão sobre os seus encaracolados fios de cabelo enquanto você chora e reclama das frustrações do seu dia.
Não vou ser a garota perfeita que você sonha em apresentar para a sua mãe. Muito menos aquela que irá preparar as suas refeições e lavar as suas cuecas sujas em algum futuro próximo.
Seu topete perdeu o charme no momento que você passou a criar uma imagem de mim que não é real. E você deve ter se frustrado inúmeras vezes ao perceber que, naturalmente, eu não tenho qualquer tendência em superar essas suas expectativas.
Quando te contei sensações íntimas e você me chamou de "louca" e "estranha", eu só pude perceber o quanto não temos muito para compartilhar.
Você tem noção de que está apaixonado por alguém que não existe? E que você deixou de agir naturalmente quando percebeu que, por ventura (e sorte do destino), eu poderia ser a mulher da sua vida?
Eu achei que você fosse leve. Eu aprendi a apreciar a leveza na vida e, principalmente, nas pessoas. E pode ter certeza de que são as leves que eu tenho escolhido para fazer parte dessa minha jornada.
Mas você é ingênuo. Você é um espectador. E na mesa daquele bar, quando você parecia se divertir com o que eu falava, eu me senti num monólogo, em que eu só estava ali, sendo paga (só que não), para lhe entreter. E quando eu me imagino sendo a protagonista da minha vida, não é com essa metáfora que eu quero descrever um ótimo encontro.
Quando você tentava se aproximar de qualquer maneira por não conseguir conquistar minha mão para acompanhá-lo durante toda nossa caminhada naquele dia, você me sufocou em seus braços, quando os colocou sobre os meus ombros sem perceber que nossos passos estavam em descompasso.
Sua falta de compatibilidade e compreensão com a pessoa que sou e demonstro ser é o que me fez perder o interesse na pessoa que você é e demonstra ser.
Sua ansiedade muda me esgotou. Seu olhar de desespero me espantou. Suas meias-palavras ao se referir sobre mim só demonstraram que você pensa que sabe algo, mas, sinto lhe informar, você não sabe de nada, inocente!
Você não me deixou pesada, obrigada, mas imagino que se continuarmos nessa dança - em que só você está disposto a estender a mão para uma parceira (o que eu acredito que qualquer uma sirva) - sem ritmo, nem balanço, muito menos sintonia, você poderá me tornar muito pesada, de culpa, porque é provável que eu vou lhe decepcionar.
Na verdade, você só me deixou entediada. E eu preciso de muito mais para sentir prazer em estar com alguém. Mas não se engane, não acho que você deveria ser alguém super articulado e cheio de assunto, só acho que lhe falta tato para ser alguém que me prenda a atenção.
E isso é algo que simplesmente acontece e naturalmente. Não sou a mulher que você procura e nem desejo ser.
Eu sou a Angélica, louca e estranha. Eu não estou aqui para ser a salvação da sua solidão. Eu estou aqui para ser louca e estranha do meu jeito, ao meu modo e no momento e como/com quem me fizer sentido.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Uma carta sobre a superestimada perfeição

Esses dias me disseram: "você é perfeita". Respondi, prontamente: "Não sou perfeita e, na verdade, eu não desejo ser". A perfeição é uma ilusão. Nada nessa vida é perfeito, nem as coisas, nem as pessoas, nem a natureza...

Eu não estou aqui, buscando a perfeição. Aliás, o que é perfeito? Acho que a perfeição possui significados extremamente subjetivos. E não, acredite, não estou afim de filosofar sobre isso. Não me sinto nenhum um pouco na obrigação de citar Rousseau ou Freud. Até porque, não faria sentido essa tal busca se fosse para acabar na ruína após o êxito, ou, como mencionei: encontrar a equivocada perfeição.

Não estaria dedicando o meu restante de vida à procura de equilíbrio se, ao mesmo tempo, apenas desejasse corpos perfeitos. Eu preciso de mais, muito mais e, no mesmo sentido, não quero comprometer minha alma em relacionamentos vazios, conversas sem fundamento e companhias que não me agregam nada de bom. Quero diálogo, quero corpos quentes, quero música boa, quero sensações únicas. Quero viver.

Não estou aqui, nessa vida, para suprir as carências afetivas de ninguém. Não quero superar expectativas de ninguém. Não desejo completar ninguém. Não sou a solução da solidão de ninguém. Não quero ser "perfeita" - independente do embasamento para essa constatação - para ninguém. E que fique claro, de uma vez por todas:

- Eu sou a protagonista da minha vida. Eu quero viver ao meu modo e sim, mesmo que você não tenha perguntado, eu estou feliz, muito feliz assim. E não preciso ser "perfeita" para isso. Muito obrigada.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Para dizer que não falei das flores - Uma ode à vida e morte dos sentimentos que parecem eternos

Acho que nasci numa sociedade moderna demais para gostar das flores. Talvez seja uma herança dos meus pais, eles gostam das flores. Aliás, eles vão mais além: gostam de plantar as sementinhas, regar a terra todos os dias e, quando os primeiros botões surgem, já é um motivo de alegria. Eu apenas gosto de observá-las. Não por muito tempo, beirando o autismo, mas por algum presságio, enquanto dura algum sentimento.

Eu gosto das flores. Eu gosto das cores. Eu gosto dos odores que elas exalam. Cada uma de uma forma particular. Algumas são mais perfumadas, outras só cheiram a mato e raiz. E cada uma tem seu tempo de vida, de cor e aroma. Cada uma tem sua beleza. Assim como as pessoas, ou algumas delas. 

Essa sociedade que cito no começo do texto é a mesma que deseja uma bateria eterna para seus smartphones, que aprecia a vaidade da posse. Não é possível possuir uma flor, assim como não é possível possuir o que não se pode ter. Essa sociedade que preza pelos adornos ora inquebráveis, ora descartáveis, é a mesma que se ilude com a premissa de amor eterno e sofre, calada, com a falta de aconchego, com a carência crônica. A mesma que sobrevive em meio ao concreto extenso e não vê árvores da janela de seus apartamentos.

Mas quem sou eu para criticar? Logo eu, tão insensata e impulsiva? Logo eu, que já fiz promessas de amor eterno e, acreditei, por alguns momentos, que só se amava uma vez na vida?

Pois é. Foi o que meu ex passou a acreditar depois de pouco mais de um mês longe. Que só se ama uma vez na vida. Ledo engano, eu diria.

Não se ama só uma vez na vida. Amor não é esse sentimento superestimado e inalcançável que as pessoas tanto insistem em desacreditar ou acreditar demasiadamente. É possível se amar quantas vezes tiver que acontecer, e só é verdadeiro e bom quando as duas pessoas estiverem dispostas a isso. A vida não é como nos livros ou filmes. A vida é o agora, e o presente momento é onde é possível sim, amar e ser amado uma, duas ou duzentas vezes.

É preciso viver para entender, mas não é preciso sofrer para saber o que não é bom para você. Parafraseio Criolo, parafraseio Geraldo Vandré, parafraseio Vinícius e Chico, parafraseio o eu que não cala, o eu que precisa falar. As flores que ele me deu murcharam e sim, tiveram prazo de vida, assim como tudo ao nosso redor, assim como o amor que senti por ele.

E que venham novas cores, aromas e amores. Novas experiências, amizades e lugares. Novos gostos, cheiros e abraços. E que tudo na vida seja como flores: eternas enquanto durem. 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Que delícia é...

Que delícia é sentir-se livre, leve e solta. Não digo isso pela solteirice, mas pelo desprendimento do que nos fez mal. Chegar em casa, abrir uma lata de cerveja, dar risada de qualquer merda e tomar aquele banho delicioso que você ansiou o dia todo.

Que delícia é sentir aquela brisa gostosa de fim da tarde batendo no rosto, depois de um longo expdiente, sabendo que suas obrigações naquele dia acabaram.

Que delícia é sentir-se desapegada de questões materiais, de lembranças vergonhosas e de sentimentos banais. Sentir-se livre de todo mal, como se você fosse um super herói ou um deus grego, forte e inabalável.

Que delícia é conhecer novas cores, novos sabores, sons e sensações. E mais delícia ainda é saber que ainda tem muito por vir e que a sua ânsia pelo novo não atrapalha o valor que você dá para o que tem agora.

Que delícia é saber que você pode ser quem você quiser e não precisa se importar com os julgamentos, porque você está suficientemente estável para superá-los, ou não escutá-los.

Que delícia é entender que a vida passa devagar, mas que ela é comum e só é bela se você deixar, se você quiser.

Que delícia é saber que o que foi ruim passou e não ocupa mais espaço algum dentro de você e ter noção do quanto isso te fez evoluir emocionalmente.

Que delícia é não ter planos concretos de longo prazo, nem para amanhã e mesmo assim não estar incomodado com a incerteza.

Que delícia é aproveitar cada dia como único, como intangível, mas ao mesmo tempo maleável, porque você faz dele o que quiser, de acordo com o que acontecer. É saber que você tem opções, basta seguir as que fizerem mais sentido.

Que delícia é não sentir sua alma comprometida e aprisionada. Ser livre, assim como veio ao mundo.

Que delícia é viver. Que delícia!

Leveza - Uma crônica sobre como o incerto e a paciência podem nos tornar mais leves

The Kills - Last Day of Magic

A pressa de viver sempre fez de mim uma pessoa descuidada, vaidosa, impulsiva e imprevisível. Sempre me entediou tudo que parecesse morno: beijos sem paixão, abraços sem calor, conversas sem gargalhadas, sorrisos forçados, sexo sem gosto, sem gozo, e assim por diante. E parece que a vida assim, inconstante, é mais interessante. Parece que assim você vive intensamente. Parece, apenas parece. No entanto, viver sob à corda bamba, por mais fascinante que pareça, não funciona na prática. Pelo menos, não para uma pessoa como eu estava acostumada a ser.

A ânsia nos faz apressar os fatos e estragar o que nem se iniciou. Hoje eu sei o que as pessoas impulsivas procuram: estabilidade. Viver o incerto é perigoso e, se arriscar, cansa. Porque dá trabalho, porque na verdade o que eu desejava era estar tranquila com algo nas mãos, pois a incerteza me confunde, me deixa louca. E, nessa loucura, a perda da sanidade e o descontrole caminham juntos. E, é nesse instante que se torna muito fácil confundir desejo com ansiedade.

Meu lema sempre foi me jogar de cabeça em tudo. E a vontade de vivenciar qualquer coisa logo era o que supria a minha determinação em continuar fazendo tal coisa. Mas certas coisas perdem o sentido com o tempo, com o que acontece ao redor, com a aproximação de outras pessoas e com o próprio desejo, que muda.

No entanto, hoje, eu aprendo. E levo comigo lições que, antes, eu não achava que importassem. Hoje eu procuro a calma em vez da posse. E a única estabilidade que venho conquistando é a emocional. Essa é a diferença entre querer muito algo e fazer de tudo para que aconteça logo, para assim sentir-se estabilizado temporariamente, até que outra vontade surja e todo círculo vicioso se reinicia. É um vício eterno.

E quando eu iria aprender a lidar com todas essas emoções, desejos e aflições? Quando eu aprendesse que nada na vida vem fácil, ao menos, o que realmente vale a pena. Não é preciso apressar o que pode acontecer e, sim, é possível aprender muito com tudo isso.

Vou mais além e volto a repetir que viver o incerto pode sim ser gostoso, contanto que você viva e não permaneça estático. É possível viver intensamente e ter cuidado, até porque, o cuidado te fará viver melhor depois e tão leve quanto uma pena que vaga pelos ares, sem rumo, sem planos. É difícil esperar? Sim, mas é necessário e, com o tempo, essa "espera" se torna prazerosa. 


Osho:
"Não tente achar um atalho, porque não há atalhos. O mundo é uma luta, é árduo, é uma tarefa penosa, mas é assim que a pessoa chega ao pico."

"Uma vez que você abandone as expectativas, você aprendeu a viver."

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Entre afasias e heresias - Uma crônica sobre a falha humana de insistir na sobrevivência

Amarga é a vida daqueles que se acomodam em afagos gelados e sem sentido. Daqueles que convivem com dilemas pessoais e não conseguem determinar uma decisão, ou uma razão. Daqueles que estão presos aos sentimentos do passado e não encontram caminhos em direção ao ensolarado horizonte. Daqueles que vagam pelas ruas vazias da solidão em busca de corpos apenas para satisfazerem suas necessidades - que são mais vazias que suas almas. Daqueles que vivem em confusão, a todo momento, e já não compreendem o prazer impagável da brisa do vento, batendo no rosto num fim de tarde ou a satisfação de receber um sorriso verdadeiro e contagiante ao acaso.

Que necessidade é essa de se prender a feitos, que apenas resistem (leia-se: insistem) por meio de um rótulo ou determinada regra e, que há muito tempo, foram desfeitos? Que morreram a partir da primeira mentira contada, da primeira mágoa, da primeira decepção. E perderam o sentido quando o próprio sentimento se calou. E vagou.

E qual seria o ponto de equilíbrio ideal para viver substancialmente bem consigo mesmo? O que é preciso para se sentir completo?

"É preciso coragem", é o que ouvi e li de algumas bocas fundamentalmente sábias e em persuasivos textos de auto-ajuda. E sim, talvez uma dose de bravura seja crucial para abandonar o que é visto como "certo" e prosseguir para o incerto. E, talvez isso funcione, sabe? Basta não se levar tão a sério, encarar o que vier com leveza e, caso o coração acelere e a ansiedade queira sair pela garganta, vá a um quarto escuro ou num campo aberto e grite. Extravase todas as dores e chore desgovernadamente se houver necessidade, mas quando decidir que é a hora de voltar, retorne lindamente e com a cabeça erguida, nem virada para o céu, nem para o chão, mas na altura dos olhos alheios. E olhe nos olhos, cumprimente o porteiro, o faxineiro, o zelador, aperte as mãos de outrem com firmeza, abrace com vontade e prossiga serenamente como se pudesse flutuar.

E a vida segue assim. Irrefutável, imprevisível e, ainda bem, interessante. Não como uma roleta russa, não como uma sequência de devaneios e atos impensados, ou um mártir de longos arrependimentos.

Apenas pense: amanhã pode ser o último dia. Então, vamos viver?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Cheiros

Os copos estão vazios. Não porque secaram, mas porque daquela última garrafa de rum, não sobrara uma gota. E o cheiro amargo das bitucas de cigarro impregnava no ar, nas roupas e nos fios de cabelos. Nos lençóis e nas toalhas, ainda molhadas do banho de uma hora atrás. E os corpos, nus, entrelaçados, adormeciam, enquanto expiravam e inalavam ambos os odores.

Para F.

domingo, 16 de março de 2014

Uma crônica sobre um amor idealizado demais

Hoje me lembrei daquele nosso primeiro encontro, e da nossa primeira troca de olhares. É impossível pensar naquele dia e não me faltar o ar, esquecer que aquele foi o primeiro passo da nossa história. Eu me perguntei se eu tivesse feito diferente naquele dia, se eu tivesse te dito um "não" àquela sua tão simples, mas significativa, pergunta: "Vamos ficar sério?". Eu me entreguei ali, naquele momento. Eu hesitei, mas logo disse um "sim" que afagou toda a sua insegurança de estar conhecendo uma pessoa nova e saber que ela estava disposta a ser sua. Se eu tivesse imposto o que eu queria num relacionamento, logo no início, teria mudado o decorrer da nossa triste história? Será que se eu tivesse optado por estabelecer o que eu precisaria, as coisas não teriam sido mais leves? Daí caberia a você decidir ou não, se iria conseguir ir conquistando sua confiança em mim e minha exclusividade aos poucos. Mas eu deixei você me arrastar, e fui sendo arrastada durante esses sete meses.

Me pergunto também se não teria sido diferente se eu tivesse agido diferente a cada recomeço. E se a cada recomeço tivéssemos realmente recomeçado e deixado o passado de lado, será que não teríamos poupado tanta dor? Será que não estaríamos bem hoje? Será que se confiássemos mais um no outro e fossemos mais seguros teríamos nos destruído tanto a ponto de nem sabermos como seria se voltássemos hoje? Será que se tivéssemos realmente aberto mão de nossos próprios egoismos não teríamos um relacionamento tranquilo, assim como sempre desejamos?

Tantas perguntas, tantos arrependimentos e tantas decepções são o que ainda me prendem a você. São o que ainda me fazem pensar em você todos os dias, e soltar algumas lágrimas todas as vezes que deito a cabeça no travesseiro. Eu sinto sua falta, e sinto falta das coisas boas que te represento. Sinto perfumes estranhos em corpos que passam por mim nas ruas, e toda vez lamento por não ser seu cheiro. Cruzo com olhares e lamento por não ser os seus olhos. Ouço vozes e lamento por não ser aquela voz grave que eu tava tão acostumada. Recebo mensagens e ligações e lamento por não ser você me pedindo uma última chance.

Você ainda está dentro de mim, por mais que eu negue, por mais que eu relute. Esse é meu período de luto. Eu não sei se logo essas perguntas, esses arrependimentos e essas decepções irão morrer aos poucos, mas eu sei que quando disse que te amava, era verdade. Não porque eu não consigo te esquecer, mas porque eu sei que o que eu vivi foi real. Eu não posso dizer que só você errou, mas eu sei que você não soube me amar, e que se voltássemos agora, jamais daria certo. Não deu, e não daria.

Eu não sei como serão meus dias daqui para frente, mas eu sei que terei que continuar sendo forte, e essa minha dor será meu combustível para não falhar durante esse longo percurso. Não vou forçar te esquecer, não vou praticar desapego, não vou me torturar me jogando em braços alheios. Vou voltar a ser a Angélica que deixei de ser por você, assim como eu acredito que você vai voltar a ser o Ton que você deixou de ser por mim. Talvez se tivéssemos deixado claro, desde o início, quem somos um ao outro, nós poderíamos ter confiado mais um no outro.

Eu falhei, você falhou, nós falhamos. E não nada que poderá ser feito para mudar isso. Só o tempo e as mudanças que virão com ele. Aqui, eu estou te deixando livre para voar e ser quem você deseja ser. E que você seja feliz, quem quer que você seja.


domingo, 19 de janeiro de 2014

O mal que você me fez - Uma crônica sobre recuperar o amor... Próprio.

Enquanto começo a rascunhar as primeiras palavras deste texto, olho para cima, na estante, o vaso com as rosas que você me deu - uma tentativa de me surpreender, após a quarta ou quinta vez que terminei com você - que murcharam há alguns dias, mas não tive coragem de tirá-las dali. Fiz um cálculo rápido e acredito que tenha terminado pelo menos, umas quatro vezes com você, só nessas três últimas semanas.

Todos estes términos só me machucaram mais, porque de uma forma eu queria te fazer pensar: "Olha, você está fazendo errado, você está a ponto de me perder para sempre, vê se acorda!". Até que eu vi que não vale mais a pena sofrer e esperar pelo impossível.

Algo que há mais de cinco meses venho negando para mim mesma e que agora eu finalmente consegui entender: você não vai mudar. Assim como não vai amadurecer, não vai aprender, não compreender, não vai saber valorizar, não vai se preocupar, não vai se importar, não se transformar porque eu quero. Você é assim, meu Deus, por que demorei tanto tempo para enxergar algo que estava diante dos meus olhos?

E eu sei qual é a resposta para essa questão. Eu queria acreditar que você poderia fazer diferente, tanto que você, inúmeras vezes, tentou me fazer crer nisso, sendo que nem você mesmo acredita. Você sabe que é assim, que não vai mudar por si mesmo, muito menos por mim. E, afinal, quem sou eu para te julgar? Quem sou eu para apontar o certo ou o errado sendo que você acha que age corretamente, mesmo assumindo o contrário para mim?

Não sou ninguém. Sou apenas alguém que queria ser feliz, e achava que estava felicidade estava ao seu lado. Mas depois de tanta infelicidade, depois de muitos momentos ruins sendo mais frequentes do que os bons. Agora está na hora de acordar, Angélica.

Está na hora de estender a bandeira. Está na hora de parar de se enganar e virar uma nova página da vida. Uma página em branco que vou ter que me reinventar para começar a escrever sozinha.

Foi preciso coragem para admitir. Certamente, não estou pronta para seguir em frente, mas eu vou estar, eu preciso estar. Pelo meu próprio bem, pelo meu próprio amor.

Você me criou traumas terríveis, mas eu vou me livrar deles. Você mentiu tanto e eu me acomodei nesse mundo de mentiras, que deixei, por muitas vezes, de acreditar em mim mesma. E não existe erro pior para se cometer consigo mesmo.

Eu te amei de verdade e ainda te amo. Mas por tantos erros que você cometeu, seja por burrice, por egoísmo, por falta de atenção, ou falta de respeito, por imaturidade e falta de responsabilidade, eu tive que me desdobrar para conseguir te amar, e passei a deixar de me amar. Porque se eu me amasse de verdade, não teria aceitado tantos erros, tantas mancadas, tantas mentiras.

Você já imaginou o quanto tive que engolir a seco cada história mal contada sua? Quantas noites perdi em claro (e não te contei) por não encontrar resposta ou motivo para aquela mentira sua que nem você soube explicar? E quantas mentiras tive que contar para quem me ama e se preocupa comigo para encobrir os seus erros? Você não sabe e, agora eu acredito, não se importa.

Você consegue entender o quanto me esgota, me enfraquece, o quanto parte de mim morre, quando você me sofrer? Você já se colocou no meu lugar em cada situação você já me fez passar? Você já percebeu que você se tornou o motivo do meu maior sofrimento? Ora acreditar que pode dar certo, ora perceber que está tudo errado, sofrer e, de repente, voltar a acreditar? Que meu emocional se tornou um ciclo vicioso, que vive em constante vai-e-vem frenético de dor versus felicidade instantânea? Será que tudo o que me faz sentir não te faz refletir nenhum pouquinho?

E não é apenas refletir, não é apenas entender. É se mover, criar uma estrutura sólida de confiança e uma barreira resistente ao que vem de fora com olhos gordos. Você deixou inúmeras pessoas (mulheres) entrarem no meio do nosso relacionamento. Isso só comprova que nossas bases sempre foram fracas, porque seus alicerces sempre trepidaram enquanto os meus se mantiveram firmes. Isso só comprova que você nunca esteve totalmente certo do que queria. Isso só comprova que você não merece o puro e verdadeiro amor que eu te ofereci com tanta vontade e carinho.

Você pisou no meu amor. Não se importou com meus sentimentos. Não se importou com meus sonhos ao seu lado, ou com as promessas que me fez. Não se importou em fazer valer cada palavra dita no momento oportuno. Não se importou em amar de verdade, sem amarras, sem cobranças, sem terceiros, sem egoísmo, sem obrigações.

Nosso amor foi vândalo. Foi destrutivo. Foi doentio. Foi perigoso. Foi praticamente um amor bandido. Sendo que, eu sempre desejei um amor leve. Desses que estar ao lado da pessoa só nos torna mais fortes. Desses que é possível confiar no outro, mesmo que ele esteja a quilômetros de distância e sem sinal no celular há uma semana. Desses que só de sentir saudade já bate um conforto no peito, uma vontade simples e única de que o tempo congelasse enquanto nossos olhares se fixavam um no outro. Desses que os momentos bons são muito mais frequentes que os ruins, e as brigas rapidamente são resolvidas na base da conversa. Desses que se entregar tem o significado literal, sem mentiras, sem meias-verdades, sem jogos, sem histórias mal contadas ou discussões de arrancar sangue e deixar roxo no meio da rua.

Não posso tornar você uma idealização, nem te perder para um sonho impossível. Mas posso ser sincera comigo mesma e acreditar que posso sim ser feliz sem sofrer. Que posso passar muito mais tempo alegre do que chorando. Que posso confiar em mim mesma e que absolutamente nada pode acabar com a minha auto-estima. Porque meu amor-próprio vai ser tão forte e pleno que nada poderá atingi-lo, nem você e seus erros.

Quero que saiba que eu te amei de verdade, e ainda te amo. Que eu tentei de todas as formas possíveis confiar em você, e a desconfiança deixou de ser um defeito meu e pode ser aplicado a você, que não se importa em demonstrar que é confiável. Que eu realmente tinha planos e eles poderiam estar perto de acontecer, mas cada erro seu foi me fazendo desacreditar em cada um deles. E que eu tentei realmente, ficar bem com você, mas cada vez eu acredito mais que não dá, porque é isso o que você me deixa claro.

Espero que você aprenda, se torne alguém melhor. Que amadureça, que entenda que as pessoas não existem para beijarem nossos pés e que nossos erros não se consertaram apenas por vontade própria, mas com perseverança e vontade. E que para ser alguém confiável, você deve ser forte e lutar, fazer valer cada voto de confiança. E que, realmente, você perdeu a pessoa que mais te amou e mais quis seu bem. Vou deixar você ir e eu espero que seja feliz.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Agregando valores

Uma parte de mim sabe que eu não sou melhor que ninguém e muito menos que não tenho total entendimento do mundo. Sou ignorante em muitos assuntos, sou ignorante até mesmo no que diz respeito ao meu nascimento e à minha morte, afinal, de onde eu vim, para onde eu vou? Não sei, e esse é o mistério da vida, talvez o principal mistério que se carrega durante toda uma jornada. E com o tempo a gente se acostuma com a ideia da morte, só não consegue entender porque levam as pessoas que tanto amamos. Mas essa é a lei: nascer, viver e morrer. E como eu sempre digo: do pó viemos, ao pó retornaremos.

Nossos corpos são apenas uma matéria que vai se decompondo com o passar do tempo, e enquanto ainda estamos vivos. É a forma como nosso espírito se apresenta ao mundo superficial, é apenas a imagem que você enxerga quando se olha no espelho. E quem sabe se essa reflexão é real?

Como eu disse, não sou melhor que ninguém, não penso melhor e nem meus pensamentos são os certos. Aliás, existe certo e errado num mundo de tantas realidades?

No entanto, com os erros e, principalmente, com os acertos, eu aprendi. Aprendi que a gente pode até perder a cabeça por uma roupa caríssima na vitrine, mas que é possível realmente perder a sanidade quando algo que você achou que seria para sempre é tomado de você, sem delongas, nem avisos.

Aprendi que amigos de verdade são aqueles que nos apoiam de alguma forma, mesmo que distantes, e não os que sorriem para você no rolê, mas mal são capazes de perguntar com você está numa segunda-feira. E esses mesmos amigos são aqueles que precisam do mesmo apoio e conforto. E você só é amigo se fizer isso por eles também. Aliás, qualquer relacionamento funciona na base da moeda de troca para se manter sadio: você faz pela pessoa o que você faria por você mesmo, e, nem sempre, esperando algo em troca.

Aprendi que amar é um verbo totalmente subjetivo na prática. É possível amar e não demonstrar, amar e odiar ao mesmo tempo, e amar intensamente como se cada momento ao lado da pessoa fosse único. Tão único que jamais será superado por qualquer valor material, a não ser que não seja amor de verdade.

Aprendi também que muitas pessoas agem conforme são agradadas, e que dinheiro ou presentes tapam a boca, criam "laços fraternais" e que, o mundo num modo geral é movido assim. Muita gente riu do tal rei do camarote, chamaram ele de perdedor, que paga para ter "amigos", mas metade de quem criticou a vida do pobre coitado desejou possuir metade do dinheiro dele. Claro, para sambar na cara das recalcadas. ARGH!

É fácil apontar defeitos na porta ao lado, difícil é lutar e vencer diariamente todos os demônios que dominam a nossa mente a cada momento que algo que desejamos dá errado, ou quando somos contrariados. Difícil é ser feliz sem precisar ter bolos de dinheiro, difícil mesmo é viver sem cobiçar o alheio e ainda procurar soluções para que a sua vida se torne melhor a cada dia, sem ferir ou prejudicar ninguém.

Agregar valores não é ter uma lista extensa de "amigos" que mal sabem seu segundo nome, e nem milhares de seguidores nas redes sociais. Não é ter dinheiro para comprar o que quiser, sem pensar se haverá mistura na mesa no final do mês. Não é ter pencas de picas ou bucetas rastejando para ter um pedaço da sua carne. Não é nada disso, gente, por favor!

Agregue valores ao que vai além da etiqueta ou da conta bancária. Agregue sorrisos sinceros e amizades conquistadas naturalmente, por puro desejo. Agregue sentimentos positivos, agregue conquistas, agregue relacionamentos extensos e verdadeiros, agregue bons hábitos e boas ações, agregue amor. E chega dessa merda toda!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sua insubstituível companhia - Uma crônica sobre o fato de que amar é melhor que brigar

Se a vida é única, se só temos apenas uma oportunidade de encontrar a felicidade, por que perdemos tempo com questões que nada nos acrescenta? Já dizia Vinicius: "É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe", então por que seguir insistindo em carregar cargas negativas que tanto pesam em nossos ombros?

Tão gostoso ter a companhia do outro, receber um cafuné, ou aquela massagem bem dada que ninguém além do seu fisioterapeuta faria por você. E faz sem ser pago, sem obrigação, apenas com a intenção de promover bem estar a quem ama. Tão agradável ver aquele filme dramático, dai vocês se agarram para chorar juntos, depois dão altas risadas das suas caras inchadas e dos seus olhos marejados. E percebem que a felicidade está nesses simples momentos. Tão bom dormir juntinho, sabendo que você só conseguiu relaxar tão profundamente porque a presença do outro te conforta de um modo que você nem se importa se irão roncar ou babar enquanto dormem. E que delicioso acordarem juntos, sem conseguirem abrir os olhos ou a boca direito, mas ambos sentindo às reações aos estímulos que o toque de cada um causa no outro. 

E o pau duro cutuca a bunda, e a mão que vai parar na vagina, e a boca que vai descendo desde os seios, por toda a barriga. E as respirações já estão ofegantes, os batimentos cardíacos cada vez mais acelerados e os corpos em combustão desejando fundirem um no outro. E que surreal é quando as duas almas se perdem por entre a carne, e a pele que esquenta com os pelos que se arrepiam. O momento é único, mesmo que vocês já tenham perdido as contas de quantas vezes já fizeram aquilo, já que o que importa é que toda vez seja como a primeira. Que toda vez seja única.

Se tudo só é maravilhoso assim com a sua presença, por que vamos perder nosso curto e precioso tempo brigando, discutindo por questões inúteis, que não nos levarão a lugar nenhum? Vamos aproveitar nossos momentos juntos para fazer coisas que só podemos fazer com a companhia do outro, vamos cultivar o que temos e fazemos de melhor em nossa parceria, vamos, inclusive, nos beneficiar de quando estamos distantes, e sentir aquela saudade que só possível vivenciá-la porque o amor é demais. Positividade atrai positividade. Então, chega de brigas, vem, vamos nos amar?

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fique em paz

Tome suas coisas de volta. Eu não preciso delas. Não preciso ostentar marcas para impor algum presságio de valor. Um preço que você tentou me agregar ao buscar me comprar com esses objetos de nenhum significado sentimental. Pegue de volta, faça o que quiser, pode até invocar a pomba gira, daqui não passa. Meu santo é forte e só me derrubam na morte. E o que não me mata, me fortalece e muito. E assim eu aprendo, a não cometer os mesmos erros. Já você, o que vai levar disso tudo?

Vingança? É isso o que você quer? Me infernizar porque não fui capaz de te amar? Me desculpe, mas isso não é algo que se escolhe e também não se impõe. Simplesmente acontece, assim como eu acho que você pode conhecer alguém que te faça se sentir amada. E ame de verdade. Então por que perder tempo comigo, quando você poderia estar conhecendo alguém assim?

Sei que você pensa que tem algum poder de me causar mal, e você até pode conseguir, mas não percebe que estará fazendo muito pior a si mesma. Não vale a pena passar por cima de tudo só pra me ferrar, não vale a pena fazer isso por ninguém. Você se ama? Então por que não me deixa para trás e segue em frente? Você não vai conseguir nada de mim. Você até pode realizar a sua vingança, até pode dar longas risadas, mas isso vai te fazer mais feliz? Até pode, por algum momento, mas, e depois?

Me perdoe se te magoei. Sim, eu errei e assumo. Eu poderia ter sido mais sincero, mas você não queria me dar ouvidos. Você se iludiu, pois queria acreditar em algo que não era real e eu me sinto mal por isso, que por minha causa você chegou a esse ponto. Entretanto, quero que saiba, com total certeza, de que não lhe desejo nenhum mal, e já te perdoei por tudo o que você me desejou e tentou contra mim. Eu sei que você não é um monstro e só está assim porque se deixou levar por suas emoções.  

Gostaria que, antes de te pedir para me deixar em paz, você tomasse a decisão de seguir a sua vida, sem me imaginar nela. E que seja feliz, como for possível e seja capaz de me esquecer, porque enquanto você continuar tentando me prejudicar, você não será capaz de aproveitar os bons momentos que a vida pode lhe oferecer, e eu tenho certeza de que você pode ser muito feliz longe de mim. Fique em paz, siga em paz.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Vamos afogar o passado? - Uma crônica sobre as marés que vão (e não precisam voltar)

Ele disse que já foi num puteiro e não comeu ninguém. Ele disse que teve três namoradas, mas com as contas que fiz de todas suas histórias e todos os nomes, contabilizei umas sete (fora as que ele não considerou namoro, mas que não deixou de mencionar). Ele disse também que seu último relacionamento sério tinha sido há dois anos, mas depois soltou que namorou outras vezes, ou emendou um caso no outro. Ele disse também que já foi putão, já fez muita cagada em relação a essas paradas do coração e que já magoou muitas. Sim, ele tem passado, um pacote completo de vadiagem e inúmeras bucetas e bocas que não caberiam numa gaiola de um elefante.

Mas não se engane, eu não quero saber do seu passado, a não ser que seja algo que você sente necessidade de falar e que valerá a pena me contar. Do contrário, não me interessa. Não quero saber do seu grande amor, do seu primeiro amor, da sua primeira transa, da transa inesquecível da sua vida, e também não quero mentiras. Não quero que me venha com lenga-lenga para tentar me agradar. Não fui única na sua vida e nem gostaria de ter sido, afinal, o que eu iria fazer com um virjão? Não, não daria certo...

Não sei o que você aprontou antes de me conhecer, mas se te fez tornar essa pessoa que você é hoje - para mim - tudo bem. Não importa o que você fez ou deixou de fazer. Sou insegura e curiosa por natureza, mas, acredite, melhor eu não saber. Eu sei que você tem passado, afinal, eu também tenho, e é a nossa trajetória que faz firmar nossos passos, que nos ajuda a formar nosso caráter.

Eu não quero meias-verdades, mas também não quero casos sendo jogados goela abaixo. Meu ouvido não é pinico, e sim, quando você conta de tal garota e ainda me fala o nome de Facebook, eu fazia questão de ir conferir o perfil e ainda agonizava ao encenar mentalmente você comendo a moça. E, acredite, não é uma visão que me excita, muito pelo contrário, faz minha vagina se encolher e meu estômago revirar. Mas passou, certo? Lutar contra a insegurança é o preço que tenho a pagar para me manter saudável. E sim, agora eu entendo perfeitamente que é normal esse tipo de atitude minha, assim como é mais normal ainda (e viável) eu não me importar com isso.

E eu decidi não me importar. Não quero saber de suas exs (contanto que seu passado com elas não seja tão distante assim e que alguma delas venha me ameaçar de morte), assim como prefiro não te contar dos meus. Sim, eu tenho passado. Sim, eu tenho uma bagagem grande de decepções, vadiagens e filhadaputismo. Não sou santa, nunca fui. Ou você queria uma reprodução viva da Madre Teresa de Calcutá? Eu acho que você não curte esse fetiche, certo?

Aprendi em alguns instantes de uma básica leitura, que não importa quantas bocas, quantos corpos, quantas bucetas você já experimentou, e sim que você quer essa boca pequena e carnuda, esse corpo tatuado e fofo, essa buceta de origem asiática, essa mulher que tem muito o que aprender sobre você, sobre a vida e sobre relacionamentos.

Não me diz respeito o seu passado, porque o que me importa é o que você é para mim agora. Tudo o que passou pode ter se tornado um aprendizado, ou momento vivido e calado, um frisson que foi e não volta mais, mas por que vamos perder tempo falando do passado se temos um presentão a nosso favor, bem aqui, na nossa frente?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Uma carta à garota que não sabe amar

Toda vez que toca meu celular e vejo que é um sms seu, ou mais de uma ligação de algum número desconhecido - o que me faz imediatamente associar a você - meu coração dispara. E não de uma forma boa, mas de nervoso. Porque eu penso: VOCÊ, ainda?

Diz pra mim, seriamente, quando isso vai parar? O que você tem para satisfazer que tanto insiste ao me envolver em algo que, sinceramente, não tenho nada a ver? Porque eu não tenho nada a ver com o passado do cara que eu amo, mesmo que isso inclua você. Afinal, pra que se fixar no que passou ao em vez de se concentrar em tanta coisa boa que pode estar por vir?

Na real, não somos muito diferentes, afinal, somos loucas pela mesma pessoa que te deixou assim, completamente insana. E sim, eu sei que ele tem esse poder. Provavelmente nos encantamos pelos mesmos gestos, como aquele sorriso safado, aquele olhar inebriante, aquela pele macia, aquele jeito doido e único de agir, falar, pensar e, amar. Sim, ele me ama, e você sabe disso. Por isso você deve deixá-lo ir, porque você sabe, ele já foi, escapou por entre seus dedos e você só está se sentindo assim, porque não é capaz de aceitar a realidade.

Na verdade, acho que você vê tudo isso como um jogo, e como se essa pessoa fosse o prêmio final que você tanto está lutando para conquistar. Mas a vida não é uma Libertadores, não é um clássico, não é uma Copa do Mundo, e também não há nenhuma taça/título para você se imaginar ostentando como um objeto que você põe em cima da estante e exibe para seus amigos e parentes. Estamos falando de uma pessoa que tem sentimentos, desejos, vontades, medos e aflições. De uma vida, um ser que respira, que é livre e não pertence a ninguém. Nem a mim, nem a você.

Agora, se você pensa que isso é uma guerra, lembre-se das aulas de História, minha raça já fez parte do eixo nazista, japonês sabe ser ruim, filha! Brincadeira, piadinha ruim. Mas o que eu acho é que no fim de qualquer guerra não restam vencedores, e nem tem como comparar com esse inferninho que você está tentando causar, porque se você pensa que essa sua atitude é heroica, sinto lhe informar, mas é trágica.

Me diz: vale a pena tudo isso? Se humilhar e passar como louca por causa de um cara que não te quer? Uma pessoa que provavelmente nunca te deu valor, que não tem nem coragem de assumir o que vocês tiveram de namoro? Bem, até ai dá para entender seu ódio, MAS, pra quê você insiste em alimentar esse sentimento tão ruim? Até porque ele é muito mais nocivo para você do que para mim ou para qualquer outra pessoa. E se o seu objetivo é fazer a gente se separar, saiba que, quanto mais você tenta, mais nosso relacionamento se fortalece e nossos laços se unificam. Pois você está nos dando um GRANDE motivo para comprovar nosso amor um pelo outro.

Lembro muito bem de cada palavra sua no telefone, e uma frase que ficou na minha mente foi: "você não tem nada a ver com ele, então some da vida dele, porque ele é MEU!" Sobre isso, só te digo uma coisa: ele quis ficar. Ele me encontrou, ele me escolheu, e foi escolhido do mesmo modo. Ele me quis, ele está comigo por vontade, não aliciei, não obriguei, não fiz nada além de oferecer o meu amor. E como eu te disse acima, ele não é seu, não é meu, não é de ninguém, deixou de pertencer a alguém a partir do momento que foi retirado do útero de sua mãe. Então não se sinta dona dele (ou de qualquer outra pessoa) só porque te proporcionou alguns momentos de paixão e você achou que seria para sempre.

Posso te dar um conselho? SEGUE EM FRENTE, deixe ele ir e fique em paz. E eu não existo para você, nunca existi, então por que querer me fazer presente? Sim, você não sabe da minha caminhada, você não sabe nada da minha vida, inclusive dos motivos que fizeram ele se apaixonar por mim. E falo isso com total certeza do que ele sente, porque é real, e a gente sabe quando é. Sua raiva pode estar agregada ao fato de que ele nunca te fez sentir isso, e você se iludiu. E eu não sei como isso aconteceu - na verdade, não me interessa, porque o que me importa é o que ele é para mim agora, e não o que ele foi/fez/deixou de fazer antes de me conhecer - e não te culpo por se sentir assim, mas não vale fazer isso consigo mesma por alguém que não te quer.

Existem milhares de pessoas no mundo, e eu tenho certeza de que deve existir algumas dezenas de pessoas que dariam certinho para você. Alguém que te ame, que cuide de você, que você não precisa comprar com roupas ou ideias de ostentação, porque o sentimento dela não vai mudar por você. Alguém que te valorize, que te escute, que te ajude, que te dê confiança, que te faça bem, que te faça gargalhar de rir naqueles dias cinzas que a gente não quer levantar da cama, mas pela pessoa qualquer esforço se torna cócegas. Alguém que você possa ser você mesma, alguém que te dê mais momentos bons do que ruins, alguém que te complete, que te faça sentir protegida, que te faça ser amada, e que você possa se entregar totalmente.

É isso o que ele é pra mim, e eu sei que você queria que fosse assim com você. Mas aceite, nem tudo na vida é do jeito que a gente deseja, nós não temos controle dos nossos rumos, imagina de alguém. Se você já o amou algum dia, você deve entender que esse sentimento nada tem a ver com posse ou ódio, amor é algo puro, e eu tenho certeza de que você vai entender isso algum dia. Não te desejo mal, só espero que você se liberte disso que te prende, e voe, para bem longe.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Eu, eu, eu - Uma crônica sobre a individualidade e amar o outro

Interpol - Barricade

Cheguei à conclusão de que quanto mais o tempo passa, mais experiências vivenciamos, mais derrotas enfrentamos, mais decepções sofremos, mais e mais nos tornamos frios, pessimistas, egoístas e - principalmente - individualistas. O mundo parece girar ao nosso redor, e somos o centro do universo. Somente nós recebemos a luz solar, apenas nós sofremos de rinite com as quedas bruscas de temperaturas, só nós sentimos frio e fome, mesmo sabendo que quando chegarmos em casa teremos comida na mesa e roupa lavada. Abaixamos o olhar quando vemos crianças pedindo esmola nas esquinas, sofremos em silêncio com a visão, mas a dor dura apenas alguns minutos, depois passa, afinal, temos muitos outros problemas para nos preocupar. Problemas que só nós temos.

Buscamos terapia para conseguir freia-los, mas nunca pensamos que a maior parte da cura de qualquer condição está dentro de nós mesmos. Sempre nos esquivamos dos obstáculos por meio do escapismo, mas enfrentar... Ah, isso está fora de cogitação, até porque outro muro alto vai surgir no caminho, e só o fato de pedir emprestado uma escada, já dará trabalho, que resultará num desgaste emocional homérico. Pedir arrêgo é sinônimo de vulnerabilidade, não é assim que aprendemos a pensar?

Depois daquela última decepção amorosa, passamos anos achando que o que precisamos é esquecer. E esse ato decorre em noites na podridão das ruas escuras, sede de diversão, que afogamos com porres, drogas, e pessoas, muitas pessoas, ou alguma. Gente que naquele momento é tudo o que mais nos interessa, mas que no dia seguinte mal lembramos se perguntamos seus nomes. Nos tornamos tão egocêntricos a ponto de pensar que as pessoas, os acontecimentos e as coisas existem apenas para satisfazerem nossas vontades, até não restar mais nenhum pingo de vazio.

Mas o buraco é mais profundo. Nós sabemos.

Diversão não preenche a ressaca moral do dia seguinte. Aliás, a única forma de curar ressaca é bebendo novamente, e não venha nos dizer que não entendeu a metáfora.

E quando encontramos o amor novamente? Não sabemos lidar com inúmeros fatores. Primeiro porque não sabemos mais amar, nosso amor próprio ficou tão extenso e bruto que quase não há espaço para amar o outro. Amar é sinônimo de fraqueza, assim construímos nosso pensamento com o passar do tempo. Lidar com nossas individualidades já é uma tarefa árdua, agora imagine suportar as mesmas daquele que julgamos amar? É um serviço quase impossível.

Se relacionar dá trabalho, ô se dá! E relacionamentos envolvem entrega e, às vezes, doar mais que receber. Mas esse nosso ego doentio e carente só espera receber, afinal, nós merecemos receber tudo de bom - é o que achamos. Por esse motivo, estar com alguém se torna uma batalha infinita com nós mesmos. Quantas vezes temos que passar por cima do nosso orgulho somente para agradar o amado ou para colocar pontos finais em brigas sem sentido?



"Só sei dançar com você, isso é o que o amor faz...", Tulipa sempre fiel ao sentimento transmitido em suas belas canções.

E posso afirmar com total certeza de que isso é preciso. É necessário engolir o orgulho para ficar bem com o outro, se calar e correr pro abraço. No entanto, a única coisa que não devemos - em hipótese alguma - é deixar de sermos nós mesmos, perder nossa identidade e, claro, nossas individualidades particulares, e tê-las, não irá ferir a pessoa amada. É fundamental saber que o outro é um ser que respira, que nutre desejos e mantém expectativas que, inclusive, podem ser totalmente opostas às nossas. É essencial também entender que as pessoas são diferentes, e elas não nos pertecem. Meu namorado, meu amor, meu marido, meu branquinho, meu, meu, meu. Eu, eu, eu.

É impressionante como achamos que sabemos tudo sobre relacionamentos quando estamos solteiros. "Quando eu namorar de novo, vai ser assim, assado". E não, nunca é do jeito que nós esperamos. Porque a vida não é um roteiro que nós escrevemos e basta seguirmos conforme as linhas garrafais. A vida é uma estrada sinuosa, que oferece diversos caminhos, basta seguirmos aquele que nosso coração mandar.

E este atalho que peguei, me levou até você, me jogou nos seus braços diretamente para o seu coração. E assim nossas rotas se cruzaram e, a partir de agora, nós decidimos quais os rumos que a nossa vida irá tomar. Juntos, unidos e inseparáveis.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Paranoia

A paranoia é um dos piores sintomas que um ser humano pode enfrentar. Ao chegar a esse ponto, já estamos fracos e desestruturados psicologicamente. Sempre tive quê para a depressão. Sempre tive uma falha grande no meu lado emocional e, talvez, no espiritual. Sou geminiana, tenho duas faces. A euforia e a depressão, que são praticamente uma bipolaridade enraizada nas profundezas da psique que vão muito além do que os horóscopos diários podem relatar.

Há muito tempo escuto pessoas me dizerem: você é forte, você aguenta. Já fui forte, já aguentei muita coisa, já engoli muito ódio, já me calei quando na verdade queria gritar, e já fui sentenciada à queda fatal. Mas meus passos me levaram a outros rumos, e, por muito tempo, achei que a solução era não sentir - como se fosse possível tal coisa. Não queria sentir nada, e ao mesmo tempo sentir tudo. Quando percebi, já havia me destruído. Não tinha mais moral, não tinha mais vontade, nem conformada estava. Estava desapegada emocionalmente do mundo e das pessoas que fazem parte dele.

Por muito tempo senti nojo delas, senti raiva, e depois, somente desprezo. As ignorava. Elas não significavam nada para mim e eu só queria me divertir. Mas a diversão não preenche vazio por muito tempo, e o buraco aqui dentro se tornava cada vez maior. Eu sabia que precisava de algo, que me faltava algo. Eu precisava de um amor. Eu precisava me preencher de amor, transbordar, emanar, amor. Amor. Amor.

Foi então que você apareceu na minha vida e me fez desacreditar em boa parte dos meus pensamentos sobre amor. Você me fez amar novamente e de uma forma única e transcendental. Me fez acreditar e almejar um futuro que nunca quis ter, não num presente momento real e onde a porradaria da minha rotina estivesse presente.

Por você até Dance of Days voltei a ouvir e fixar máximas que nunca mais acharia que consideraria novamente. Me fez crer que é possível ser feliz ao lado de alguém. Mas dizem que quando tudo parece perfeito, algo de muito errado está para acontecer. E aconteceu. Um monstro acordou das profundezas e a guerra foi posta sobre os homens que lutam para salvar suas pátrias amadas. A diferença é que nessa história não existe perdedor ou vencedor. Na guerra - como muitos sábios dizem - todos perdem.

E nós perdemos. Você perdeu a minha confiança total. Eu perdi a confiança em mim mesma. E o motivo de todo o conflito, bem, deve ter perdido mais ainda. Mas quem se importa com esse monstro? Eu? Não.

O que me importa agora, sinceramente, é voltar ao meu estado de paz de espírito habitual. Como eu vou ser capaz de ser feliz ao seu lado se não me sinto bem comigo mesma? Quantas vezes já li em textos falarem sobre: "amar não é uma prisão", e concordar? Então, agora me pergunto: por que estou tentando te aprisionar? Você não me pertence, não é parte do meu corpo, não posso querer te controlar. Saber de cada passo seu, ficar enfurecida a cada vez que você não puder me atender, a cada resposta de sms demorada. Isso porque estava com medo de enlouquecer e, de fato, enlouqueci.

Eu me conheço melhor do que ninguém. Sei dos meus medos, sei das minhas limitações e, sim, sei das minhas paranoias. Se eu não conseguir confiar em você, todo tempo longe de ti será um desafio. Hoje, inclusive, por mais sono e cansaço que esteja sentindo, pensei em tomar um calmante para dormir. Estou em estado constante de alerta: onde ele está? Por que demora tanto para responder? Com quem está?

ARGH! Que ódio de mim mesma. Que ódio por ter deixado minhas prioridades de lado, que ódio por estar assim, tão insegura. Não consigo ser forte sem você, não agora, não com tudo isso que aconteceu esses dias. Mas eu vou conseguir, pode demorar, mas comigo as coisas tardam, mas não falham. E nem devem.

E isso não quer dizer que estarei te abandonando, muito pelo contrário. Estarei de dando asas para voar, você pode ir até o seu limite e, se quiser se debandar para longe de mim, essa sempre será uma escolha sua. Posso chegar a te sufocar de uma forma que nem eu mesma suportaria se fosse comigo. Esse é o meu medo. Te pedir mais do que você é capaz de me dar. E você se cansar e repensar se valeu a pena tanto esforço.

Desde o início queria que as coisas entre a gente fossem suaves e naturais. Mas como pedir amenidade para dois seres intensos como nós dois? Como? Eu não sei. Toda essa profundidade não vem só de mim, ou só de você, vem de nós dois e de formas diferentes. Estamos nos adentrando cada vez mais para uma fenda - e não, isso não tem nada a ver com as teorias de voltar para o útero da mãe que Freud tanto colocou na cabeça de seus leitores. Tem a ver com intensidade, de sentir tudo - tudo mesmo, tanto sentimentos bons, quanto ruins - de um modo mais profundo.

Se o meu tesão é arrebatador, se minha raiva é sanguinária, se meu desejo é incessável, se minha alegria é imensa, minha tristeza vai ser decadente, e me levantar pode ser uma tarefa árdua. Preciso ficar bem. Não com você, nem com o mundo. Preciso ficar bem comigo mesma. Eu não vou deixar de te amar se eu voltar a me amar mais. Entenda isso, por favor. Estou fraca e não se martirize por minha situação. Vou encontrar forças aos poucos, se você pode me ajudar, me ajude como puder, não faça mais do que pode. Não vou te amar menos por isso e nem mudar meus pensamentos por você.

Mas se eu puder te pedir uma coisa, é só isso que eu quero: estar mais próxima, me sentir interligada. Não no sexo, não fisicamente. Não sei explicar ao certo, mas acho que tem a ver com alma, como você mesmo disse. Preciso voltar a sentir toda aquela intensidade, como se nos tornássemos um só, a partir dai, conseguirei voltar à minha paz. Eu me amo. Eu te amo.

domingo, 15 de setembro de 2013

Perversões - Uma crônica sobre intensidade, insanidade e amor

Para embalar a leitura: Deftones - Knife Party

Não podemos passar mais do que 4 dias sem nos ver, porque a tensão aumenta e nos enfurecemos devido à distância de nossos corpos. Essa situação as vezes gera algumas brigas, algo que concordamos não querer mais. Mas verdade seja dita, não existe distância maior do que aquela que separa duas almas.

Discutimos naquele mesmo ambiente em que, ao chegarmos, serviu de cenário para o nosso maior momento de perversão, desses que a gente fica possuído - surreal, não tem como descrever. Até que cada um virou de costas para o outro e adormeceu. Você roncou e eu passei 3 horas tentando pegar no sono, que infortúnio! Cigarros e mais cigarros. Só a gente sabe a quantidade de substâncias tóxicas que acompanham nossos encontros e como isso é natural para nós.

Por que todo momento nosso está tão atrelado ao sexo? Por que não conseguimos apenas ir ao cinema, ou jantar num restaurante sem pensarmos que essas coisas são pequenas comparadas ao que podemos fazer entre quatro paredes? Nossa intensidade é perversa e compulsiva. Tenho obsessão pelo seu corpo, pelo seu cheiro, seu beijo, seu abraço, por sentir você dentro de mim. Só o som da sua respiração é capaz de me deixar arrepiada, somente um abraço forte já me deixa excitada.

Não consigo explicar a necessidade de te ter a todo instante entre as minhas coxas, o tempo congela e tudo ao redor perde seu foco, apenas me fazendo sentir algum sentimento tão profundo, que se isso for comparado à morte, então é como se eu morresse e renascesse a cada vez que você me penetra e me faz delirar de prazer.

Mas não é só isso, a gente sabe que não é. É amor, porra! É amor. E nosso amor é tão grande e tão similar ao desejo que alimentamos um pelo outro, que somos sempre consumidos por essa ânsia. Somos vítimas dessa sede insaciável, somos amantes desmembrados de realidade, somos dois loucos possuídos por esse sentimento que nos une.

Minha vontade, toda vez que você me toca, é de arrancar a sua roupa nos dentes, e beijar cada centímetro do seu corpo. Mais adiante, quero te ver fazendo aquela expressão de sofrimento/prazer que eu conheço bem e ouvir seus gemidos escandalosos e as safadezas insanas que você me diz enquanto vou chupando e lambendo todo o comprimento do seu pau. Ah e como eu amo esse ser que você carrega entre as pernas, assim como todo o conjunto que o envolve. E o seu gosto? Não deve existir sabor tão doce e suave, e não ligo quando você esporra todo seu líquido nos meus seios, no meu rosto, na minha boca, eu até gosto.

Sim, eu não presto, e nem você. Posso ser a pessoa que vai cuidar de você quando você adoecer, te fazer massagem e te dar remédios no horário. Posso ser a mulher que você vai apresentar com orgulho pros seus amigos, posso ser a menina de boa família quando você me convidar para conhecer a sua mãe. E posso ser a prostituta mais suja quando você me vier comer com gosto, e vou acompanhar cada movimento do seu corpo sobre o meu e responder à cada perversão que você começar. Pode me fazer de escrava, pode me dar tapa com força, comigo você pode tudo. Me joga na parede, mete com força, me chama de vadia, e me ama assim.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O que fazer quando você percebe que a sua vida é um eterno mindfuck?

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Aquele momento que você se depara a poucos metros da porta da sua casa e repensa se quer mesmo entrar. Pensar se quer voltar ao lar parece algo absurdo quando se tem 23 anos nas costas, vive com os pais e está voltando exausta de uma reunião seguida de 8 horas de trabalho. Não faz sentido. Se fosse em outro momento, você não veria a hora de chegar em casa, abrir a geladeira e encontrar uma geladíssima lata de heineken e fumar um cigarro enquanto escuta um Nada Surf no último volume. Ou então devorar aquela comidinha fresca e deliciosa que só a sua mãe sabe fazer. Mas você sabe que a questão não é querer, você tem que entrar e encarar tudo. E quando puxar aquela maçaneta e colocar o primeiro pé para dentro, todo o turbilhão de realidade chegará esmurrando a sua cara, mas que ao em vez de sangue, te deixará desnorteado com a imensidão das mudanças que se infiltraram na sua vida.

É entrar e esquecer que você tem vontades, deixar para daqui há algumas horas aquele banho quente e reconfortante que você precisa, esperar aquela brecha pra acender um pigas no quintal - coisa que você fazia no seu quarto - e fazer o que te mandam/pedem. Lavar a louça, terminar a janta e o almoço para levar na marmita no dia seguinte, limpar/varrer/passar não sei o quê. E quando percebe já é hora de dormir e você não conseguiu fazer nada do que precisava. Aliás, quando for procurar emprego novamente, não esqueça de adicionar às habilidades: "nível avançado em limpar a casa, trocar fralda, passar 4 pilhas de roupas em 2 horas, expert em viver sob pressão e (fingir) manter a calma, entre outros afazeres".

Seu corpo já não é mais o mesmo, afinal, as dores na coluna vivem reaparecendo naquele momento de estresse. No fim de semana, em um dos dias que você escolheu para relaxar e esquecer um pouco de tudo, você passa mal devido aos péssimos hábitos de rotina que anda tendo, a pressão cai/sobe, o cansaço vence e você adormece em qualquer canto que encostar, dai você já não pode beber, não consegue se divertir e tudo o que deseja é a sua cama. As olheiras se tornam aparentes, assim como aqueles roxos na pele que você conquistou tropeçando enquanto não prestava atenção ao andar. Você vive como uma panela de pressão esquecida há mais de 5 horas no fogo, prestes a estourar, e agora você entende porque as vezes seu olho direito fica tremendo. E a vida segue assim, sendo literalmente empurrada pelas coxas.

Você que sempre praticou o escapismo e viveu durante anos feliz desse jeito. Você que planejava fazer aquele tão sonhado intercâmbio para a Europa e visitar aquela sua melhor amiga que acabou de se mudar para Portugal. Você que iria tirar a carteira de habilitação e esperava pegar um carrinho usado logo menos. Você que achava que iria quitar todas as suas dívidas - inclusive àquela na faculdade, motivo pelo qual seu diploma está retido após 2 anos que você "terminou" o curso. Você que finalmente teria a casa reformada, com seu próprio quarto e assim poderia dormir com seu namorado sem qualquer perturbação. Você que achava que a vida já era difícil quando os problemas não existiam. Você que se sente mal ao pensar que a sua vida é uma merda no momento em que vê uma criança pedindo esmola no farol e ter as janelas dos carros de mais de 100 mil, fechando em seus inocentes rostos. Você que é um completo egoísta, fraco e insensível. Você que é apenas um ser humano, perdido, em buscas de soluções, à procura de uma luz.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Corpo marcado - Uma crônica sobre as imperfeições dos caminhos que escolhi

6 rabiscos espalhados pelo meu corpo descrevem um pouco da minha história. Desde os momentos mais difíceis, quanto aos mais libertadores. Um kanji de proteção nas costas, quando pedia para Deus que me guiasse enquanto enfrentava o gostinho do terror que recebe o nome de síndrome do pânico, aos 16 anos de idade. A luta contra o câncer de mama de minha mãe foi o pedido pela sua cura, marcado em meu braço esquerdo, mesmo lado em que minha progenitora sofreu a perda de um seio danificado pelo imenso tumor maligno que ali se instaurou em 2010. Depois foi a vez em que precisava me sentir grande, precisava alimentar meu ego com poder, e no braço direito, pedi uma coroa bela, colorida e formosa que recebe uma flâmula que relata o início de meu reinado.

Mas eu queria mais, eu queria me libertar da dor que os acontecimentos e meus caminhos trilhados me proporcionaram, e marquei meu pé com uma inspiradora canção do ídolo na adolescência, Billy Idol, "Dancing With Myself", eu precisava ser independente. Eu queria mais marcas, pois as que tinha não eram suficientes para ilustrar a minha trajetória. Entretanto, eu precisava de controle mais do que qualquer coisa, então a história de outro anti-herói, Ian Curtis, em conjunto com a minha canção favorita do Joy Division "She's Lost Control", foi riscada em meu punho. A última, e sim, menos importante, foi um raio de luz, à la David Bowie no pescoço. Pequena, sem vida, sem luz, sem cor, assim como meus sentimentos naquela época. 

Cada uma dessas marcas serão visivelmente eternas em minha pele, mesmo que a dor da agulha perfurando cada milímetro da minha tez branca e flácida, mesmo que a melancolia no momento da escolha destes rabiscos tenham passado, a marca que eles deixaram em minha alma jamais será esquecida.

Hoje tenho que lidar com as marcas que o tempo me deixou. As olheiras e as enormes bolsas embaixo dos olhos registram a minha insônia involuntária, noites mal dormidas devido à preocupação de diversos empecilhos que foram postos em meu caminho. As dores na coluna e o cansaço físico descrevem estes mesmos obstáculos que o estresse me causa no dia à dia. E ainda tenho que lidar com as cicatrizes abertas que você fez restar em mim. O roxo que ficou daquela mordida no meu braço - logo embaixo da minha coroa - ainda está aqui. Aquela sensação do último abraço - a dor da despedida - ainda ficou em mim. E todas aquelas mensagens te perguntando como você estava, ainda estão esperando resposta.

Sou imperfeita, minhas próprias tatuagens dizem isso. Erro feio no quesito "saber amar". É, eu não sei amar, eu não sei lidar com acontecimentos bons, porque eu logo acho que algo de ruim irá acontecer e me tirar o que me faz feliz agora. Meu psique inferiorizado é pessimista por natureza, e faz com que eu não me surpreenda com tragédias, ele se acostumou e me faz procurar por elas. Esse é o drama da Angélica. Essa é a Angélica errada que ama de forma insensata e catastrófica. Me perdoe. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Amor, fica - Uma crônica sobre a saudade de você

Fica, tem bolo. Daqueles que fazem a língua coçar de tão doce. Não vai embora ainda, vi na previsão que vai chover daqui a pouco e você tá de jaqueta sem capuz. A gente aproveita e fica mais meia horinha na cama, pode ser só de conchinha. Tem um maço de Carlton na gaveta, tem coca na geladeira. Fica à vontade, mi casa, su casa. Se tiver cansadinho, eu faço uma massagem daquelas que você gosta. Quer tomar um banho comigo? Eu esfrego as suas costas, pode deixar. Fica mais, lindinho.

Vamos ver aquele seu filme favorito? Eu faço uma pipoca, te cubro com um edredon quentinho, pra gente ficar juntinho. Te preparo um chá de erva cidreira pra você se aquecer, mas eu prometo que a melhor forma de fazer isso, é a gente ficar agarradinho. Fica vai? Eu até arrumei a cama, coisa que não faço desde que tomava bronca da mamãe. Pode deitar e rolar, esfrega seu corpo no meu lençol, assim seu cheiro dura mais tempo.

Fica, por favor? Tô começando a me sentir mal, acho que peguei uma gripezinha. Me faz um cafuné e me chama de benzinho, que passa. Mas não, não vai embora. Meu coração parece que vai explodir, algo está acontecendo comigo. Estou doente? Ah, me beija devargazinho que logo melhora. Não me dê as costas, faz meu coração sangrar por dentro. Será que preciso procurar um cardiologista? Porque algo parece muito fora do normal aqui no meu peito.

Fica, meu gostoso. Vamos fazer uma sacanagem nervosa, se quiser até assisto um pornô contigo, se for daqueles com historinha, melhor ainda. A gente tenta umas posições diferentes, e usa aqueles óleos que prometem ser afrodisíacos, mas não há visão mais excitante do você nuzinho todo pra mim.

Meu amor, fica. Fuma mais um cigarro, me dá mais um abraço, um cheiro, um amasso. Você tem mesmo que ir? Então, vai. Mas me deixa seus braços, sua boca, ah... e o seu corpo, sua voz. Não, espera, não vai. Eu preciso de você o tempo todo. Fica aqui comigo?