segunda-feira, 16 de março de 2015

Insaciável



Acho que descobri o que realmente quero, só que decidi não ficar procurando isso. Existem coisas na vida que vêm ao acaso, por mais que você tente buscá-las - já dizia um clichê -, quando tiver que ser, será. Nunca aprendi tanto na vida como nos últimos anos e sinto que ainda passo por um processo de transformação intenso, até chegar o momento que diversas questões irão se estabilizar (assim espero). Ano retrasado foi quando emagreci vinte quilos, fiquei louca, tentei parar de fumar durante um mês e voltei no primeiro gole de cerveja, parei com a maratona de baladas em que passava vários dias da semana bêbada e caçando sarna pra me coçar, namorei um psicopata que flertava com a morte e com dezenas de garotas por diversos meios. E então teve a vinda da minha avó acamada e com demência à nossa casa durante cinco meses, o que resultou em uma briga imensa sobre dinheiro, meu primo ignorante tentou bater no meu pai dentro da nossa própria casa, e paramos de falar com a maior parte da família de meu pai e uma parte da família de minha mãe, nos isolando. 2014 foi o ano mais louco da minha existência, terminei o relacionamento doentio no carnaval, 3 semanas depois andava na rua acreditando que estava flutuando, tive inúmeros casos, fiz sexo casual com parceiros suficiente para inundar a minha lista (nada de DSTS ou gravidez, por favor),  me apaixonei 3 vezes (todos piscinianos), conheci gente pra caralho, viajei pra caralho, e voltei a ver o mar depois de 4 anos distante, que foi o cenário para a minha última paixão. Fiquei louca, chorei, berrei, briguei, quase fui pivô de um término, comecei a estudar astrologia, iniciei um livro (e não terminei), finalizei outro, me entreguei ao yoga, e, virei devota do mar (tive que falar dele de novo, não resisti), passando a virada do ano com os pés nele. E 2015 começou de uma maneira muito diferente do que eu achava que seria, mas talvez do jeito que eu desejava. Começou sereno e com dezenas de mudanças, não menos caótico, mas mais esclarecedor. Conheci o cara mais legal do mundo, que se chama Edgar, o foi o primeiro libriano que me envolvi. Fazíamos tudo junto, nos dávamos bem, nos entendíamos, e nunca conheci (e talvez nunca mais conheça) alguém tão parceiro quanto este, mas não demos mais certo porque eu não pude amá-lo da maneira que ele merecia, talvez por não estar pronta para um compromisso, talvez por não estar apaixonada por ele. Também finalmente sai da casa de meus pais e ainda luto para processar o que é essa vida nova, onde tenho experimentado cada vez mais terríveis sentimentos de medo, falha, culpa e, algo que senti ontem quando terminei com o Edgar, solidão. No entanto, entendi que esta solidão me é necessária para me entender melhor e lidar com meus próprios pensamentos, receios e devaneios, tanto que este foi um dos motivos para ter decidido morar sozinha. Como sempre, tudo na minha vida ocorre de maneira turbulenta, então tive que vivenciar a doença que atacou o meu estômago e é responsável por eu estar há 4 dias sem comer direito (e infelizmente, sem beber, sendo que eu precisava), o rombo que encontrei na minha conta e perceber que não vou conseguir nem pagar o meu primeiro aluguel e todas as minhas despesas com o que tenho no momento, e ter que apelar para o pagamento das minhas férias, 30 dias que eu poderia tirar para descansar, mas trabalhar enobrece a alma (vou tentar acreditar nisso), para pagar tudo o que devo e de quebra tentar visitar o mar, o término com o Edgar que está corroendo meu coração e a culpa constante por ter saído de casa sem qualquer condição para isso, ainda dependendo de grandes ajudas de meus pais, tudo assim, de bandeja, na mesma semana. Por mais que eu esteja totalmente preocupada - e hoje eu sei o que é deixar de dormir por falta de dinheiro (algo que já vivi várias vezes, a diferença que agora depende totalmente de mim) -, eu sei que é tudo uma fase e estou animada sobre o que pode acontecer daqui pra frente nessa nova jornada de liberdade e independência que me aguarda. Sentir isso me faz perceber o quão estava despreparada para namorar, pois, estar num relacionamento cômodo te faz pensar menos (esse é um dos motivos que me fizeram parar de postar aqui), porque você sempre tem alguém para afagar as suas mágoas e dúvidas, e o que eu preciso é aprender a lidar comigo mesma e com a vida que escolhi e este momento é agora, e eu não conseguiria fazer isso estando com alguém. Eu espero que em algum momento eu esteja mais tranquila e quem sabe, conheça alguém que me faça apaixonar e amar ao mesmo tempo o suficiente para apaziguar essa insaciável vontade de descobrir as mazelas e prazeres da solitude e viver um amor desses que enchem o peito, te fazem mais feliz e a pele brilhar, em que planos para o futuro surgem em cafés-da-manhã a dois, na cama, pós-sexo, de maneira natural para ambos. Enquanto isso não acontece, vou voltar a me jogar no mundão e ver no que dá.

Uma carta ao cara mais legal do mundo

Começo esse post com os olhos cheios, porém, com o coração conformado. Porque com tudo que já passei não haveria porque não aceitar o fim que procurei. Eu queria ter te amado da maneira que você merecia, mas eu não posso oferecer algo que não sinto profundamente. Porque eu te amo, mas este sentimento não é intrínseco em mim. Eu sempre disse que queria um relacionamento leve, desses com sabor de fruta mordida, doce, que nos deixa sermos nós mesmos, mas eu não sabia que deveria estar pronta - digo, com o coração totalmente livre e a mente mais amadurecida - para ter embarcado. Nossa maré era serena, mas isso era o que eu achava, porque percebi que as águas vindas de você eram mais profundas e eu nunca estive preparada para lidar com isso. Por isso eu briguei, eu tentei fugir de seus braços e preocurei razões para não estar com você, mas eu sempre voltava, porque apesar das minhas atitudes escapistas, eu te amo. Mas eu só amo, e talvez eu precise de mais para deixar alguém mover o meu mundo, além disso, existem outras coisas que me levam para outros sentidos, diferentes dos teus. Você dizia para irmos viajar, para visitarmos o mar, mas a cada vez que ouvia isso, eu associava o mar com outras pessoas e outras ocasiões que nada tem a ver com você, me perdoe. Eu fui tola em te subestimar, porque eu estava numa onda tão leviana e egoísta, me livrando de uma droga de amor, e ainda esperando que tudo que viesse fosse bom, ao meu modo, que esqueci que você é humano e também tem expectativas e não age sem esperar algo em troca. Você sempre foi tão gentil, tão afável e solícito, e eu, por vezes, tão distante e fria, porque não sabia lidar com todo esse amor que você pode me oferecer. Eu percebia na maneira que me olhava, nas palavras sutis, que você estava apaixonado, e toda vez que eu me perdia e escapava por teus braços, sabia que estava destroçando o seu coração. Até que esta foi a última vez que eu me perdi na vida estando com você, e deixei toda a minha confusão te abalar, porque retomei a consciência e entendi que não posso mais fazer isso com você e nem comigo. Isso não quer dizer que não doa, que não esteja sofrendo, mas eu sei que é o certo a fazer. A vida é feita de escolhas, e por mais que eu sei que vou sentir uma falta imensa de você, eu escolhi te deixar ir. Vivemos muito dentro de pouco tempo - dois meses - e esse pouco foi o suficiente para conhecer essa pessoa maravilhosa que você é e eu tenho certeza de que você merece muito mais. Boa sorte na sua vida e eu espero que algum dia você me perdoe. Com amor, Angélica.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Clandestinagem - Uma crônica sobre a pluralidade que encontrei em você


Eu te pedi e você veio, e devagarzinho vai deixando a sua marca em mim. Como uma brisa que bate no rosto num fim de tarde caloroso que, aconchegante, refresca e acolhe. Lembro dos seus olhos se levantarem e se arregalarem quando se encontraram com os meus, e eu pensava em jogar o meu cigarro antes que você me visse, mas não deu tempo, porque você já estava na mesa do bar de esquina soltando a fumaça do cigarro teu. Logo já estávamos íntimos, dividindo a cerveja e o friozinho que aquele dia chuvoso nos trouxe. Você parecia acanhado sendo que eu esperava uma persona mais escrachada, e isso me fez te apreciar mais naquele momento. Quando demos as nossas primeiras risadas foi quando percebi que poderia ser eu mesma, e tenho sido, sob a segurança de que você não me julgar por isso. Eu gosto do som da sua risada e quando seu rosto forma um sorriso sereno e doce que me contagia e me faz ser mais divertida, é como se você despertasse o melhor de mim. Cada vez mais você foi se infiltrando na minha vida e, sem que eu pudesse perceber, você já estava em mim, e isso me assustou. Me deixou confusa porque eu nunca tive a oportunidade de ter vivido o que vivo contigo hoje, e por mais que eu desejasse isso há anos, eu fiquei sem saber como agir. Eu sinto que eu posso ser livre com você, apenas não compreendo até que ponto essa liberdade funcionará para nós. Talvez eu ache que sei o que quero, mas eu não sei o que você quer, no entanto acredito que podemos descobrir isso juntos. Você estaria disposto? Eu amo a sua leveza e as gargalhadas que só você conseguiu me arrancar nas manhãs em que eu geralmente estou sob efeito de um mau humor doentio. Eu me sinto transbordar quando estou contigo, não sei explicar o que realmente é isso, mas eu apenas sei que é algo lindo que eu nunca havia sentido. É diferente daquelas paixões arrebatadoras e incontroláveis, em que você passa o dia todo enjoado à espera de algum sinal do ser amado, quando toca o telefone e você sai correndo para ver se é a pessoa e morre um pouco por dentro quando nota que se trata de outra. Quando você vive sob uma pressão angustiante entre picos de euforia e extrema depressão porque se entope de expectativas tão opressivas, que seu corpo se torna incapaz de se livrar das toxinas e sintomas narcóticos. Ou quando desperta em você um sentimento de caos onde a única fonte de paz se encontra no ser superestimado e praticamente irreal. Não, ainda bem que não é assim conosco. Você me faz sentir alguém melhor, assim como dizem nesses textos de auto-ajuda que lotam nossas time-lines e que as pessoas mais possessivas e intolerantes insistem em compartilhar como se estivessem aprendendo algo de tanto que se fixam em informações que, interiormente, não passam de palavras enfiadas goela abaixo e serão esquecidas no primeiro sinal de estímulo a um comportamento de ciume. Exatamente como as pessoas que oram diante de um padre ou pastor todas as semanas, e dormem enquanto os mesmos leem algum trecho de um livro grosso e antigo. Elas pensam que estão fazendo algum bem para o mundo e para si mesmas, quando na verdade a maioria se engana. Nosso romance é mais do que um romance, aliás, vai muito além. Eu te vejo como um cúmplice de uma vida clandestina e libertina em uma cidade caótica e tão louca quanto nós. Sinto que você não veio para me confundir e sim para me estender a mão, não para me ajudar, mas para caminhar ao meu lado por onde essa estrada puder nos levar. E enquanto não soubermos, nós iremos nos embriagar, cair no chão com dor de estômago de tanto rir de nossas próprias tolices e, levemente, provocando no outro qualquer sensação intensa e insana até descobrir se isso realmente é amor ou alguma outra coisa que não existe no nosso vocabulário. Obrigada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Aceitação

Eu me sinto ridícula por não ter te esquecido. E, pior, me sinto enfraquecida e burra, porque meu sentimento por você é totalmente irracional a ponto de não fazer sentido sua existência e, principalmente, sua permanência. Não tivemos uma puta história, não namoramos, não moramos juntos, não passamos mais de 24 horas totalmente ao lado do outro. Eu não conheço suas manias, não faço ideia de qual seja seu prato ou cantor favoritos. Eu não sei qual é a marca do seu xampu e nem o nome da sua mãe. Eu só sei que eu sou uma idiota porque me pego sofrendo com a sua imagem, constantemente. Não sei o que você tem de especial, não te acho mais interessante do que qualquer um que tenha passado na minha vida, e nem vejo nenhuma lógica em ainda te manter nos meus pensamentos - mesmo não querendo - mas você não sai da minha cabeça. Eu até esqueço que você existe, mas sempre surge algo para me fazer lembrar de você. E, às vezes, você aparece do nada, inclusive em momentos inconvenientes. É isso que você se tornou: um pensamento safado, persistente, cansado. Eu queria não lembrar mais de ti, eu queria que as últimas vezes que te vi eu não tivesse ficado tão nervosa a ponto de não conseguir ficar no mesmo ambiente que você, mas não pense que é porque você é um cara muito incrível que foi capaz de me fazer tremer nas bases. Sua presença me incomodava, porque eu tenho ódio de gente covarde. Existe um abismo que nos distingue, talvez você não tenha percebido, mas enquanto eu sentia tudo isso, me mantive ali, em pé e com toda coragem do mundo, sorrindo para qualquer ameaça e sambando em cima de qualquer armadilha. Não para te enfrentar, mas para curtir o que me fosse proposto ou o que a vida decidisse me proporcionar nos dias em que estive em sua cidade, e, vou te contar, foi maravilhoso! E você, você fugiu como uma gazela prestes a ser devorada por um leão, um peixinho sem vida ao lado de um felino grande e valente. Eu não gosto de me comparar com esses dois exemplos acima, mas foi assim que você agiu. Minha presença te incomodou e te fez colocar a máscara do fracasso, e correr para o aconchego do seu lar, porque você é fraco demais para estar nas ruas, ou na selva. Mas você é assim, como um bicho do mato que só sabe se defender, você nunca será ameaçador para ninguém, porque você não sai da sua zona de conforto, afinal, você não caça. Você é quem larga o controle antes de chegar no final lap, porque tem medo de fracassar, sem saber que isso te torna um fracassado no jogo da vida, pois aqui, no mundo real, quem não dá o play não sabe, e nunca saberá, qual é a graça de viver. E nisso eu não posso te julgar, apenas lamentar, porque eu te acho maravilhoso o suficiente para conquistar o mundão, seja com a sua inteligência, ou com a sua paciência. Eu te vejo preso em seu próprio pesadelo, sob o constante medo de se arriscar. Eu queria que você se libertasse, e estenderia as mãos a qualquer momento para te acompanhar, mas sinto que minha necessidade maior é me libertar de você, porque a sua covardia se tornou tóxica para mim. Mas eu não consigo. Então prefiro aceitar o fato de que você vai continuar nesta cabeça durante algum tempo, cada vez menos frequente talvez, e, quem sabe o tempo te leve de meus pensamentos, quem sabe...

domingo, 4 de janeiro de 2015

O mar

Planta e Raiz - Aquele Lugar

Ter reencontrado o mar me libertou. Sentir sua água salgar os meus cabelos e meu corpo me lavou a alma e me libertou dos maus pensamentos, tirou de mim o que o ano passado deixou. Foi um ano bom, transformador, onde senti emoções e pude vivenciar experiências nunca antes imaginadas. Foi um grande rolê, uma aventura louca e inesquecível, mas ele acabou, e com ele, tudo o que restou. Sinto minha alma tranquila e serena, somente esperando os acontecimentos deste novo ano, pronta para viver o que tiver de acontecer, mas não me sinto ansiosa, e isso é maravilhoso. Acredito que se o ano passado foi transformador, 2015 será o ano de amadurecer, assim espero, assim gostaria.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Adeus, politicamente corretos de minha vida!

O ano vai chegando ao fim e, com isso, o clima de festa começa e a minha energia passa a se voltar totalmente a isso. Já não quero mais trabalhar, quero que os dias de bebedeiras e risadas, com direito a por do sol direto do mar, e muito amor para dar e receber que só alguns ambientes e algumas pessoas podem proporcionar, cheguem logo. Eu sou assim, eu gosto de me doar. E nessa época do ano só restam dois sentimentos que se contradizem: felicidade ou tristeza. Meus últimos finais de ano foram o que eu chamaria de tristes, e nenhum deles representou o ano seguinte que se iniciou, mas com tantos finais de ano tristes, eu mereço um bem felizão, não? Pois bem, semanas de viagens me aguardam, e eu não vejo a hora delas chegarem para saciarem a minha vontade deliciosa de viver. Não sei o que exatamente me aguarda em cada uma das três viagens que farei, mas essa curiosidade me causa um arrepio na espinha. Me sinto calma e corajosa, não é toda semana que se pode viajar e curtir o verão. Queria estar com uns quilos a menos, mas tudo bem, consigo causar boa impressão ou, pelo menos, me sentir bem. É engraçado o quanto me sinto otimista com o que esses próximos dias me reservam. E com este ano que já tem os dias contados para acabar, eu deixo aqui o meu adeus aos politicamente corretos que insistiram em surgir na minha vida este ano.
Foram tantos certinhos que me fizeram repensar constantemente sobre quem eu era e o que eu queria, e no fim me deixaram mais confusa do que eu merecia estar. Então, adeus, ADEUS! Me deixem de uma vez por todas, se afastem, vão para bem longe ou sumam! Continuem em suas casinhas com seus sentimentos de vazio e depressão que vocês tentam preencher com a faxina diária de seus quartos, com as louças secas e limpas que vocês tanto fazem questão de lustrar, com suas mentes cheias de indagações mas sem desafios, com suas rotinas regradas em que vocês tentam encontrar o equilíbrio através da alimentação e do exercício físico, mas não com consciência, e sim com uma mania estranha e perversa que vocês insistem em seguir por terem medo de se perderem, e com as suas vidas sem emoção que nada tem a ver comigo. Não se atraiam por mim, rapazes. Não me busquem, não venham atrás de mim. Porque na primeira impressão eu nunca quero nada com vocês, eu até tenho que olhar duas vezes para encontrar um charme que para a maioria dos olhos é inexiste. Não me venham com suas gentilezas para depois me tratarem com frieza. Eu não quero vocês, não quero nenhum de vocês para me fazer sentir mal por ser quem eu sou. Não quero ninguém para julgar a minha loucura através do discurso silencioso que rodeia as suas mentes. Não quero seus corpos, por mais que eu me perca neles, eu não quero me perder, eu quero me encontrar. Eu não gosto disso e nada disso me faz bem. Fiquem longe, com suas portas e janelas fechadas em que quase ninguém pode entrar, com seus pensamentos, que vocês nunca querem compartilhar. Continuem distantes em suas vidas medíocres, porque eu, ah, eu vou é conquistar este mundão enquanto vocês preparam o chá das cinco em ponto. Eu vou é me jogar nessa vida louca e bandida enquanto vocês falam consigo mesmos e tentam fazer tudo certo, porque, convenhamos, é certo só na cabeça de vocês, mas só assim vocês conseguem colocar a cabeça no travesseiro e dormir. Dormir até não dar mais, porque é isso que vocês fazem: dormir enquanto a vida corre. Vão, seus infelizes, vão procurar meninas certinhas iguais a vocês, para que assim vocês tenham a vida sem sal que tanto almejam, ao lado de alguém igualmente sem sal, e façam filhos sem sal, porque eu gosto é de muito tempero. Pode por pimenta, pode por molho inglês, canela e até coentro, e pode por wasabi também, porque é com muito sabor que eu quero continuar vivendo! Eu não quero alguém para me consertar ou para mostrar o quanto sou errada, eu quero alguém que seja louco e se perca comigo, que me acompanhe nas minhas "viagens", e que não tente me aprisionar em seus gelados e amargos braços. Sumam, seus esquisitões! Eu não estou interessada em seus papos teóricos, em seus ceticismos e em suas confusões, não quero saber das suas vidinhas cheias de normas e bloqueios que vocês mesmo impõem. Eu vou continuar vivendo loucamente com muita leveza, liberdade e prazer, e vou mudar e transformar todo o meu curso todas as vezes que eu quiser e sentir necessidade, porque eu, eu sim, sei o que significa ser livre, e vou parar em qualquer lugar que a vida me levar, enquanto vocês, ah, que pena, vão viver e morrer exatamente onde têm certeza. Mas não sinto dó de verdade de vocês, porque eu sei que vocês amam essa piedade, eu quero que vocês fiquem o mais longe possível da minha realeza, porque não, meus amores, aqui não tem lugar para o universo razoável e duvidoso de vocês! Porque enquanto vocês estão aprisionados em suas ilhas, eu estou voando de nuvem em nuvem e onde o ar puder me levar. Adeus, certinhos, eu não sirvo para vocês!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Passou

Astrologia explica tudo, ou quase tudo. Hoje eu percebo que toda a minha aflição era explicável através dos trânsitos dos céus. E passou, assim como descrito na minha carta progredida. E eu nunca me senti tão tranquila. A resposta foi negativa, e assim o alívio se fez presente. Nunca me senti tão feliz com algo tão corriqueiro na vida de uma mulher, no entanto, com tantos significados. Doeu, passou, evaporou.

Tudo o que doía, incomodava e afligia desapareceu, restando uma paz calma e surgida em um momento essencial. E que continue assim, da forma que puder. Obrigada.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

À espera de uma resposta

O fim do ano vai se aproximando e eu me sinto como se estivesse no mesmo ponto que parei no ano anterior, se não pior, porque aquela situação eu sabia que, demoraria, mas seria passageira. Do que me adiantou tantas vivências, ter conhecido tantas pessoas, e ter me deparado com tantas reflexões se me sinto tão perdida quanto nos dias em que eu dividia um quarto, em que minha avó com alzheimer definhava e gritava no outro, pedindo por água ou atenção, em que via meus pais desesperados e levava um relacionamento que só me fazia mal? Para o que me serviu ter vivido tantas coisas, na mesma velocidade que comanda a minha ânsia insaciável por viver, se hoje eu me vejo sozinha, contida e com medo? Por que as sensações boas de liberdade, de paixão, de amor e de extrema felicidade foram embora, tão fugazes, e as de confusão continuam a imperar? Será que eu não sei viver bem e aproveitar os bons momentos? Será que eu sou tão insegura ao não saber enxergar quais são os meus principais erros e continuar a cometê-los? Será que eu não aprendi a me amar? Tudo o que fiz para me sentir viva, no fim, me fez sentir mais vazia do que eu já pude ficar e agora sinto que cheguei num fundo que eu nunca imaginei alcançar. Não é a depressão, nem a ansiedade, é a confusão e o medo. Me sinto coagida pelos meus próprios pensamentos, porque eu sinto que meu futuro está comprometido a partir do momento que a resposta que se faz necessária chegar em minhas mãos, e eu a temo. Temo mais o seu resultado positivo, claro, mas o negativo também me amedronta, porque vai confirmar a minha loucura. Talvez porque eu não queria passar por tudo isso sozinha, mas eu não tenho a quem recorrer, aliás, eu não posso, é muito peso para qualquer pessoa, e eu sinto que, por mais difícil e por mais que isso me machuque, devo resolver sozinha. Tenho bons amigos, alguns já sabem e demonstraram a ajuda que puderam oferecer, mas outros, eu não sei onde estão, e sinto que não lhes devo incomodar. Eu odeio parecer pedante, meu orgulho é muito grande para isso, mesmo que minha necessidade de ser honesta e me expressar seja enorme, talvez, esse seja o momento de me calar. Por mais que eu ache que não devo passar por isso sem qualquer apoio, ou com alicerces fracos que podem facilmente despencar, eu acredito que me fará mais forte se eu souber conduzir o caminho que devo trilhar. Eu preciso ser forte. Eu tenho uma força imensa para ajudar os outros, e quanto a mim, minha positividade sempre foi muito presente para não me deixar cair por muito tempo, mas eu cheguei numa situação que não sei lidar, simplesmente por ser algo muito mais físico do que emocional ou psíquico, e que pode comprometer toda a minha vida, mas mesmo assim, que afeta em todos os sentidos. Me sinto apavorada, como uma menininha com medo de escuro após ver um filme de horror às escondidas. Sinto minhas entranhas me devorarem e sintomas físicos nunca antes presenciados. Talvez eu esteja assustada o suficiente para ter criado outro drama, eu queria poder acreditar nisso, mas a cada dia que passa sem evidências que comprovem o contrário, percebo que a carta de conclusão para meu futuro incerto apenas está sendo impressa, prestes a me ser endereçada.
Não penso mais sobre cada caso, mas reflito sobre o todo, e o desfecho foi que eu me ferrei brutalmente, bati a cara feio. Não falo com relação ao que senti ou me fizeram, falo sobre o que está acontecendo comigo, no meu corpo, neste momento. Eu queria que tudo isso não passasse de um pesadelo e que amanhã o dia amanhecesse lindo, com direto à bela vista do mar apenas sendo adornada pelos raios inebriantes do sol, todo cheio de força e esplendor, e que toda essa visão me preenchesse a alma, o suficiente para acalentar minha angústia e calar meus vagos e sombrios pensamentos. Eu estou sozinha à espera de uma resposta. Eu estou sozinha. Eu não sei aonde vou parar.

domingo, 30 de novembro de 2014

E quando a realidade vem à tona

Bob Marley - Every little thing is gona be all right

Acho que levei uma semana para perceber algo que o ano todo venho tentando compreender. Algo meu, extremamente íntimo, porém, essencialmente esclarecedor e que acredito valer para outras pessoas. Toda essa minha ansiedade oca faz parte de mim, infelizmente. E eu sofro com ela a minha vida inteira, e, por mais que eu não a transpareça abertamente, ela está aqui, enraizada e latente, e por vezes até grita. Eu queria me livrar desse mal, já busquei terapia, já fui encaminhada para psiquiatra, mas tudo o que eu menos quero é ficar dependente de remédios. Tá certo que eu uso de alguns artifícios nada saudáveis apenas para amenizar o problema, o que não é muito diferente de usar medicamentos, no entanto, o uso ocorre através do prazer, então, se preenche minhas necessidades de um modo ameno, por que não? No entanto, percebo, desta vez de maneira muito mais profunda e escancarada, que esses usos também são vazios e, que para combater de fato o problema, eu devo procurar por opções mais saudáveis, exatamente aquelas que eu tanto esqueço, mas que ficam martelando na minha mente. Opções como voltar a praticar yoga e meditação, parar de buscar na noite - quando digo noite me refiro às baladas - uma fuga para minhas dificuldades diárias ou uma maneira de me sentir viva, mas que não me supre mais, justamente por causa do vazio que resta no dia seguinte. Além disso, procurar em outros corpos algo que me falta, algo que desejo, mas que tenho preguiça e alguns impedimentos para começar a adquirir. E o que me falta é a calma. Eu não preciso buscar uma fonte de calmaria inesgotável, eu não preciso de um homem ou de amigos - e diversão constante - para arcar com a minha ânsia por viver, eu preciso apenas me reencontrar, olhar para o meu interior e visualizar o pico do problema. E eu achei.

Percebo então que, neste ano de transformação e inúmeros aprendizados, a realidade foi-me confrontada diversas vezes, mas eu não enxerguei porque o meu ego me atrapalhou. Agora, eu me liberto aqui, de uma vez por todas, de meu ego para poder transcender nessa estrada que se chama vida. Vou buscar o que me faz bem, o que me soma, vou trabalhar com alguns pontos que não posso mudar de imediato, e vou me livrar do que me faz mal, seja com o tempo que ainda me houver, seja conforme a vida quiser.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Carta ao homem do mar

Maria Rita - Encontros e Despedidas 

Quando estávamos naquele quarto escuro, naquele ambiente tão íntimo e ao mesmo tempo tão acolhedor, eu revelei o meu desejo de te carregar comigo. E você riu, disse que para São Paulo não se mudaria, então eu sugeri que fugíssemos e você aceitou. Como eu queria que essa proposta, dita em tom de brincadeira, se concretizasse. Como eu desejaria realmente fugir ao teu lado para algum lugar nunca antes visitado por nós, ou, no mínimo, eu me imaginaria fugindo para o teu canto, de tempo ameno e com o mar aberto. Seria como se você me resgatasse da selva de pedra que me aprisiona, seria como se a liberdade que tanto almejo estivesse ao teu lado. Sinto um nó na garganta ao escrever cada uma dessas palavras e meus olhos lacrimejam, mas não despejam uma gota, porque eu sei que se eu chorar vai ser por tristeza e não é assim que eu quero encarar a nossa curta, porém bela e intensa história. Eu sei que podemos nos encontrar num futuro muito próximo, eu sei que você quer, tanto quanto eu quero, e sei ainda que você é mais maduro do que eu para não me enxergar como uma solução para a sua solidão, uma salvação para a sua depressão e talvez, seja porque você não queira se livrar do seu sossego, e eu acho bom e inclusive aprecio, afinal, já aviso de antemão: eu sou caótica, assim como o trânsito paulista e a constante correria que você tanto despreza na minha cidade, assim como o ar poluído nessa permanente atmosfera, assim como a ansiedade que afeta toda uma geração, assim como poderia ser o cenário do teu pior pesadelo. Mas eu não quero te tirar do aconchego, não, moço da pele macia e bronzeada. Eu não quero tirar a tua paz, não, moço dos olhos fundos e penetrantes. Eu não quero me tornar a principal razão da tua loucura, não, moço da voz oca e alta. Eu não quero ser a moça a que vai mudar a tua vida, simplesmente porque eu não acho que deva ser mudada, não, moço do corpo que beira a minha visão de perfeição. Porque eu não sou perfeita e eu sou tão perdida quanto qualquer jovem de minha idade. Porque eu não sei o que espero do amanhã e não tenho planos concretos para nada. Porque eu ainda nem sei o que mais me faria feliz, quanto mais fazer alguém feliz. Isso é muita responsabilidade, moço que descreve a própria vida como tranquila e "sem emoção". Eu confesso apenas que perderia toda uma eternidade se fosse para me perder em seus braços novamente, eu encararia outro quarto sem luz e sem piso para sentir-me desfalecer sobre o teu corpo, a cada vez que você me fizer transportar para outra galáxia, e eu não somente viajaria do Rio até Salvador, como desbravaria qualquer cidade para estar contigo e receber teu carinho nos meus fios de cabelo desgrenhados e banhados pelo nosso suor, enquanto acaricio a sua barba e aprecio o teu sincero e largo sorriso. Eu queria o poder de congelar o tempo naquela noite de domingo que foi totalmente nossa, sem qualquer intervenção, onde estávamos dispostos a equalizar as nossas energias, enquanto recebíamos e doávamos, um ao outro, um pouco de nossas almas, que se entrelaçaram e dançaram sob a mais frenética e intensa canção. Você me mostrou um pouco de tuas fraquezas, e eu vi o teu olhar mudar enquanto estávamos unificados, eu pude enxergar um brilho que talvez você não sentia há algum tempo. E eu fico imensamente feliz por ter sido o motivo para esta felicidade, na verdade, eu queria que ela durasse tempo suficiente para preencher o teu coração com positividade e acolher os teus pensamentos toda vez que você se deitar, mas eu não sei se vai durar muito, mas que seja suficiente enquanto dure. Talvez porque por mais positiva que eu seja, eu sou realista, e isso eu aprendi com a experiência que as minhas escolhas e atitudes me trouxeram. Eu queria poder acreditar que meus sentimentos por ti tomassem vigência, eu queria poder acordar todos os dias com o som da tua voz, bem baixinha para não me assustar, e o toque de tuas largas e firmes mãos acariciando a minha cabeça, eu queria ser quem te dá prazer a cada ereção que você tiver, e queria descobrir contigo o verdadeiro significado do verbo "amar", mas eu não posso me iludir, não mais, ainda mais em nossas condições, que nos separam por quilômetros de distância de duas vidas que não podem ser subvertidas. Embora, eu desejasse que nosso encontro ocorresse em breve, onde eu pudesse finalmente pular em teu colo e beijar os teus grossos lábios, sentir o calor do teu corpo se aquecer em contato com o meu, e me deixar ser levada por tua calorosa diligência. O desejo permanece e permanecerá enquanto houver razão, ou emoção, para que perdure. Eu não acredito que você seja substituível, assim como vi e sabia que muitos seriam, mas eu não posso esperar de ti algo impossível. Eu nunca esquecerei da imagem em que a brisa batia em teu rosto e do inebriante sorriso que se formou na tua boca quando nossos olhares se encontraram. Eu queria te salvar, homem do mar, e queria me salvar ao teu lado, esta é apenas uma vontade que será guardada, aqui, em minha alma. Obrigada.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Quando a brisa encontra o mar

Cada vez acredito mais que na vida nada ocorre por acaso e cada um dos acontecimentos parece se encaixar apenas para ser escrito. E assim eu descrevo, aos poucos, a minha história. É neste blog que eu desabafo os meus sentimentos mais profundos, assim como as conclusões que encontro para várias dúvidas após tanto refletir, ou somente viver. Este ano inteiro tenho me posto à prova do acaso, e assim pessoas foram surgindo, e passando. Por mais que algumas eu esperava manter, eu sentia a necessidade de deixá-las ir, compreendendo que cada uma teria passado para deixar uma lição, mesmo que este ensinamento não fosse claro, era preciso reagir. E essa reação tornava essas lições incompreensíveis, porque eu precisava proteger o meu ego. Até eu entender que muito além de estar cansada dos jogos de ego, eu deveria quebrar esses dogmas sociais para me libertar completamente de algo que sempre me vi envolvida, mas que não sabia como escapar. Então decidi ser eu mesma: livre, leve e direta. E passei a seguir uma máxima de uma amiga aquariana: eu não quero apenas sexo, eu quero sentir. E então, quando eu menos esperava, parece que o sol queria se pôr à minha frente simplesmente para ser apreciado e aproveitado. Quando revisito a cidade natal de meu ex e me deparo com inúmeras lembranças há tanto tempo guardadas em algum local de minha memória, fui preenchida com um imenso sentimento de paz. Aquela cidade não era ele, aquela cidade não é somente o palco para os episódios finais e tristes de nosso relacionamento que durou 2 anos, aquela cidade é bela e cheia de serenidade. E desse maneira, me vi surpresa, e algo que eu não lembro mais como era, me tomou novamente. Cai nos braços afáveis de ninguém menos do que um pisciniano, desses calmos e cheios de regras para seguirem suas rotinas, mas que apreciam uma boa dose de loucura. Desses que eu passei a admirar, desses que sempre me surpreenderam, desses que podem me ferrar. Eu me vi submersa em um ambiente repleto de aconchego e escuro, assim como ele descreveu que gostava, e completamente dominado por uma intensidade que não saberia descrever. Foi algo que pode ser comparável ao encontro da brisa com o mar, como se eles se unissem e se entrelaçassem numa dança sem ritmo fixo, mas coberta de calor, um calor suave e ameno, um calor que preencheu a minha alma, um calor que não será tão cedo esquecido. Nosso encontro tardará, e ele me fará esperar, assim como todos os piscinianos fizeram, mas essa espera não interferirá em minha vida, ela apenas me fará finalmente a aprender a primordialidade da calmaria, algo que sempre ansiei, algo que eu sabia que só com ele eu iria aprender.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Bukowski, astrologia e as coincidências de minha história de vida

Quando comecei a ler Bukowski, eu me via vivendo como ele. Em uma vida regada à sexo, drogas e alguma necessidade de intelectualização. Não que eu realmente vivesse desse maneira, até porque só fui viver e compreender plenamente a minha liberdade sexual este ano, porque antes disso, eu só me via em meio a amargas ilusões, que até então, eram incompreensíveis para mim. E assim a noite, as bebedeiras se tornaram minhas companheiras, assim como meu combustível era viver para o meu prazer, para as amizades e relacionamentos instantâneos, embora eu soubesse separar muito bem uma questão da outra, existiram muitas "amizades" que acabaram tão rapidamente, quanto dura a brisa da maconha. Entretanto, toda essa introdução se refere a ocasiões ocorridas há dois anos atrás, e, este ano minha vida teve uma reviravolta inconcebível. Eu sempre admirei a maneira crua como o velho tarado descrevia os acontecimentos mais mundanos de seu cotidiano, a forma negativamente bem humorada como ele enxergava o todo, e cada detalhe, me faziam sentir compreendida. Certamente achava que poderia ser uma das personagens de Mulheres, e que eu era realmente uma mulher que sabia o que queria.

Hoje eu me vejo com o ego estraçalhado, o mesmo ego que me dá orgulho e que serve de impulso para minha vida. O mesmo ego que me transparece segurança, a ponto de ouvir de amigas próximas, frases como: você é um mulherão, eu queria ser como você. No entanto, isso apenas é uma carcaça, basta procurar pelo significado de um ascendente regido pelo signo de leão para entender, afinal, leão é um signo fixo, que regido pelo Sol, a estrela mais brilhante do céu, a razão para existir vida na Terra. Sem divagar em astrologia, mas havendo necessidade em voltar para os ensinamentos que este estudo tem me proporcionado, me vejo sob um karma chamado "parte da fortuna", algo que fui entender de fato hoje, e vi todo o desenrolar na prática, diante de meus olhos. Antes de tudo, eu procurei por astrologia porque eu necessitava alguma maneira de me entender melhor e, consequentemente, as pessoas ao meu redor. Eu precisava de algo que fosse mais místico e menos complicado do que a psicanálise, por exemplo, mas me deparei com um estudo milenar e com muitos pontos de vista, sem fácil acesso para compreender cada aspecto da maneira correta, mas como se trata de um longo estudo, não haveria como haver maneiras corretas, até porque, cada autor-astrólogo dará uma visão diferente. Falar sobre Astrologia é complexo, até porque, acredito não conhecer ou entender 10% das prioris necessárias para analisar um único mapa natal, quanto mais relatar o que escreverei a seguir. Mas meu próprio mapa me revela a minha audácia, e a minha maneira de saber discorrer sobre qualquer assunto, mesmo tendo o mínimo de conhecimento. Tenho dois planetas em gêmeos, luminares em signos de ar, o que me faz tender totalmente à comunicação, à racionalização, e a necessidade de encontrar sentido para tudo. Voltando a falar sobre o karma, minha fortuna está em peixes, na casa 8 (casa de escorpião, signo do elemento água, assim como peixes), isso significa que a minha fortuna, ou a missão de vida seja compreender o incompreendido e de uma maneira pisciniana. O que acontece é que não tenho profundidade emocional (veja a diferença entre racional e emocional, eu nunca soube separar) suficiente para concretizar tal fato, talvez, não agora aos 24 anos, logo no momento que estou em constante mutação, onde sinto a necessidade de amadurecer em pontos emocionais e psicológicos. Isso talvez implique na minha atração por piscinianos, por eles terem essa profundidade emocional que eu não tenho. Talvez pela maneira deles enxergarem o mundo, seja muito diferente da minha. Embora eu diga isso com base em todos que já me envolvi, e não preciso dizer que dois deste signo solar foram os que mais me foderam (desculpe o linguajar, mas não haveria outra maneira de me expressar melhor) este ano, sem levar em conta que a pessoa mais importante da minha vida é a minha mãe, solar em peixes, mas com muitos planetas em aquário, o que faz dela uma aquariana muito louca, mas com todos as características de peixes: o escapismo, a loucura, a vitimização, a postura defensiva, a falta de pés nos chão, entre outros, e, já que a Astrologia também explica a genética, eu herdei uma lua em aquário, e uma fortuna em peixes, enquanto minha irmã, uma lua em peixes e um ascendente em aquário, entre muitos outros aspectos. Não vou mencionar os aspectos herdados de meu pai, porque não teria fim, e não iria passar de coincidência para os leigos.

Foi então que este ano resolvi abandonar o tesão por Bukowski, para cair nos braços afáveis de autores como Leminski, Kundera e Hesse, porque eu precisava de leveza, ainda mais após sete meses de autodestruição ao lado de alguém que nenhum bem me fazia, que nada compactuava com meus ideais ou simples pensamentos e que eu extingui de minha vida de uma maneira muito bruta, mas que me rendeu uma sensação transcendental de liberdade. Depois do término com ele, conheci o cara que estimulou grande parte dos pensamentos e conceitos que eu carregava até poucos meses, mas que desmistifiquei após constatar que nada de sábio ele tinha, apenas era alguém que estava experimentando o doce gosto da liberdade, mas que tinha profundidade e lábia suficiente para expressar cada noção de maneira suave e persuasiva, assim como um verdadeiro sábio. Ele tinha mercúrio em peixes, onde este planeta encontra o detrimento, mas que, de alguma maneira, se atrai com meu mercúrio domiciliado, racional e repleto de ar. Como dois pólos de opostos que se atraem (lembrando que o meu oposto seria sagitário, mas ele não se atrai), assim como a razão e a emoção. Sorte a minha poder mudar meus pensamentos, ser como o refrão: "eu prefiro ser essa metamorfose ambulante", e não ter que carregar nenhuma constatação pesada para sempre, ou por tempo demais. Houveram outros tantos mutáveis: sagitarianos e virginianos, mas os piscinianos sempre foram os que mais marcaram. Depois deste, surgiu outro, de mesmo sol, mesmo mercúrio, mesma vênus (em aquário), e lá estava eu, novamente, sofrendo. Não porque esperasse algo deles, não porque estava apaixonada, mas porque estava frustrada, ou desiludida, porque era difícil compreendê-los, porque eles não compreendiam a minha leveza e a minha necessidade de me expressar, e porque eu queria um pouco deles para mim. Não eles, de fato, mas havia algo neles que me instigava, que eu queria ir mais a fundo para conseguir compreender, porém, fui barrada antes mesmo de poder adquirir conhecimento suficiente. Porque a vênus em aquário deles se sentia sufocada, não que eu ficasse em cima, mas porque eram coisas da vida, o primeiro tinha acabado de sair de um relacionamento posterior ao fim de 10 anos de casamento, então ele queria comer todas as bucetas que lhe fossem possíveis, e me achava muito imatura para ele (não que eu concorde com isso), e o outro era apaixonado pela ex, um ser fixo e apegado, mesmo havendo envolvimento suficiente entre nós, ele apenas me disse: você é muito livre e eu invejo essa sua leveza, mas eu não consigo ser assim. E, em uma discussão intensa em que ele agiu totalmente como vítima, eu o exclui de minha vida. Falando assim parece que sou extremamente fria, mas não, é porque é essa a maneira geminiana de comunicar, informar e narrar histórias, eu me prendo aos fatos, aos detalhes, e, até nas emoções, mas talvez só as que senti, porque só assim iria me fazer sentido escrever.

Até que depois de alguns meses, num momento em que me encontro totalmente apática com relação aos envolvimentos afetivos, ou à busca por diversão na noite, conheço outro pisciniano, que se diferencia dos outros, com um vênus em peixes e um ascendente em gêmeos. É muita mutabilidade, desprendimento e frieza, e eu sabia de tudo isso antes de conhecê-lo. Eu não me atrai por ele, não fisicamente, mas eu sabia que ele era interessante. E fui me deixando levar, até o ponto de ele me fazer sentir uma merda, a mesma merda que me senti com os outros, a mesma merda que sinto desafiar invasivamente o meu eu feminino. Consegui enxergar a forma dele falar exatamente semelhante a um colega de trabalho que tem o mesmo sol e o mesmo mercúrio. (Ainda é possível falar que Astrologia é balela?) A mesma frieza, a mesma dificuldade em se expressar, a mesma necessidade de culpabilização, a mesma postura defensiva e covarde. Sinceramente, eu sabia que esse cara tinha todo o poder para me ferrar, mas eu estava sendo cuidadosa a ponto de saber quando seria o momento de parar, foi apenas o contratempo, que me pegou numa imensa tpm, uniu à falta de senso  dele, com o ego feminino totalmente sensibilizado e ferido. Eu poderia ter sido mais leve, eu poderia realmente ter colocado o meu leão, meu aquário ou meu gêmeos para trabalhar, mas outros aspectos falaram por mim, e eu me vi vitimizada e perdida. E apesar de parecer que reclamo de minhas fraquezas, tão enraizadas, eu amo o meu mapa, e esse meu sol e mercúrio maravilhosos são a minha arma e a minha salvação. Eu prezo pelo valor da palavra, mesmo que palavras não sejam atitudes, para mim não há separação, se eu digo algo, é porque é isso o que eu faço, é isso o que eu penso, e por isso me sinto fraquejar quando alguém age de maneira reversa ao que disse, e é isso o que os mercúrios piscinianos fazem, o tempo todo. E é por isso que eu devo me afastar deles. Menos o colega que me delega trabalho, que a única maneira que encontrei de evitar atritos com ele (que não foram poucos), foi tratando-o como merece ser tratado: sem importância. Brinco com ele o dia todo, até fazer ele soltar aquela risada nervosa e ensaiada, aquela frase pronta que ele preparou meses atrás, porque criar um repertório de frases prontas foi a maneira que ele encontrou de se livrar da dificuldade em se comunicar. Ele é duro, sem leveza, e é assim que a maioria deles é, especialmente os que eu atraio. Eu resolvi colocar um ponto final em todas as histórias mal acabadas e, diferente de Bukowski, que por sinal era leonino (e deveria ter problemas com o ego, mas morreu em 9 março, estranha coincidência), não vou mais me embriagar para esquecer, vou aprender, finalizar, amadurecer e voltar a reinar com a rapidez que meu marte em áries pede, com a necessidade que meu sol demanda em esquecer, com a vontade de desapego que minha lua possui, e com toda a realeza e orgulho que meu ascendente me trouxe. Ponto, e ponto final.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O sentido de tudo

É estranho quando algo perde o sentido. Parece que fica um vazio, ou uma incompreensão. Eu percebi que a minha necessidade em adicionar razão para tudo me torna infeliz. Não por muito tempo, mas, pelo menos, até eu encontrar uma solução ou substituir a preocupação por outros pensamentos, mas o ideal é sempre resolver. Existe uma inquietude dentro de mim que não cala, às vezes, ela fica adormecida, mas constantemente grita, porque precisa expressar o que está lá no fundo, muito além do ego. A ânsia por respostas é sempre delirante, porém, é instigante também. Talvez essa mente sagaz só precisa encontrar uma fonte de paz, que ofereça calmaria inesgotável. Mas a vida é feita de momentos, e estes tendem a passar muito depressa. Aonde está a minha paz? Eu não sei.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A necessária solitude e os hormônios que não calam

Hoje, mais do que nunca necessito minha privacidade. Passar alguns dias sozinha, sem ter que suportar qualquer ruído, sem ter que ver qualquer indivíduo. Queria encontrar minha própria paz silenciosa, que proporciona calmaria, e me relaxa a mente atordoada. Gostaria de não ter a obrigação de manter uma rotina adequada, tão pregada por essa sociedade que tem pressa. Sou comunicadora, trabalho com informação, mas a rapidez com que a mesma flui, desgasta. É preciso calma, e é esta que me falta. Queria mais dias de folga, não que eu reclame por trabalhar demais, mas porque meu corpo e meu intelecto estão esgotados, e precisam descansar. Preciso encher meus pulmões de ar, respirar profundamente e a mente esvaziar, para assim, conseguir encarar um pouco mais dessa insaciável corrida contra o tempo que sofro, dia após dia. Sou dessas pessoas que sempre estão atrasadas para todos os tipos de compromissos. Não porque enrolo, mas porque vivo em outro tempo, no meu próprio tempo. Não porque sou lerda, mas porque não vejo necessidade em acompanhar esses passos largos que a concepção de vida que escolhi precisam. E essa escolha me sufoca, porque queria ser livre em optar por não ter pressa. Mas não posso abandonar, no momento, o que busquei e colhi, porque o dinheiro me é necessário, assim como a compra pela minha liberdade, em que eu possa ter o meu espaço, sem distúrbios. Achava que tinha mudado, mas percebo que não paro de mudar. Mudo meus pensamentos, mudo meus gostos, mudo minhas preferências, mudo meus trajes e meu corte de cabelo, e mudo a ansiedade oca, que parece se afastar, aos poucos, das minhas características que me refiro como defeito. Mas a vida segue assim, e vou mudando conforme posso, até ser tudo o que eu quero, e não o que sempre quis. Não existe mais "para sempre" para mim, mas existem as sensações que penetram lá no fundo, quase o que chamaria de alma, e, assim, se tornam inesquecíveis. Vivo para o meu prazer, vivo para mim, e gostaria que esse "viver" se tornasse mais presente, mais frequente. Conheço gente que diz que trabalho demais, e gente que acha que tenho muito tempo livre, estão enganados, ambos. Sinto que poderia trabalhar muito mais, mas a obrigação me torna improdutiva. Faz uma semana que não faço o freela diário, faz uma semana que tenho preguiça de vaidade, faz uma semana que chego todos os dias atrasada, e faz uma semana que sinto os efeitos da TPM: espinhas, inchaço, mudanças bruscas de humor, dores nos seios, vontade súbita de morrer, alterações de objetivos, necessidade de comer como um dragão, vontade de ter um pinto e não uma vagina. Não é fácil ser mulher, definitivamente.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A brisa

Para acompanhar: Interpol - Untitled

Quem em sã consciência conseguiria sentir essa brisa?
Logo essa, tão fresquinha que surgiu neste fim de tarde.
Essa que veio suavemente e, lentamente, tocou o nosso rosto.
E nossos olhos fez fechar, para sentir sua leveza com outros sentidos.

Quem imaginaria que ela chegaria dessa forma?
E a nossa mente dominasse com toda a necessidade,
Que se fez presente e, ao mais alto cume, tentou atingir.
Como se nossos corpos estivessem em órbita,
E pairassem no ar, flutuando, levemente.

Como essa brisa poderia ter se tornado tão companheira?
Que de tal maneira se fez tão desejada.
E enchesse o nosso corpo de moleza, que beira a fraqueza.
Mas nos tornasse mais íntimos da nossa alma.
E as emoções aflorassem nossos corações a ponto de nos inspirar.
Assim, como estamos neste momento.

Brisa leve, brisa doce. Como esperamos por ti.
E por este odor que você promove.
E por esta sensação que você proporciona.
Como pôde dominar a nossa mente desta forma?
Tão densa, mas, ao mesmo tempo, tão magnética.

Fique brisa, sua louca. Torne-nos tão loucos quanto você.
Goze dentro de nossas mentes, ferventes e nervosas.
Assim você nos acalma, assim você nos faz viajar.
Para longe e tão alto, que sentimos ultrapassar as nuvens,
E as barreiras estratosféricas que nos levam até o ponto mais alto do céu.

Brisa, volte sempre. Para nos confortar.
Para assim esquecermos substancialmente da nossa tragédia.
Para nos curar da náusea que causa a rotina.
Para nos transportar para a Colômbia ou a Indonésia.
Para nos ajudar a fugir da nossa própria loucura.

Sob efeitos da amiga verdinha.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Aquele dia que você gostaria de estar morto

Ao som de At the Drive In - One Armed Scissor

Eu sabia que este momento chegaria, eu o aguardava, de certa forma, inconscientemente. E eu sabia que, quando acontecesse, seria completamente forte e invasivo, mas não imaginava que seria dessa maneira. O peso da racionalidade veio, bruscamente, manisfestando-se aos poucos, mas eclodiu e hoje. Estava eu, no shopping, indo encontrar minha mãe e minha irmã, as mulheres que mais penei a entender durante toda minha vida, e, todo o sentimento de vazio me dominou. Fiz minhas compras, provavelmente gastei mais do que deveria, e fui embora, deixando-as lá, furiosas e cheias de opiniões sobre minha atitude. No caminho até o ponto de ônibus, estranhamente atrai olhares de rapazes bonitos (o que é raridade no bairro que moro), logo estes seres, que tanto me fizeram repensar minha vida, e alguns aprendizados fizeram vir à tona, sem saberem. Entretanto, eu não os enxergava, eu estava focada e, assim sendo, dominada por este vazio. E, quando uso este termo, não me refiro à uma mente oca, ou a sentimentos ou pensamentos evasivos ou libertinos, eu me refiro ao nada que restou depois de tanto pensar, sentir e vivenciar. Eu sentia que poderia chorar a qualquer momento, e ansiei chegar ao meu quarto para poder me acabar em lágrimas sem que nenhum ser pudesse me observar. Mas ao chegar aqui, nada feito, só sinto minha cabeça pesada e, mesmo forçando, meus olhos lacrimejaram, mas agora já secaram, e qualquer vestígio de lágrima evaporou, assim como qualquer racionalização concreta.
Será este o fardo das pessoas que pensam demais? Será este o meu carma? Será que nunca serei feliz o suficiente para nunca questionar esta felicidade e, na busca por mais, eu sempre me depararei com este vazio? Será que nunca vou me sentir completa? O que me falta? O que eu preciso?
Em algumas semanas eu mudei totalmente meu ponto de vista e minhas vontades sobre diversas coisas, eu perdi o desejo de me envolver em relacionamentos breves, em conhecer novas pessoas, em me divertir loucamente na noite, e em fazer coisas que me eram comuns. Eu perdi a vontade de procurar algo, ou o desejo de sempre sentir as mesmas sensações que antes que confortavam. Eu perdi o interesse nas pessoas. Eu parei de me admirar. Eu parei de achar que sou maravilhosa, não porque esteja com problemas de auto-estima, mas simplesmente por me ver como uma pessoa normal, repleta de defeitos. Eu cheguei num ponto que não consigo mais sentir a leveza fresca e transcendental que me fazia sentir viva. Eu só sinto um peso muito grande, e cada vez mais isso afeta negativamente a minha saúde. Eu acho que isso talvez seja se tornar adulto, talvez eu não consiga fugir desse momento em que repensar se faz necessário. Talvez eu só tenha que continuar quieta para não me expor e acabar caindo severamente. Talvez eu tenha que arranjar uma maneira de sentir essa leveza de novo, procurar por atividades que me façam aliviar todo esse peso, e me livrar do que me faz mal hoje. Eu não sei separar o que me faz mal, mas sei que o que costumava me fazer bem, já não me surte mais efeito. Eu cansei. 
Ia terminar o texto aqui, mas não estaria sendo sincera comigo mesma se não tornar este desabafo totalmente sincero. Algumas pessoas me veem à mente: minha mãe e seu mártir, meu pai e sua constante e permanente falta de dinheiro, minha irmã e sua falta de sorte no amor, aquele rapaz que parecia apaixonado e até hoje não me explicou o motivo de começar me odiar, e meus chefes, que pagam minhas contas, as pessoas que convivo, as pessoas que me divertem, as pessoas que mantenho em meu coração e as pessoas que acabei de tirar da minha vida por não me fazerem mais sentido. Quantas reviravoltas precisei ter este ano para chegar a este momento só podem ser descritas num livro, mas ao menos, poderia ter me restado alguma conclusão. Não, só o nada ficou. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O eu leonino


Hoje estava caminhando na rua e vi um casal de adolescentes, ambos me olharam com certa curiosidade, talvez pelo fato de minhas tatuagens estarem à mostra, ou pelo ardo aspecto que carrego no rosto. A garota, no entanto, olhou de uma maneira um tanto diferente, e eu não saberia dizer o motivo, porque poderiam haver inúmeras razões que eu jamais iria descobrir. Talvez o ascendente em leão explique o motivo de eu atrair tantos olhares pelas ruas, inclusive de mulheres, com suas expressões sempre semelhantemente coléricas. Mas eu não vim falar sobre isso. Depois de reparar no olhar da moça, me lembrei vagamente de quando tinha a sua idade, e que tipo de pensamentos e desejos eu carregava. Surpreendentemente senti orgulho de mim mesma, porque com aquela idade talvez eu me imaginasse do jeito que estou hoje, claro que não exatamente, mas acredito que consegui conquistar e alcançar coisas que eu almejava naquela época. Lembro-me bem que era muito insegura, não tanto quanto à minha aparência, mas com o meu status social e no que eu representava para mim mesma. Eu sempre desejei alguma forma de poder, seja em qual aspecto, situação ou ambiente fosse. Me idealizava formada em jornalismo e atuando na área, talvez como repórter, ou como redatora, tanto fosse, a ideia era ganhar dinheiro, muito dinheiro (algo que não condiz com a minha realidade atual, infelizmente). Não me imaginava casada ou com filhos, mas me via morando sozinha, com o meu espaço, e, provavelmente (mais para sim, do que para não), solteira, recebendo muitos amigos e homens que me apetecessem em vários sentidos, ou com algum que eu estivesse envolvida no momento e conseguia me ver no futuro. Outra questão que ainda não se concretizou por completo, mas que eu acredito não estar tão longe de acontecer, ou me incomodar ao ponto de desejar intensamente por essas mudanças. E sempre, sempre, me vi como multitarefa, tendo várias profissões ao mesmo tempo, como ser escritora, cantora, DJ, artista, ou coisas do tipo. Claro, sendo bem reconhecida por cada atividade.


Lembro-me também que, até meados do ano retrasado, eu me via num palco, e todos aqueles que passavam pela minha vida estariam na plateia me assistindo com olhos famintos, já as pessoas queridas estariam no camarote. E eu ali, sob todos os holofotes e flashes, deliciosamente reinando, e, toda vez que alguém me magoava, eu automaticamente enxergava a pessoa no meio do público enquanto eu acenava para ela. Entretanto, nunca desejei que mantivessem sentimentos de inveja por mim, eu apenas achava que poderia ser admirada, só isso.

Quando era mais nova ainda, vivia sonhando que estaria namorando algum famoso. Já foram desejados: Orlando Bloom, Johnny Depp, Wagner Moura, Joe Manganiello (esse ainda faz parte dos meus desejos mais profundos, não minto), Paul Banks (vocalista do Interpol), entre outros tantos, que talvez englobem uma lista maior do que a de quantos caras eu já dormi (sim ou com certeza? rs), enfim... Mas eu nunca me vi como a namorada socialite, que só serve para sair na foto, eu sempre era alguém foda, que conhecera o rapaz no meio social comum de carreira e que fora agraciada por conhecer alguém de mesmo patamar. Recordar todas essas lembranças, me fez perceber que eu sempre me vi como uma mulher e, mesmo quando era apenas uma adolescente revoltada que não imaginava o quanto e o quê teria que viver para chegar aqui, a imagem que eu tinha de mim mesma era igual: a de uma mulher forte, ousada e independente. E, sinceramente, apesar de saber que eu tenho um longo caminho para percorrer, eu não me sinto nenhum pouco apressada ou insegura quanto ao meu futuro, porque hoje eu sei que tenho capacidade de atingir algo brilhante. Prepotência leonina? Quem sabe...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A fugacidade dos sentimentos


Não consigo mais sentir como estava acostumada. No entanto, sinto de outra maneira as sensações e as emoções. Sinto-as de forma sublime, sem toda a ansiedade oca da adolescência. Sinto que os sentimentos fortes como paixão e amor são relativos e, portanto, fugazes. Posso sentir paixão no instante que ele me penetra, posso sentir amor no momento em que acabamos de transar e me viro de costas para ele me abraçar com força, para me aconchegar em seus braços. Tenho noção de que posso me apaixonar a qualquer troca de olhares intensa, a cada toque sedutor, a cada beijo apaixonado, a cada transa com envolvimento, onde as energias fluem delicadamente e o desejo do revival se faz presente. Assim como posso me desapaixonar com a mesma velocidade e instância. Tem sido eu, inconstante nas relações? Não, tenho sido sincera, comigo e com quem escolho me envolver. Há dias em que é difícil ser eu mesma, há situações que tenho necessidade de sair do meu corpo, abandonar essa alma pesada, mas quando descubro o que me aflige, sinto leveza e mais nada. Eu sei exatamente o que quero, mas não vejo meus desejos como estruturas, onde demonstro debilidade de aproximação a quem tenta entrar no meu mundo, apenas impero e, as vezes, desse modo, assusto os mais simples. Sou densa, sou enérgica, sou mística, sou libertina, mas não sou leviana. Esses sentimentos só agem dessa forma pois não encontraram terreno seguro para se expandirem, mas não há pressa, não desminto a vontade, mas ela surge com frequência semelhante às outras de origem mundana. Se acontecer, terá de ser belo e leve. Mas será isso impossível para uma personalidade tão venusiana quanto eu? Será que no amor não precisarei manter os pés no chão para me sentir segura? Tenho repulsa só de começar a ensaiar esses pensamentos, pois sufocam a minha ânsia por liberdade. Essa é a dualidade macabra que vivo nesses últimos tempos, ela tem sido proveitosa e bem usufruída, mas as vezes me traz dúvidas. Serão fugazes também?

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Dos lírios ao vento

Das vidas que vivi
Só sei que a felicidade encontrei
Embora, na fúria em que prezei por lazer,
Amadureceu em mim a necessidade do ser
E sentir, inebriadamente, alguma emoção

Resgatar o meu mais precioso íntimo
E desmembrá-lo perante os olhos famintos
Aqueles a quem me dirigi, que se sintam tocados
Não imaginava que as tragédias retornariam
Devastadoras

É importante frisar que não há amargor
Que me tire o sorriso, a alegria de estar vivo
Dos frutos que provei, gozei
Embora, confesso: já chorei
E orei e me perdi e enlouqueci
E do mais alto cume, despenquei
No solo, arenoso, rastejei e no pó me entendi
Sofri, senti dor, passei fome e gritei
Porque achei que fosse morrer
De amor...

No momento mais propício me vi morto
Duro e inerte, incrédulo de realidade
Acreditei que realmente tivesse morrido
E foi quando a escuridão penetrou-me as íris, à força
E senil me engatinhei e me socorri quando
O estômago roncou e deflagrou a necessidade humana
À selvageria retornei e, de vítima, me tornei caçador
E mesmo relutante à dor, me reergui
Nos cálices vazios implorei: mais uma dose, por favor

Rostos agradáveis encantaram-me a loucura
E me invadiram e irradiaram sem pedir licença
Meu coração voltou a bater e minha pele a corar
Meus pés se firmaram e suas bases fincaram-se ao concreto
Quem eram aqueles de olhos fundos e claros
Penetrantes e vagos?

Das vidas que vivi
Só sei que a liberdade encontrei e voei
Para bem alto e longe e afável calor
Embriagado silêncio ensurdecedor
Solitude foi me entregue além dos sentidos
Não mais temi, me salvei

terça-feira, 22 de julho de 2014

Os lobos das cidades grandes - Uma releitura de "Eles eram muitos cavalos"

Respiro um ar poluído que seca minha garganta e me rendeu duas idas ao médico no mesmo mês. Na minha casa falta água depois das 20 horas, mesmo antes da Copa. Quero silêncio, onde compra?
Trabalho feito louca, dependo da minha criatividade para sobreviver. Mas, às vezes, não encontro paz nem no meu interior. Deixo 140 e uns quebrados todo mês para financiar minha yoga, mas nem sempre vou e contabilizo dois meses para repor. Dinheiro ido, dinheiro que não volta. Minha fuga continua na noite, na presença dos queridos. Entretanto, necessito mais do que gargalhadas e cervejas geladas. Meu escape está no íntimo, onde o ímpeto é aquele momento onde se confunde afeto e sentimento, desejo e saudade. Quem pensa em mim enquanto o mundo acaba? O trânsito é rotina. O caos é brother. O morador de rua é paisagem. O que fizeram conosco? Que cilada é essa, Bino?
Temos a necessidade da posse, mesmo sabendo que não é viável. Mesmo sabendo que o tudo e o nada poderão nos pertencer. Nos achamos donos do mundo, da razão e que detemos o conhecimento. Nossos planos são vagos, nossos desejos são mundanos e nossas vontades são individualistas. Falamos de amor ao próximo com deboche, debatemos causa nas redes sociais, mas mal olhamos para aquele nosso parente que precisa de um emprego. Pagamos pau para gringo e celebridade e esquecemos que são pessoas como nós, que têm necessidades quanto nós. Idealizamos pessoas como se pudéssemos escolhê-las num catálogo - tá aí a serventia do tinder -, tratamos algumas com desprezo, depois ficamos tristes quando nos tratam de maneira semelhante. Sorte do dia: nosso orgulho não nos deixa abater por muito tempo, afinal, a variedade é grande e abraços são substituídos assim como aquela banana podre que estava na cesta de manhã e fora ocupada por uma belíssima e brilhante maçã. No entanto, a fruta poderia estar embolorada por dentro, já pensou nisso? A carcaça é interessante, prende por alguns anos, mas perde valor. E os macacos vão pulando de galho em galho, colhendo maçãs, bananas e até jacas mais sorridentes. As aparências dominam as escolhas, a lábia contagia e quem não entra no ritmo, dança. E, ansiosos, caminhamos rapidamente, corremos contra o tempo como se ele fosse capaz de nos engolir. Insaciáveis extrapolamos, nos vícios, nas mentiras, nos erros. Somos eternos aprendizes, meros charlatões. Somos loucos. Somos lobos.