terça-feira, 1 de maio de 2018
Limpeza de lente e concreto
Eu me encontrei em mim mesma assim que eu percebi que não preciso de muitas coisas para ser feliz. Não preciso de posses, um carro na garagem, uma sensação de extremo conforto financeiro e material, mas sei que preciso de amor, seja de quem for, de amigos, da família, ou de alguém que mal conheço, mas que me faz me enxergar completamente despida de incertezas. A vida tem se mostrado afável comigo, como se eu estivesse prestes a conquistar coisas que eu lutei. O problema é que tudo isso demanda espera e a minha ansiedade me faz me perder às vezes no álcool e na extrema necessidade de me manter em movimento, buscando por uma diversão abusiva e que tem afetado meu bolso e meu corpo. Eu já nem estou mais tentando ser vegetariana nos últimos dias, porque minha fome por viver tem sido tão insaciável que não consigo mais distinguir o que é gula ou fome. Mas eu não caio. Eu me mantenho numa corda bamba sem escorregar, como uma verdadeira equilibrista. Não que eu me sinta equilibrada, não posso mentir para mim mesma, mas porque eu aprendi que como não cair. Eu me sinto forte, como se nada pudesse me abalar e é sob essa força que eu vou lidando com esse presente desgastante e tentando plainar sobre a vida de uma maneira, quase, positiva. Eu sinto que mudei e talvez tenha crescido, provavelmente. Hoje, meus sonhos são outros, eu não tenho mais tesão em fugir e testar loucuras sob outra ótica, porque minha vista estava embaçada e agora tudo parece mais claro para mim. Eu quero mais que trascender, eu quero construir. Nem que seja tijolo por tijolo, e com isso, muito suor, mas argamassa não falta, porque até nisso eu vou conseguir esculpir. Está tudo bem, tudo bem.
Last day of magic
Você foi o mais próximo do que eu poderia sonhar. E eu sonho muito, mas nunca vou muito além porque a vida me ensinou a ser realista. E, às vezes, pessimista. Sonhamos juntos, mas o peso da realidade endureceu muito antes que pudéssemos concretizar algo. "A vida é como um sonho, acordar é que nos mata", disse Virginia Wolff. Você despertou para a sua realidade e esqueceu-se deles. E assim, eu sigo te esquecendo mais a cada dia.
domingo, 22 de abril de 2018
When my world stopped
Since you've been gone, I've been trying to follow my life in a positive way. I try to see the good side of your absence, because I know I'll have you in my arms soon, but it's as if time has frozen. It doesn't pass. It just went fast while you were here. And during that time I have sought in alcohol some comfort and also with the company of friends, and good that I have the best. But nothing, nothing, relieves the saudade. Essa saudade fica cada vez maior, ela não diminui, ela só aumenta e eu não sei como isso é possível. Mas, é assim que tem sido.
But I have been trying to learn from you to be glad, and that is what has given me the strength to move on and also to pursue dreams that I've never had before. How could you, in less than a week, do that to me? I've never shared dreams with anyone else. I've always had difficulties with that, because, despite having already had several relationships, no one was able to get me off the ground. And with you I feel like this is possible. With you, I feel like everything can be possible.
I never trusted anyone that way, because I always thought that they would deceive me, I was always afraid of being myself, and every time I went completely, raw and naked, the other person didn't know how to handle. And I've been living like a birdie looking for somewhere in the world where I could travel in various places without clinging to anything, but now I feel something much bigger than continuing flying that way. Now, I know how and where to fly. I'm always light and free but I'm not just that, I'm a million things and you seem to deal well with all this universe that is me. With your sweet and honest way of being, you conquered me and won a world within my heart. And I feel loving everything I know and I find out from you. Sometimes, I feel that it's very surreal to imagine that I could identify with someone from another part of the world and want to be with that person more than anything. I feel like I'm plunging into your dense world, but not drowning, not because we're shallow, but because you're also a million things and I wonder how I can swim in this whole universe that is you.
My world stopped because we opened a door that has no way and why be closed. And as we pass that door, it's as if there is no distance, no fear or pain. It's where we can fly and dive without falling or drowning. I don't want to just have a romantic view of you, but I feel you so strong inside of me that I can't ignore the fact that it's you, the one, that I want by my side. You are the one that I feel that I can be myself, that I feel that I can take in your hand so that we can dance in this crazy world, it's with you that I want to live the best that anyone can live in this life. And I want my world to not stop, and let it keep moving until the universe makes it possible for us to meet again. Que o universo se mova para que o nosso encontro aconteça e seja infinito.
segunda-feira, 5 de março de 2018
Trago verdades: Você não precisa de um carro para ser independente
Resultados de pesquisa — GoogleFaço 28 este ano. Moro sozinha há 3 anos. Trabalhava com meus pais desde os 10. Trabalho fora desde os 19. Aprendi desde cedo a cozinhar, limpar todas as partes da casa, a lidar com dinheiro (apesar de ser bem ruim com isso) e principalmente com a falta dele. Cuido de dois gatos. Reciclo lixo. Me preocupo com consumo consciente. Meu maior meio de transporte é à pé — porque roubaram minha bike. E pego uber/táxi quando estou muito cansada ou quando está muito tarde, muito escuro e muito vazio para andar à pé ou esperar ônibus, porque sou privilegiada. Tento manter uma alimentação vegana diária (apesar de cometer deslizes aos finais de semana que não me fazem sentir culpada). Dou comida para animais de rua. Meus projetos pessoais são todos voltados para ajudar mulheres com privilégios menores que os meus — e são MUITAS.
Todos os dias me preocupo em como melhorar o meio em que vivo e como meus pais podem levar uma vida mais tranquila. Porque acho que eles já trabalharam muito e quero ajudar nesse sentido. Mas eu também tenho a minha vida, a minha rotina corrida, os meus boletos para pagar, meus estudos para terminar, minhas ideias para colocar em prática e sempre lembrar de beber muita água para não ficar inchada. Ponto.
E ainda assim tenho que melhorar em muitos aspectos, em muitas coisas, situações, especialmente com relação a comportamento, lidar com sentimentos e sensações etc, etc. Ao mesmo tempo que tento não me cobrar muito. Isso não é saudável.
Eu sou uma só e, apesar disso, tenho sido fiel aos meus objetivos. Eu não vivo pensando só no meu umbigo. Eu trabalho com publicidade e não estou apenas preocupada em entrar numa agência grande ou ganhar prêmios e enriquecer. Eu quero SEMPRE fazer qualquer diferença no mundo, ou pelo menos na vida de alguma pessoa. E se der para fazer isso no meu trabalho, perfeito! Senão, eu corro atrás, e é isso mesmo que estou fazendo (em breve, novidades). Ponto.
Não levo dor de cabeça para os meus pais há anos. O único problema que eu tive — e aprendi muito com isso — foi ter ficado meses desempregada e pedir dinheiro EMPRESTADO para eles em ALGUM momento. Mesma época em que tive depressão, crises pesadas de ansiedade e síndrome do pânico. Mas isso ninguém sabia e não precisava saber. Dos meus problemas cuido eu, não por orgulho ou arrogância, mas justamente porque eu sei pra quem pedir ajuda. Não sou coitada, SOU FORTE PRA CARALHO, BIXO!
Há muitos anos não sei mais o que é ser SUSTENTADA por alguém. Por isso mesmo que esses problemas surgiram.
Passado esse período horrível, mas que me ajudou a amadurecer brutalmente, voltei ao meu centro.
E precisei de um carro para isso? NÃO.
Precisei de amor, de respeito, de apoio, de carinho e convicção.
LamoonierMas, foda-se tudo isso. Porque o que eu preciso é de um carro na garagem.
Preciso ser mais 01 pessoa dentro de 01 carro ocupando espaço nas ruas, poluindo mais ainda a nossa cidade e aumentando o tempo de deslocamento de pessoas com menos condições que eu para atravessarem a cidade.
Tá. Tudo bem. Uma coisa não necessariamente precisa brigar com a outra. Eu posso dirigir e ainda assim ser ciclista ou pedestre. O problema é quando existe uma obrigação enorme em se ter posses materiais em vez do incentivo à evolução pessoal e preocupação com o meio em que se vive.
Carro ajuda em algumas coisas? Sim. Carro dá conforto, te ajuda a chegar um pouco mais rápido em certos lugares e garante a falsa sensação de segurança nos faróis em que há moradores de rua pedindo dinheiro. Isso assim, em São Paulo, porque é aqui que vivo e não tenho como falar sobre locomoção em outros lugares.
Minha luta é voltada a esse tipo de questão:

É esse tipo de coisa que me preocupa. Porque isso afeta a vida de MUITAS pessoas e não apenas a minha.
E, como eu disse: eu tenho dois gatos, estudo espanhol sozinha, faço academia, cozinho minha própria comida — e muito bem — , trabalho muitas vezes até 22 horas da noite e ainda assim tento encontrar tempo para não pensar apenas nos meus próprios probleminhas.
Eu não preciso me preocupar com IPVA, com seguro, com sair e não poder beber.
Eu vou tirar carta? Vou sim. Vou porque GOSTO de dirigir. Vou porque POSSO tirar. Vou porque QUERO tirar. Vou porque QUERO DIVIDIR com meu pai o volante. Mas não porque PRECISO. E vou tirar quando eu tiver dinheiro para isso. E vou pagar com o MEU DINHEIRO.
Em resumo:
- Não estou crucificando quem os pais pagaram pela carta ou pelo carro. Cada é cada um. Exatamente isso. Cada um sabe da sua história, das suas prioridades e necessidades e deveria saber dos seus privilégios.
- Cada um sabe o que faz com o seu dinheiro.
- Respeitar a história dos outros é bom, saudável e trabalha a empatia — não que isso importe muito para a maioria das pessoas, mas deveria.
- SER, FAZER e VIVER para mim são verbos muito mais válidos do que TER.
- Tirar carta é legal. É bom ter um documento que comprove que você pode sair por aí dirigindo um carro. Mas não é isso que torna alguém independente (volte ao sic no início do texto).
- Ninguém precisa sobreviver para sustentar coisas que disseram que você precisa.
- Mobilidade é uma pauta importante, assim como sustentabilidade. Se você pode viver com menos e reduzir o impacto ambiental da sua vivência, FAÇA.
- Quem vive em SP e, como no meu caso, mora em um bairro de classe média, ao lado dos centros comerciais e culturais, onde tem metrô, trem e linhas de ônibus em menos de 20 km e durante vários horários por dia, não PRECISA de carro para se locomover.
- Antes de reclamar das pessoas, do país ou cidade que vive, aprenda a conviver em sociedade. Isso significa respeitar os outros, ouvir, compreender, dar voz e espaço. É olhar além da bolha que se vive.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Sorrisos que vêm e vão
Não precisava esperar um favor do universo para realizar o nosso encontro. Você vinha. E eu ia. Assim como nosso sorriso, que era fácil. Nossa alegria era compartilhada. E mútua. Que pena que acabou. E eu nem sei quando. Nem como. Talvez nem devesse ter rolado. Mas eu não me arrependo. Eu transcendo. Me usar de escudo para seus problemas familiares não poderia ser boa ideia. Agora eu romantizo, como se na pele não tivesse sentido. Porque pra mim é um exercício básico. Eu verbalizo. E, ainda bem, que não apenas internalizo. Mas foi difícil. Nossa balança era pesada. Com histórias entrelaçadas que não se conversavam. Só aconteceu por teimosia. Sua e minha. Não sei o que existia. O amor reinou um dia. Mas quando a rotina se petrificou e a ideia de futuro naufragou. Tudo acabou. Hoje eu sigo forte como um furacão e leve como uma pena. Não se sinta mal pela minha franqueza. Hoje sou solo, mas sou maior. Minha alegria é legítima. Vou dançando na vida, com um doce gosto pelo novo. Me sinto viva e acolhida por um invisível. Talvez seja por mim mesma. Que aprendeu a gostar de dançar sozinha.
domingo, 11 de fevereiro de 2018
Quando o medo do fim nos une
Nunca fomos carne e unha.
Éramos braços sem pernas. Preto no branco. Dor e sorte. Lágrimas sem beijo. Óleo e água.
Dormíamos muito, sob sonhos desconexos. E nosso despertar assumia a triste forma da realidade. Vivíamos através da sombra do tempo, que nunca foi nosso amigo. Sem tréguas para um futuro longínquo.
Nem na dor nos encontramos. Os abraços vinham com os suplícios, mas perderam o dom de curar. Perdidos num espaço imaginário da sua mente. E assim, o que nos restou, foi apenas um gosto amargo.
Nós tornamos culpa e defesa. Confusão e tristeza. Delírio e fraqueza. Lamentos e desamor.
Que pena que te restou a ira. Em mim, ficou a esperança de alegria. E a dor.
Éramos braços sem pernas. Preto no branco. Dor e sorte. Lágrimas sem beijo. Óleo e água.
Dormíamos muito, sob sonhos desconexos. E nosso despertar assumia a triste forma da realidade. Vivíamos através da sombra do tempo, que nunca foi nosso amigo. Sem tréguas para um futuro longínquo.
Nem na dor nos encontramos. Os abraços vinham com os suplícios, mas perderam o dom de curar. Perdidos num espaço imaginário da sua mente. E assim, o que nos restou, foi apenas um gosto amargo.
Nós tornamos culpa e defesa. Confusão e tristeza. Delírio e fraqueza. Lamentos e desamor.
Que pena que te restou a ira. Em mim, ficou a esperança de alegria. E a dor.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Entrevista de emprego
Entre numa sala de paredes coloridas, local onde organizam brainstorms, você imagina.
Sente-se e finja-se à vontade. Sorria como se não houvesse amanhã.
Só não gargalhe para não dar pinta de louca.
Responda a todas as perguntas sem demonstrar desconforto. Ele pergunta tanto que parece querer te despir. Assim, sem flores? Mas o que você deseja é se vender. Vender sua melhor imagem, sua melhor estratégia para convencer. Seu trabalho é bom? Pouco importa neste momento.
Te questiona: o que você quer pra sua vida? Você responde tentando convencer a si mesma que aquele é o trabalho da sua vida. Ele comenta dos demais diretores, todos eles, todos homens.
Não se engane, você dificilmente ocupará este lugar, nem se quiser.
E saia de lá mais ansiosa e angustiada do que como entrou.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Libertação e o racismo deles de cada dia
Quando penso em maneiras de me livrar de um peso muito grande, não consigo me imaginar fazendo outra coisa melhor que não seja escrevendo. Escrever é a minha maior arma desestabilizadora a tudo que me sufoca, o meu grito contra a sociedade que me rejeita, o alívio e o calmante às dores emocionais e, provavelmente, o passaporte para a libertação. Tenho lido bastante sobre racismo e feminismo interseccional asiáticos e muito tenho notado e relembrado o quanto minha liberdade foi invadida, meu despeito tirado à força e minha paz arrancada. Desde que me tenho por gente, percebo que nunca fui tratada como igual pelas outras pessoas. É um sentimento de não-pertencimento enraizado e que, conforme fui crescendo, foi se aflorando. Começando na pré-escola, desde a entrada na perua, durante todo o trajeto e com o passar do dia, eu ouvia, de crianças a adultos, piadinhas sobre como meus olhos eram puxados, perguntas sobre como eu conseguia enxergar, se meus pais sabiam falar em português, sobre a comida que eu comia, entre outras coisas. Para mim, eu era uma criança normal, mas as pessoas sempre me trataram com diferença. Conforme fui crescendo, as insinuações foram piorando, porque eu comecei a ser fetichizada e odiada. Perguntavam se a minha vagina era invertida, se eu só ficava com japas, e ouvia coisas como: "nunca fiquei/provei/comi uma japinha". Muitas vezes me senti com raiva de ser quem eu era, sonhava em acordar um dia e no reflexo do espelho encontrar uma menina branca e de olhos grandes. Quantas vezes me perguntei por que eu tinha que ser diferente. Comecei a ter ódio de ser quem eu era. Comecei a notar que as pessoas se aproximavam ou se afastavam de mim por conta da minha aparência. E o pior disso tudo, é que eu sempre estive exposta, ajudando meus pais na loja deles, cresci vendo eles sendo tratados de maneira diferente, ouvia/ouço meu pai sendo chamado de qualquer outra coisa que não fosse o nome dele, o mesmo acontecia com a minha mãe, minha irmã e qualquer outro parente. Acontecia e acontece o tempo inteiro. Isso cansa, isso dói, porque te faz duvidar de si mesmo. Mas tudo isso despertou em mim uma fúria que se reverteu em me distanciar das minhas origens ou abraçá-la, num dilema infinito. Foi então que eu encontrei o feminismo e descobri que precisava me empoderar, que precisava aprender a me colocar no lugar dos outros, a me ver na pele dos outros. Só que notei que as pessoas também não se colocam no meu lugar, ou no lugar de mulheres como eu. Amarelas, orientais, asiáticas. Hoje eu sei: eu sou diferente. A minha cor é diferente, o meu biotipo é diferente, a minha história também é diferente. E nem por isso dói menos ou mais, apenas a gente vai criando uma armadura. Eu sei me defender, o problema é quando esses pequenos abusos acontecem em ambientes que deveriam ser seguros. Não é todo dia que você acorda empoderada, pronta pra se defender com classe e dignidade. Tem dias que eu só queria ser invisível. Tem dias que os olhares incomodam. Tem dias que a verdade não é sempre branda e nem os abusos são evidentes. Tem dias que você não quer explicar para as pessoas que elas estão sendo racistas, machistas ou homofóbicos, você só quer que elas calem a boca e fiquem longe de você. Tem dias que você só quer se divertir como uma pessoa qualquer, sem receber olhares e julgamentos, sem ter que ter vontade de mandar alguém calar a boca ou se fuder, sem querer se irritar ou virar os olhos. Olhos que por sinal estão bem abertos e observando essa podridão toda sem tentar absorver tudo de ruim que há.
Hoje, eu me olho no espelho com orgulho de ser quem eu sou. Das minhas histórias contadas em tatuagens, dos meus olhos, do meu cabelo e do meu olhar colérico que muitas vezes diz: cuidado, não mexe comigo. Minha aparência desagrada porque não sigo mais qualquer padrão e eu sei que incomoda. Mas, bastasse o olhar de distanciamento a completa defesa das agressões. E é sobre isso que eu ainda não consegui me libertar. Tô cansada. Ainda não me identifico com capas de revista, ainda não me vejo representada em campanhas de "representatividade", ainda não me sinto acolhida por este feminismo, que descobri ser branco, elitista, classista e racista. E agora apenas decidi que não vou terminar este texto com mais lamúrias e sem resolução, porque é aqui que eu firmo: eu vou me levantar, vou continuar sendo forte e vou começar a me posicionar. E essa sociedade que tanto me rejeitou vai ter que me aguentar.
Hoje, eu me olho no espelho com orgulho de ser quem eu sou. Das minhas histórias contadas em tatuagens, dos meus olhos, do meu cabelo e do meu olhar colérico que muitas vezes diz: cuidado, não mexe comigo. Minha aparência desagrada porque não sigo mais qualquer padrão e eu sei que incomoda. Mas, bastasse o olhar de distanciamento a completa defesa das agressões. E é sobre isso que eu ainda não consegui me libertar. Tô cansada. Ainda não me identifico com capas de revista, ainda não me vejo representada em campanhas de "representatividade", ainda não me sinto acolhida por este feminismo, que descobri ser branco, elitista, classista e racista. E agora apenas decidi que não vou terminar este texto com mais lamúrias e sem resolução, porque é aqui que eu firmo: eu vou me levantar, vou continuar sendo forte e vou começar a me posicionar. E essa sociedade que tanto me rejeitou vai ter que me aguentar.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Um ano ao seu lado
Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que a razão nada tem a ver com o amor genuíno - não a forma como se o coloca em prática. Isso porque, se eu fosse racional demais, provavelmente estaria sozinha. Provavelmente também, viveria de maneira autônoma ao amor romântico, desacreditada no conceito de alma gêmea, mas, internamente, à procura de um ser impossível. Depois de ontem, um dia que começou mal e só tomou um rumo positivo porque nos depusemos, percebi que não quero mais procurar por esse ser ideal e irreal, porque eu sou real e sou imperfeita. Eu não quero um ser perfeito, porque hoje tenho a perfeita noção de que é justamente a imperfeição que nos leva a crescer juntos. Não importa se nos diferimos em alguns sentidos, o que me é o bastante é saber que ao meu lado tenho alguém imperfeito, real, que cuida de mim à sua maneira e que planeja ter um futuro comigo e, mais do que isso, me ama sendo imperfeita e real. Alguém que eu aprendi e continuo aprendendo a amar, com a consciência de que estamos em constante expansão e mutação, e assim, vou aprendendo. Um ano se passou e percebo o quanto o tempo significa nada. Pois temos todo o tempo do mundo.
sábado, 27 de agosto de 2016
Ótimo em negar
Eu poderia dizer que sinto falta de quando as coisas eram leves e despretensiosas. Mas nunca foram, pelo menos, hoje eu sei. Então, não posso me sentir nostálgica com algo que não vivi. Se a sua arma é a ironia, isso só me demonstra a necessidade de vestir uma máscara para esconder sua insegurança. Essa cosmética também se traveste de arrogância, na maioria das vezes. Tudo para justificar sua comodidade. A imagem de pessoa positiva e ultrasegura de si é o que não te deixa enxergar suas fraquezas e, portanto, resolvê-las. Não preciso de binóculos para vê-las, porque suas últimas atitudes têm as deixado evidentes. É difícil abandonar as próprias amarras pervertidas de proteção. É duro despir-se na frente de alguém, mas é mais complicado ainda despir-se na frente de um espelho, porque o reflexo, em conjunto com a mente traiçoeira, pode enganar.
A mente engana ou quer se deixar enganar? É uma escolha? Ou seria necessário abrir os olhos para ver além do que a própria imagem promove? O que serviria de ultrassom capaz de desafiar o próprio conforto que o reflexo possibilita?
Cansei de pensar, porque até meus óculos não têm resolvido minha miopia emocional.
A mente engana ou quer se deixar enganar? É uma escolha? Ou seria necessário abrir os olhos para ver além do que a própria imagem promove? O que serviria de ultrassom capaz de desafiar o próprio conforto que o reflexo possibilita?
Cansei de pensar, porque até meus óculos não têm resolvido minha miopia emocional.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Da morte, o renascimento
Por quanto tempo ainda iremos continuar nos enganando, achando que sabemos algo sobre a morte, que sabemos a real essência da vida? Quanto ainda é preciso sofrer, sentir, chorar e se anestesiar para finalmente conquistarmos algum ensinamento que nos preencha o vácuo que existe quando a vida se extingue? Da morte vem o renascimento? Essa teoria só cabe em metáforas sobre qualquer outro assunto que não seja a morte. A morte é dolorida, silenciosa e solitária. A vida, no entanto, pode ser diferente. Mas, qualquer caminho que seguirmos nos conduzirá ao mesmo destino: a morte. E por que se vive tão mal? Será que a forma como se vive também é questionada através de uma ótica completamente pessoal? Perder alguém dói, mas dói mais quando se sabe que poderia ter sido diferente. Meu luto tem sido penoso, porque pensar me esgota principalmente porque não encontro respostas. Nada irá confortar meus questionamentos, nada irá afagar minha memória, porque nada mais pode ser feito. E, nisso, não existe aceitação. Me dizem para parar de remoer, para "deixar ela ir", porque se não sua "alma" ficará presa na terra. Mas, EU NÃO ACREDITO NISSO! Como posso crer em algo que não faz sentido?
PS. Descanse em paz, agora, batian.
PS. Descanse em paz, agora, batian.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Qual é o meu sonho?
Tenho me perguntado recentemente, com certa frequência, qual o meu sonho. E, sobre isso, sempre tive vaga ideia. Sempre soube que escrever seria a minha melhor saída, a minha paixão, o meu tesão e a minha redenção. E, provavelmente, onde estaria meu triunfo.
Aos 12, decidi que seria jornalista. Aos 18, na faculdade, decidi que seria repórter investigativo, deslumbrada pelo trabalho de Cacos Barcellos da vida. Aos 20, perante à crise no mercado de trabalho, decidi que toparia qualquer emprego em que pudesse escrever. Aos 21, recém-formada e com 3 experiências no currículo, desempregada, comecei a fazer freelas. Aos 22, sem freelances e sonhando muito, tangenciada pelo trabalho na loja dos meus pais, o desespero já havia se tornado meu companheiro. Aos 23, voltei ao mercado de trabalho para continuar fazendo o que eu queria, que era escrever. Aos 24, ainda no mesmo emprego, meu salário foi aumentando, assim como minha insatisfação. Aos 25, resolvi morar sozinha, a solitude e a solidão se fizeram presentes e também completaram o cenário ideal para conseguir escrever mais. Aos 26, o desespero volta a me atormentar, só que com mais força e, de repente, sobreviver já não é mais uma escolha.
Cansei de direcionar toda minha imaginação e inspiração para escrever coisas que não acredito, para empresas farmacêuticas que escravizam vidas e criam doenças em função do lucro. Estou farta desse mercado que torna refém uma sociedade necessitada de bens de consumo, mais do que de qualidade de vida. Esgotei as minhas forças tentando humanizar minha visão por patrões e líderes, pois os discursos sempre prevaleceram exatamente isso: o capital.
Mas, não se engane, não vim aqui lamentar minha falta de estabilidade financeira e criticar o capitalismo. Vim aqui dizer que desejo não mais fazer parte disso. Cansei de dar dicas baseadas em estudos para promover medicamentos, cansei de escrever para vender produtos, cansei de enganar leitorxs com uma escrita atrativa e pseudo-gentil. Não tenho mais qualquer desejo de tentar informar a partir de uma imprensa que mais desinforma do que realmente tem preocupação com a parcialidade e respeito com seu leitor. Não quero ser jornalista, não quero ser publicitária. Não quero!
E meu sonho no meio de tudo isso? Eu quero escrever para ajudar, para provocar reflexões e, possivelmente, aprendizados. Quero falar com jovens que estão formando seu caráter, descobrindo o mundo e se descobrindo com ele. Quero dialogar com gente como eu, ou gente diferente de mim, mas que, em algum pensamento, nos encontramos e nos compreendemos. Quero escrever sonhos, utilidades, memórias e histórias que merecem ser contadas.
Quero que a literatura brasileira seja valorizada, que novos Camões, Machados, Leminskis e Vinícius surjam, e que a memória dos antigos permaneça. Que as mulheres ganhem força nesse meio, que lotem as estantes, das livrarias e das casas. Que autores brasileiros sejam tão lidos e venerados quanto são os lá de fora. Que se leia mais, que se desperte o prazer por ler e que livrarias, sebos, saraus e eventos literários se tornem mais populares do que Netflix. E, não somente pelo aprendizado que a atividade proporciona, mas também, como forma de introspecção, de lazer e de transgredir cultura e sabedoria.
Sim. Esse é meu sonho.
Aos 12, decidi que seria jornalista. Aos 18, na faculdade, decidi que seria repórter investigativo, deslumbrada pelo trabalho de Cacos Barcellos da vida. Aos 20, perante à crise no mercado de trabalho, decidi que toparia qualquer emprego em que pudesse escrever. Aos 21, recém-formada e com 3 experiências no currículo, desempregada, comecei a fazer freelas. Aos 22, sem freelances e sonhando muito, tangenciada pelo trabalho na loja dos meus pais, o desespero já havia se tornado meu companheiro. Aos 23, voltei ao mercado de trabalho para continuar fazendo o que eu queria, que era escrever. Aos 24, ainda no mesmo emprego, meu salário foi aumentando, assim como minha insatisfação. Aos 25, resolvi morar sozinha, a solitude e a solidão se fizeram presentes e também completaram o cenário ideal para conseguir escrever mais. Aos 26, o desespero volta a me atormentar, só que com mais força e, de repente, sobreviver já não é mais uma escolha.
Cansei de direcionar toda minha imaginação e inspiração para escrever coisas que não acredito, para empresas farmacêuticas que escravizam vidas e criam doenças em função do lucro. Estou farta desse mercado que torna refém uma sociedade necessitada de bens de consumo, mais do que de qualidade de vida. Esgotei as minhas forças tentando humanizar minha visão por patrões e líderes, pois os discursos sempre prevaleceram exatamente isso: o capital.
Mas, não se engane, não vim aqui lamentar minha falta de estabilidade financeira e criticar o capitalismo. Vim aqui dizer que desejo não mais fazer parte disso. Cansei de dar dicas baseadas em estudos para promover medicamentos, cansei de escrever para vender produtos, cansei de enganar leitorxs com uma escrita atrativa e pseudo-gentil. Não tenho mais qualquer desejo de tentar informar a partir de uma imprensa que mais desinforma do que realmente tem preocupação com a parcialidade e respeito com seu leitor. Não quero ser jornalista, não quero ser publicitária. Não quero!
E meu sonho no meio de tudo isso? Eu quero escrever para ajudar, para provocar reflexões e, possivelmente, aprendizados. Quero falar com jovens que estão formando seu caráter, descobrindo o mundo e se descobrindo com ele. Quero dialogar com gente como eu, ou gente diferente de mim, mas que, em algum pensamento, nos encontramos e nos compreendemos. Quero escrever sonhos, utilidades, memórias e histórias que merecem ser contadas.
Quero que a literatura brasileira seja valorizada, que novos Camões, Machados, Leminskis e Vinícius surjam, e que a memória dos antigos permaneça. Que as mulheres ganhem força nesse meio, que lotem as estantes, das livrarias e das casas. Que autores brasileiros sejam tão lidos e venerados quanto são os lá de fora. Que se leia mais, que se desperte o prazer por ler e que livrarias, sebos, saraus e eventos literários se tornem mais populares do que Netflix. E, não somente pelo aprendizado que a atividade proporciona, mas também, como forma de introspecção, de lazer e de transgredir cultura e sabedoria.
Sim. Esse é meu sonho.
domingo, 17 de julho de 2016
As mãos que descascam uma mexerica
O dia em que não puder mais descascar uma tangerina com as minhas próprias mãos significa que parte de mim está morrendo.
Lembrando que toda morte representa também o renascimento, uma nova vida. Então, se há vida, vamos brindá-la.
Caipirinha de sakê e tangerina.
"Devemos amar mais a vida do que o sentido da vida." - Fiódor Dostoiévski
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Dor na coluna, a resposta da dúvida
Sinto uma dor na coluna, há duas semanas, sem qualquer razão. A mesma dor tem afetado meu sono, que também não está da melhor qualidade, assim como tem me impedido de ir na academia nos últimos dias. Ela causa um desconforto que pulsa da coluna vertebral às costelas. Como um incômodo que lateja, persistente. Como uma dúvida sem conclusão. Um pensamento que não se completa, mas permanece aberto, sem cicatrizar.
Em alguns dias completo 26 anos e, com a espera involuntária pela chegada deste dia, vem a ânsia, a insônia e a dúvida. O que eu quero da minha vida? Eu quero continuar neste emprego? Quero casar e ter filhos? Quero largar tudo e ir morar na praia? E tantos pensamentos parecem cada vez menos importantes - mas não menos frequentes - do que a preocupação com dinheiro, necessidade de felicidade e relacionamentos interpessoais.
Encontrei uma luz que, metaforicamente (por favor), me mostrou o que eu desejo, o que substancialmente poderá me fazer feliz. Sei que essa felicidade é superestimada muitas vezes, ninguém é feliz todo dia fazendo o que escolheu pra vida, mas também já sei o que não quero. E o que eu não quero é cometer os mesmos erros.
Sinto que amadureci lendo anotações de um ano atrás, mas os questionamentos, ah, esses persistem e insistem. Causam dúvidas, fraquejamentos e perturbações. Me pergunto o que faz as pessoas felizes. Seria uma casa grande? Um passaporte cheio de carimbos? O emprego dos sonhos? O carro do ano? Filhos e animais de estimação? Essas coisas me trariam felicidade? Ou eu só tenho que fazer um pouco do que gosto a cada dia (e, de preferência, cada vez menos do que não me agrada)?
Tive momentos de fúria e caos mental, quis a morte como subterfúgio para meus pensamentos incansáveis e pseudo-suicidas, me afoguei e continuo na orla por não saber nadar. As águas turvas me trouxeram à superfície, como se me salvassem. Ou seriam minhas nadadeiras tentando se mover? A verdade é que não sou filha de peixe, aliás, até sou, mas não fui aprendiz porque voei demais. E talvez seja no ar, com os pés longe do chão, que eu poderia me encontrar.
Da lama veio a sobriedade. Não que significassem caminhos consequentes, mas a exaustão me trouxe o oco, e esse vazio precisa ser completado. Sem dor, nem pressão, apenas, completado até a borda. Eu não sou líquido, mas evaporei.
Sinto que amadureci lendo anotações de um ano atrás, mas os questionamentos, ah, esses persistem e insistem. Causam dúvidas, fraquejamentos e perturbações. Me pergunto o que faz as pessoas felizes. Seria uma casa grande? Um passaporte cheio de carimbos? O emprego dos sonhos? O carro do ano? Filhos e animais de estimação? Essas coisas me trariam felicidade? Ou eu só tenho que fazer um pouco do que gosto a cada dia (e, de preferência, cada vez menos do que não me agrada)?
Tive momentos de fúria e caos mental, quis a morte como subterfúgio para meus pensamentos incansáveis e pseudo-suicidas, me afoguei e continuo na orla por não saber nadar. As águas turvas me trouxeram à superfície, como se me salvassem. Ou seriam minhas nadadeiras tentando se mover? A verdade é que não sou filha de peixe, aliás, até sou, mas não fui aprendiz porque voei demais. E talvez seja no ar, com os pés longe do chão, que eu poderia me encontrar.
Da lama veio a sobriedade. Não que significassem caminhos consequentes, mas a exaustão me trouxe o oco, e esse vazio precisa ser completado. Sem dor, nem pressão, apenas, completado até a borda. Eu não sou líquido, mas evaporei.
quinta-feira, 10 de março de 2016
Carol Peletier, férias e feminismo
Algumas semanas depois do carnaval, percebi que precisava descansar. A fadiga me subia pelas pernas e era conduzida por cada artéria, penetrando em cada poro até totalizar meu corpo, deixando-o completamente pesado. Percebi que minha ansiedade também estava às alturas e que desacelerar era mais que preciso. Chorei por duas semanas seguidas, todos os dias, ao me levantar para (não querer) ir trabalhar. Foi uma lástima nunca vivenciada.
É final de fevereiro, tive recesso no começo do ano e folga no carnaval, mas por quemerda estou assim? Não sei. Até sei. Mas aqui, vou me abster em declarar apenas que meu corpo e minha mente pediram socorro - e minha mãe, que me disse que eu estava deprimida. Sofrimentos à parte, finalmente os dez esperados dias de fazer porra nenhuma férias chegaram. Embarquei numa maratona de descanso, muito sono, comidas deliciosas e frescas, muita arrumação (e desarrumação) no lar, momentos gostosos e de preguiça ao lado de momô, idas e vindas ao mercado e à casa de mamãe, papai e sistra, alguns momentos ao lado de amigos, e também muitos filmes e séries. E, claro, muito silêncio, ainda bem. Em um desses dias, entediada, resolvi que era a hora de colocar The Walking Dead em dia. Parei na terceira temporada faz mais de um ano, por preguiça e também porque não aguentava mais os assustadores pesadelos com zumbis que tive nesse tempo.
Sim, sou uma pessoa que se impressiona fácil com algumas coisas e as injeta, letalmente, em seu subconsciente, saciando-o por completo. Devo dizer que fiquei impressionada com a série, não sei se era o tédio ou a emoção provocada pelas cenas de ação, mas tenho alguns motivos além: personagens evoluindo entre conversas profundas sobre questionamentos existenciais. Que delícia! Mas, cito a série aqui principalmente por outra razão: a personagem Carol e meu antigo ódio por ela.
Detestava sua submissão ao marido e não dei qualquer mérito por ela tê-lo enfrentado antes de sua morte. No entanto, meu ódio era por ela inteira, tanto fisicamente, quanto pelas suas atitudes e, principalmente, por seu flerte com Daryl, meu personagem favorito quando comecei a ver a série (há quase três anos, acho). Achava ridículo ela investir nele, mesmo ela sendo uma mulher livre (até demais, tadinha, pois também perdeu a filha), e acredito que sentia tudo isso muito mais por ela ser velha, do que por ciúmes, ou coisa do tipo. Eu achava que Daryl deveria ficar com uma mulher mais bonita e que tivesse uma idade próxima, pois acreditava que isso seria mais aceitável, apesar de que não gostaria de vê-lo com qualquer outra pessoa. Sim, rolou um fanatismo adolescente na época, acontece.
Devo dizer que para se entender melhor esta confissão, é preciso levar em conta meu ser naquela fase. Estava afastada no feminismo, havia acabado de sair de um relacionamento abusivo (ou ainda estava nele, não lembro) e tinha perdido, naquele ano, cerca de 20 quilos. 13, fazendo reeducação alimentar e exercícios, e mais 6 só de estresse. Não sei explicar tudo isso, só sei que aconteceu. Por isso, era muito fácil para mim odiar a Carol, uma mulher forte, empoderada e firme em suas convicções e desejos, mesmo passando por vários lutos, vivendo durante o apocalipse zumbi (é) e sendo totalmente fora do padrão ideal de heroína que estamos acostumados: novinha, gostosa, de cabelos compridos e lisos, sedutora.
Era uma época em que eu tinha muitos medos e surfava pela vida como quem só leva caldo na cabeça, mas continua boiando. Certeza que seria a primeira personagem a morrer na série (a não ser que fosse necessário cumprir cota de asiáticos e eu fosse uma espécie de Michonne+Psylocke). Confirmava com exatidão uma frase da Kelly Osbourne, em que ela disse que uma ex-gorda nunca se sentirá magra. De fato, eu estava no meu peso "ideal", mas parecia magra, porque emagreci muito rápido. Estava flácida, cansada e triste. Foi um momento difícil.
É final de fevereiro, tive recesso no começo do ano e folga no carnaval, mas por que
Sim, sou uma pessoa que se impressiona fácil com algumas coisas e as injeta, letalmente, em seu subconsciente, saciando-o por completo. Devo dizer que fiquei impressionada com a série, não sei se era o tédio ou a emoção provocada pelas cenas de ação, mas tenho alguns motivos além: personagens evoluindo entre conversas profundas sobre questionamentos existenciais. Que delícia! Mas, cito a série aqui principalmente por outra razão: a personagem Carol e meu antigo ódio por ela.
Detestava sua submissão ao marido e não dei qualquer mérito por ela tê-lo enfrentado antes de sua morte. No entanto, meu ódio era por ela inteira, tanto fisicamente, quanto pelas suas atitudes e, principalmente, por seu flerte com Daryl, meu personagem favorito quando comecei a ver a série (há quase três anos, acho). Achava ridículo ela investir nele, mesmo ela sendo uma mulher livre (até demais, tadinha, pois também perdeu a filha), e acredito que sentia tudo isso muito mais por ela ser velha, do que por ciúmes, ou coisa do tipo. Eu achava que Daryl deveria ficar com uma mulher mais bonita e que tivesse uma idade próxima, pois acreditava que isso seria mais aceitável, apesar de que não gostaria de vê-lo com qualquer outra pessoa. Sim, rolou um fanatismo adolescente na época, acontece.
Devo dizer que para se entender melhor esta confissão, é preciso levar em conta meu ser naquela fase. Estava afastada no feminismo, havia acabado de sair de um relacionamento abusivo (ou ainda estava nele, não lembro) e tinha perdido, naquele ano, cerca de 20 quilos. 13, fazendo reeducação alimentar e exercícios, e mais 6 só de estresse. Não sei explicar tudo isso, só sei que aconteceu. Por isso, era muito fácil para mim odiar a Carol, uma mulher forte, empoderada e firme em suas convicções e desejos, mesmo passando por vários lutos, vivendo durante o apocalipse zumbi (é) e sendo totalmente fora do padrão ideal de heroína que estamos acostumados: novinha, gostosa, de cabelos compridos e lisos, sedutora.
Era uma época em que eu tinha muitos medos e surfava pela vida como quem só leva caldo na cabeça, mas continua boiando. Certeza que seria a primeira personagem a morrer na série (a não ser que fosse necessário cumprir cota de asiáticos e eu fosse uma espécie de Michonne+Psylocke). Confirmava com exatidão uma frase da Kelly Osbourne, em que ela disse que uma ex-gorda nunca se sentirá magra. De fato, eu estava no meu peso "ideal", mas parecia magra, porque emagreci muito rápido. Estava flácida, cansada e triste. Foi um momento difícil.
Mas ok, superei, cresci e evolui (acredito e espero). E hoje, com meus olhos treinados e despida de pré-conceitos, pude ver uma Carol de um jeito que não esperava. A admirei e torci por ela, chorei com ela em algumas cenas e me questionei, uma porrada de vezes: como eu odiava essa mulher? E, outra dúvida gritante: por que o Daryl não ficou com ela? Ela é sábia, poderosa e amadureceu de um jeito brutal. De mulher frágil que apanhava do marido, ela se tornou uma das cabeças e braços mais inteligentes e fortes do núcleo, tomou decisões difíceis, mas sobreviveu e ajudou outros a sobreviverem. Como fui estúpida, preconceituosa e babaca, pensei. E, na verdade, notei que ela não precisa do Daryl, assim como nunca precisou de qualquer homem. Ela mostrou isso, mais do que uma, duas ou três vezes. Que mulher foda!
Pois bem, meu último dia de férias termina com uma nova tentativa de reeducação alimentar e com o objetivo de começar na academia semana que vem. Não por desespero e necessidade de atingir um padrão impossível e desnecessário, mas porque sinto que meu corpo pede novamente por cuidados, afim de evitar mais carga estressante, mais dias de "como estou horrorosa" e para que eu possa me amar ainda mais. E também com algumas lágrimas, porque estou de tpm e tudo me emociona, além de um flan de chocolate light que me espera na sobremesa. :) Também comecei um laboratório de roteiro para webdocumentário em um coletivo feminista. Sim, vai sair vídeo feminista logo menos. Sim, vai ter meu dedo no meio e meu nome nos créditos! :D
Mas, antes que eu me esqueça: me desculpa Carol, por ter sido injusta com você, com sua luta, que é muito mais importante que sua aparência, que é linda, por sinal. Me perdoe pelos pensamentos provenientes de senso comum e cruéis que tive de e por você. Perdoe a minha ignorância, minha desonestidade, minha falta de sororidade, de empatia e até de humanidade.Vida longa à Carol Peletier, minha nova heroína! Abaixo, a foto das minhas personagens favoritas:
E essa é a sobremesa que me gabei acima. Dica: cuidado com o que você faz no micro-ondas, afinal, panela velha é que faz comida boa!
Bem, dias de preguiça, dias de glória! Agora, voltamos aos trabalhos!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Um grande foda-se aos vampiros do meu dia a dia
Gostaria que parassem de me trazer seus problemas. Assim como sua pressa e falta de empatia. Que parassem de achar que meu ouvido é de concreto e minha paciência infinita. Que estou sempre disposta a ouvir sem responder como estou. Ou quando tentam incitar atitudes com o objetivo de me fazer perceber algo que não querem me dizer. Porque eu não guardo qualquer desejo em compactuar com relações que não me ofereçam uma troca justa e nem de tentar adivinhar o que lhe aflige. E se tentarem forçar, me fazendo sentir coagida e obrigada, eu certamente me afastarei, porque há muito tempo decidi me abster de relações abusivas. Invadir minha privacidade, me esgota, me sufoca e me faz perder automaticamente o interesse em você. Me deixem em paz, malditos sugadores! Eu espero que se fodam e não, não vou querer saber. Sejam mais independentes, autosuficientes,
se virem! Fodam-se!
Não quero saber o que fazem em suas medíocres rotinas, não quero saber do autor do seu (único) best seller favorito. Nem do seu contestável e pobre gosto musical. Nem do seu péssimo linguajar. Muito menos da sua dieta, do produto que usa no cabelo ou dos dez quilos que você quer perder. E de sua falta de bom senso em qualquer conversa que você precisa interromper os outros pra falar. Porque sua necessidade de autoafirmação é tão profunda que se iguala a sua carência em ser o centro das atenções. Sua estupidez me cansa. Sua incapacidade de pensar antes de falar só me faz ter desprezo pelo que sai de sua boca.
Não, não sou sua amiga e nada tenho em comum com você. Não me compare. Pare de esperar complacência e companheirismo de minha parte porque eu não quero! Não quero você perto de mim, não quero te apresentar meu namorado, muito menos minha família e meus amigos íntimos. Não quero que dê opiniões desnecessárias sobre a minha intimidade e não, NÃO e NÃO quero conhecer a sua! Sai de perto de mim!
se virem! Fodam-se!
Não quero saber o que fazem em suas medíocres rotinas, não quero saber do autor do seu (único) best seller favorito. Nem do seu contestável e pobre gosto musical. Nem do seu péssimo linguajar. Muito menos da sua dieta, do produto que usa no cabelo ou dos dez quilos que você quer perder. E de sua falta de bom senso em qualquer conversa que você precisa interromper os outros pra falar. Porque sua necessidade de autoafirmação é tão profunda que se iguala a sua carência em ser o centro das atenções. Sua estupidez me cansa. Sua incapacidade de pensar antes de falar só me faz ter desprezo pelo que sai de sua boca.
Não, não sou sua amiga e nada tenho em comum com você. Não me compare. Pare de esperar complacência e companheirismo de minha parte porque eu não quero! Não quero você perto de mim, não quero te apresentar meu namorado, muito menos minha família e meus amigos íntimos. Não quero que dê opiniões desnecessárias sobre a minha intimidade e não, NÃO e NÃO quero conhecer a sua! Sai de perto de mim!
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Canto da oprimida
Nasci mulher. Nasci o com o peso que o gênero imposto carrega. Nasci sob a preocupação da mãe que repensa o quanto o mundo é perigoso para a mulher. E cresci. Cresci sob o receio de virar puta, vagabunda e inútil. Cresci com medo. Medo de andar na rua. Sozinha. Ou acompanhada. Medo de ser assaltada. Assediada. Estuprada. Medo de morrer. De bala perdida. Sequestro. Ou assassinato. Medo intenso, que faz as pernas tremerem e o coração acelerar. A cada vez que um homem se aproxima. Nas ruas vazias. Nas ruas escuras. Medo de virar puta. Vagabunda. Ou inútil. Medo de meninos. Medo de homens. Medo de desejo. Nasci hétero, sem ao menos me deixarem escolher o que eu queria ser. Ou gostar. Melhor dizendo. Assim permaneci. Compreendi. Que era do gênero opressor que eu gostava.
Oprimir
Oprime o ventre, dando-lhe a única utilidade de satisfazer seu desejo
Oprime a fala, com arrogância e desempatia. Com agressividade
Oprime a dor. Chama de frescura, falta de louça
Oprime o clamor. Chama de louca. Histérica
Oprime a liberdade, ordenando que o que deve ser feito é em função dele
Oprime a individualidade, com a falsa ideia de amor. Julgamentos inválidos
Oprime o sexo, pensando apenas no próprio seu falo.
***
Oprime o ventre, dando-lhe a única utilidade de satisfazer seu desejo
Oprime a fala, com arrogância e desempatia. Com agressividade
Oprime a dor. Chama de frescura, falta de louça
Oprime o clamor. Chama de louca. Histérica
Oprime a liberdade, ordenando que o que deve ser feito é em função dele
Oprime a individualidade, com a falsa ideia de amor. Julgamentos inválidos
Oprime o sexo, pensando apenas no próprio seu falo.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Velha repugnante
Outro dia te disse que meu maior medo era de me tornar uma velha repugnante, que vivesse infeliz e temente à morte. Sem perspectivas de vida, solitária e sendo traída pelo marido. Sem entender por que sua vida havia se transformado nesse marasmo sem sentido e sem brilho. Você me disse que não entendia como eu poderia ser tão pessimista e que nos imaginava felizes e vivendo uma vida com toda a plenitude que representa a união de dois amantes. Então lhe revelei que essa minha visão independia da sua presença e que eu não me imagino sendo feliz ao lado de alguém, vivendo essa felicidade imposta pelo patriarcado e saindo sorridentes em fotos de família. É difícil me imaginar sendo feliz. Talvez seja porque minha concepção sobre a felicidade é distorcida, afinal, nunca consegui apreciar esse sentimento por muito tempo, pois algo de ruim sempre acontecia para estimular pesadelos. Não sei se conseguirei visualizar um futuro doce e bonito, mas sei que tenho muitas coisas para realizar, coisas que me trarão felicidade. Não sei se irei vivê-las ao seu lado, é muito peso para colocar sob sua figura, é criar expectativas que estariam longe de serem cumpridas. Acho que aprendo que amar é isso. Ama-se hoje, com os pés no chão, e quando for possível flutuar, ama-se o sonho. Haverá terra para ancorar nossos sonhos? Não faço ideia, só espero não me tornar uma velha repugnante antes disso.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Diálogos - narrações
Era um fim de tarde típico de primavera, o céu demorava mais para escurecer, dando ao dia a oportunidade de ser mais longo. Era possível ver o sol encolher seus feixes de luz ao horizonte, o que promovia uma visão esplendorosa em que uma paleta de tintas parecia brigar no céu. Enquanto isso, íamos caminhando, os três, cada um para seu respectivo lar, que não ficava a muitas quadras de distância uns dos outros. Eu admirava os cabelos dela, que eram de um cacheado tão preciso que beiravam à perfeição, assim como sua pele cor de chocolate, tão brilhante que lembrava um bombom.
Cheguei em casa e eles não estavam. Não me perguntei aonde teriam ido, mas se haveria janta aquela noite, pois me causava arrepios me imaginar comendo pão com mortadela novamente.
Passava das 22 horas e nada deles. Por que me largaram desse jeito? Pensei em ligar para a tia Mari, mas desisti ao lembrar do mau odor de sua casa e da quantidade de pelos de seus 13 gatos espelhados pelo tapete de seu pequeno apartamento. Contei para xxxxx e xxx no nosso grupo de mensagens. Eles apenas recomendaram: hora de atacar a cozinha. Levantei do sofá e caminhei vagarosamente até à garagem para pegar a escada. Com muita dificuldade consegui arrastá-la até a cozinha, imaginando quantas broncas tomaria de mamãe se ela descobrisse minha tramagem, mas recordei que minha fome era culpa dela e então o remorso passou. Então levei-a ao encontro do lugar proibido: o armário de guloseimas. Lacei mão sobre as batatinhas, biscoitos recheados e chocolates. Tudo o que eu só poderia comer se fosse obediente estava, finalmente, à disposição do meu desejo de devorar tudo.
Me perguntei inúmeras vezes que lugar era aquele, mas ao entrar na primeira sala pude avistar a imagem do paraíso: uma mesa repleta de comidas. Tudo parecia incrivelmente delicioso, havia uma torre de cupcakes com coberturas e confeitos de todas as formas e cores. Cachorro-quente, hamburgueres, bolo de chocolate, coxinhas, gelatina colorida, brigadeiros e pudins. Depois disso tinha a certeza de que estava no céu. "Obrigado Deus todo poderoso! Sabia que você reconheceria meus bons hábitos e obediência que meus pais nunca perceberam", mandei beijo para o teto e corri em direção à mesa.
Comemos tudo o que foi possível e o suficiente para não saber se arrotava à chocolate ou a cachorro quente, mas posso dizer que me sentia mais do que satisfeita e os dois pareciam sentir o mesmo. Nosso extase era tanto que começamos a rir sem parar e sem qualquer motivo. Olhava para a boca toda suja de suspiro de xxx e caia na gargalhada. Foi então que os bolinhos pareciam derreter, tentei segurá-los mas começaram a despedaçar pelas minhas mãos
***
Cheguei em casa e eles não estavam. Não me perguntei aonde teriam ido, mas se haveria janta aquela noite, pois me causava arrepios me imaginar comendo pão com mortadela novamente.
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Passava das 22 horas e nada deles. Por que me largaram desse jeito? Pensei em ligar para a tia Mari, mas desisti ao lembrar do mau odor de sua casa e da quantidade de pelos de seus 13 gatos espelhados pelo tapete de seu pequeno apartamento. Contei para xxxxx e xxx no nosso grupo de mensagens. Eles apenas recomendaram: hora de atacar a cozinha. Levantei do sofá e caminhei vagarosamente até à garagem para pegar a escada. Com muita dificuldade consegui arrastá-la até a cozinha, imaginando quantas broncas tomaria de mamãe se ela descobrisse minha tramagem, mas recordei que minha fome era culpa dela e então o remorso passou. Então levei-a ao encontro do lugar proibido: o armário de guloseimas. Lacei mão sobre as batatinhas, biscoitos recheados e chocolates. Tudo o que eu só poderia comer se fosse obediente estava, finalmente, à disposição do meu desejo de devorar tudo.
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Me perguntei inúmeras vezes que lugar era aquele, mas ao entrar na primeira sala pude avistar a imagem do paraíso: uma mesa repleta de comidas. Tudo parecia incrivelmente delicioso, havia uma torre de cupcakes com coberturas e confeitos de todas as formas e cores. Cachorro-quente, hamburgueres, bolo de chocolate, coxinhas, gelatina colorida, brigadeiros e pudins. Depois disso tinha a certeza de que estava no céu. "Obrigado Deus todo poderoso! Sabia que você reconheceria meus bons hábitos e obediência que meus pais nunca perceberam", mandei beijo para o teto e corri em direção à mesa.
***
Comemos tudo o que foi possível e o suficiente para não saber se arrotava à chocolate ou a cachorro quente, mas posso dizer que me sentia mais do que satisfeita e os dois pareciam sentir o mesmo. Nosso extase era tanto que começamos a rir sem parar e sem qualquer motivo. Olhava para a boca toda suja de suspiro de xxx e caia na gargalhada. Foi então que os bolinhos pareciam derreter, tentei segurá-los mas começaram a despedaçar pelas minhas mãos
Ele
Às vezes olho para ele e imagino o universo. O quão grande o enxergo. Não porque o coloque num pedestal, mas porque ele realmente é grande. Esplêndido em toda a graça de sua presença. Aquela voz aguda e de fala praticamente cantada, que as vezes fica fina quando ele está em seu lar ou quando tenta ser charmoso, mas acaba parecendo um bebê cheio de manha, como quem propositalmente age dessa maneira para ser pego no colo e aninhado. E de repente muda, fala grosso, briga, se defende como quem se sente ameaçado e por meio de uma dialética única. Depois me aperta, faz piada, dá risada.
Às vezes olho para ele e fico impressionada com toda a infinidade de sua beleza ao mesmo tempo que me incomoda saber que todas as pessoas têm acesso a essa visão. Mas isso me faz lembrar que algumas poucas visões só eu tenho. A visão do seu olhar apaixonado, me lembrando do por que me entreguei, com aqueles olhos brilhantes e um sorriso bobo na boca. A visão das suas nádegas redondinhas se mexendo quando ele levanta da cama para se lavar. A visão daquele olhar que me penetra, literalmente, em todo o meu corpo, me dominando com maestria, proporcionando momentos únicos de loucura e prazer. Momentos que eu desejo a maior parte do meu dia, que é poder ter uma nova oportunidade de me perder nos seus braços, no seu corpo, no seu gozo. A visão daqueles cabelos caindo sobre os meus seios quando ele sai de cima de mim, com aquela moleza pós-orgasmo e me mostrando o quanto ele é maravilhosamente lindo e inteiramente delicioso. Genuína e interiormente repleto de beleza.
Privilégios meus, sortudos olhos, carregado por um corpo amolecido e uma mente inquieta. Comunicação entorpecida, desejo imenso provocado pelo medo e pela paixão. Seguro coração, que pulsa e arde, dentro dessa carcaça pesada.
Às vezes olho para ele e fico impressionada com toda a infinidade de sua beleza ao mesmo tempo que me incomoda saber que todas as pessoas têm acesso a essa visão. Mas isso me faz lembrar que algumas poucas visões só eu tenho. A visão do seu olhar apaixonado, me lembrando do por que me entreguei, com aqueles olhos brilhantes e um sorriso bobo na boca. A visão das suas nádegas redondinhas se mexendo quando ele levanta da cama para se lavar. A visão daquele olhar que me penetra, literalmente, em todo o meu corpo, me dominando com maestria, proporcionando momentos únicos de loucura e prazer. Momentos que eu desejo a maior parte do meu dia, que é poder ter uma nova oportunidade de me perder nos seus braços, no seu corpo, no seu gozo. A visão daqueles cabelos caindo sobre os meus seios quando ele sai de cima de mim, com aquela moleza pós-orgasmo e me mostrando o quanto ele é maravilhosamente lindo e inteiramente delicioso. Genuína e interiormente repleto de beleza.
Privilégios meus, sortudos olhos, carregado por um corpo amolecido e uma mente inquieta. Comunicação entorpecida, desejo imenso provocado pelo medo e pela paixão. Seguro coração, que pulsa e arde, dentro dessa carcaça pesada.
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