domingo, 7 de junho de 2015

O lado bom de cada pessoa

Todas as pessoas carregam inúmeras personas. Cada ser é único, em aparência, características físicas, emocionais, espirituais e psicológicas. Cada pessoa, resumidamente, possui um lado bom e um ruim. Não precisamos descobrir qual é o lado tóxico de cada um, nós precisamos relembrá-las do seu melhor, incentivá-las a sempre darem o seu melhor.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Homem de fogo

Sua necessidade de fixar seus olhos nos meus era cada vez mais evidente, assim como foi em todas as vezes que você aproveitou a oportunidade para me tocar e perguntar mais sobre a minha vida. O que você queria? Todas as vezes que bebeu do meu drink e, enquanto fazia isso, olhava no fundo dos meus olhos com um ar divertido, mas ao mesmo tempo provocativo, me fez perceber que você tentava me seduzir, talvez, sem perceber aonde isso poderia chegar. O magnetismo que rolou entre nós ultrapassava os limites da pele, era como se quiséssemos nos fundir. Eu percebi seus olhares enquanto estávamos distantes e notei também a sua ânsia em estar ao meu lado, em falar perto de mim e sentir que eu estava sendo seduzida. Que energia incrível a sua! Você tem ideia de que eu me encantei desde a primeira vez que coloquei os olhos em você? Que tudo o que eu desejei naqueles momentos era sentir o gosto dos seus lábios e eu sabia que você também queria o mesmo? Quando te fiz o convite foi espontâneo, e você reagiu a ele da mesma forma, eu sei que você me queria e todas as suas atitudes deixaram isso claro. Por que voltou atrás? Será que a consciência pesou no momento em que eu te esperei lá fora? Por mais que eu quisesse aquilo naquele momento, eu não sei como estaria agora se algo realmente tivesse acontecido. Porque eu sei que não tenho porquê ser motivo de arrependimento de alguém, e eu jamais queria te provocar isso. Será que seria muito errado, deixar nossas vontades serem sucumbidas à prática? Você me perguntou: eu queria muito ir com você, mas você entende que eu não posso? E de repente, eu vi nos seus olhos, toda aquela energia boa desaparecer, você parecia se sentir culpado e provavelmente encontrou o aconchego que necessitava nos braços de sua amada, a mulher que você disse ser o amor da sua vida. O que você queria, homem ariano? O que você faria se a sua consciência não te impedisse de seguir seus impulsos?

domingo, 17 de maio de 2015

Racional

Muito aprendi com o término brusco do meu último relacionamento. Tardei, mas não falhei. Uma das coisas que aprendi foi que ser racional não é pensar e, logo, agir de tal maneira. As pessoas se confundem muito com este termo. Ser racional é ser um pensador, alguém que tenta entender as coisas - acontecimentos, situações, pessoas, sentimentos, sensações - por diversos pontos de vista e, geralmente, de modo detalhado, com conclusões abstratas ou objetivas, ou não. Seres como eu discorrem e perpetuam pelo pensamento livre, ou não, de tudo o que ocorre ou presencia em suas vidas, e costumam entender como ninguém sobre determinadas coisas. Geralmente temos dificuldades em entender nossas emoções porque temos necessidade de racionalizá-las, de transformá-las em vocábulo, ou transcorrê-las, tais necessidades transformam nossos sentimentos em literatura ou em muita conversa, seja com os amigos, seja com psicólogos. Somos seres que pensam, muito e, geralmente, sobre tudo. E quanto chegamos ao entendimento ou conclusão de algo, é como se pudéssemos, finalmente, nos tranquilizar, pois resolvemos tal equação em nossas mentes. Isso independe de nossas ações ou intenções, nós pensamos, ponto. Meu ex se achava racional porque agia de maneira que não demonstrava emoções - assim como um robô - e me classificava como sentimental. Esse tipo de pensamento é comum entre as pessoas, algo que geralmente provém com mais ocorrência no sexo masculino: "homens são racionais, mulheres são sentimentais", e agora eu te digo porquê essa é a maior balela que já te contaram. Primeiro que pensamento, forma de agir, sentir e compreender entre um sexo e outro não difere por esse mesmo motivo. As pessoas são diferentes no seu interior, isso não é porque são homem ou mulher. Se fosse assim, se coubesse essa linha de raciocínio para Deus todo poderoso, criador de Adão e Eva, ele teria criado dois Adões, certo? E não teríamos Felicianos e Bolsonaros vomitando desinformação, preconceito, intolerância e ignorância em defesa da família tradicional brasileira, correto? Mas enfim, eu não quero entrar nesse mérito, se não, não chego aonde queria e nem vou conseguir terminar o texto esta noite. Bem, hoje eu posso dizer que não sei o que sinto por ele, se sinto algo, mas também não faço questão de entender. Talvez eu sinta nada, por ele, e começar a ensaiar qualquer pensamento sobre isso me dá uma baita preguiça. Já não sinto mais sua falta, já me desfiz de qualquer sensação de estranhamento referente a sua ausência, nada mais que tenha a ver com ele me incomoda ou me faz mal, faz nada, sabe? Um nada. Eu apenas cheguei a muitas conclusões e meu coração começou a seguir então a voz da razão, ou mesmo, pensar demais me cansou por completo, então a razão e a emoção se uniram e nenhuma delas está desalinhada. E posso dizer que isso foi ótimo, como um estalo, sabe? De repente você se sente indiferente à tal pessoa e você começa a agradecê-la - em pensamento - por ter saído da sua vida. Não porque te fez mal demais - você já conseguiu se esquecer de qualquer mal que ela tenha lhe causado -, simplesmente porque tudo o que você sentia ou pensava por ela mudou. E, confesso, estar solteira nesse momento da vida está sendo a descoberta mais gostosa de todos os tempos. Porque consegui unir o término, com o aprendizado disso tudo e mais o fato de começar, finalmente, a morar sozinha (porque ele estava sempre aqui), e tem sido incrível. Tenho gostado da minha solitude, tenho aproveitado a minha solidão e, quando canso de estar só, eu simplesmente saio de casa e posso trazer quem eu quiser aqui, inclusive, pessoas que eu não poderia trazer enquanto estava com ele. Tudo tem sido tão desbravador e ao mesmo tempo consolador, me sinto mais madura, mais segura, mais completa e repleta de amor próprio. Obrigada ex, por ter terminado de maneira horrível, por ter me feito te tirar da minha vida e, mais ainda, ter me deixado só, porque o mundo sem você, realmente, tem sido mais belo e proveitoso. E, outro fato importante, não era amor.  

sábado, 9 de maio de 2015

A razão que encontrei na sua ausência

Febril me acolhi no meu cantinho: minha cama com todos os travesseiros e edredons que tenho, e adormeci. Quando despertei, já estava escuro, e no meio dessa escuridão, vi teu rosto, exatamente como estava acostumada, com você dormindo tranquilamente, meio babando, meio roncando, ao meu lado. Ainda tenho costume de dormir no canto da cama, como se estivesse te dando espaço, e as vezes lembro de você reclamando que eu durmo encolhida demais, sem perceber que você dominava quase todo o colchão, apenas me disponibilizando o cantinho. E eu nunca achei ruim te deixar aquele espaço todo, era uma maneira de te deixar à vontade na minha casa, de deixar um pouco do meu para você, e, metaforicamente, de te dar um grande espaço na minha vida.

Lembro-me que depois de algum tempo juntos, àquela sua imagem passou a me confortar, e muitas vezes eu te abracei e distribui beijos sem você notar. Era um modo de cuidar de você, de te amar mesmo que você não estivesse acordado para perceber. Ainda deitada no colchão, outras imagens suas começaram a surgir de maneira tênue, não mais me bombardeando e enchendo meu peito de mágoa e meu rosto de lágrimas, como há alguns dias. Acho que sua ausência tem me resultado compreensão e tenho aprendido a lidar comigo mesma muito mais tranquilamente do que em toda a minha vida. Coisas que eram nebulosas meses atrás, agora fazem muito sentido. Tenho aprendido a amar a minha casa, me sinto acolhida, mesmo quando não há companhia. Quando estava com você, eu mal ficava sozinha aqui, eu até tinha medo de estar, era como se eu estivesse postergando enfrentar a minha solidão. Li esses dias que tememos os momentos de isolamento porque sabemos que teremos de nos enfrentar, e o quanto isso pode ser doloroso. E hoje eu aprendo a apreciar isso, minha solidão que nada é vazia, minha solitude que me torna uma pessoa mais consciente e cuidadosa comigo mesma. Não me cuidei enquanto estava contigo, coloquei muito peso sobre você e me perdi, hoje eu entendo isso. Pensava que você era a pessoa certa na hora errada, mas não, você veio na hora certa porque eu aprendi e ainda tenho aprendido com você, e eu espero que eu também tenha provocado algo assim em você. Sejamos honestos, tudo na vida é aprendizado e a gente só enxerga isso quando abandona o ego.

Foi então que te admirei em meus pensamentos e senti que isso prova o meu amadurecimento, dado o fato de como as coisas terminaram, eu poderia me forçar a te esquecer, ou estar com raiva ainda, remoendo tudo o que aconteceu. Eu acho que só parei de me desesperar ao lembrar de você ou a ver coisas que te remetem, é como se eu calasse um pouco meu coração e tirasse os pensamentos ruins sobre você de mim. Aos poucos eu vou parando de ver você em todo mundo que eu encontro na rua, ou a lembrar de você com pesar. É como se apenas fosse restando a lembrança boa, muito mais amena e menos frequente, e acredito que eu ainda tenha que aprender muito sobre tudo isso. Quando as coisas começaram a parecer que poderiam ficar ruins, liguei a luz, levantei, e um banho tomei. Liguei um som alto, falei ao celular, me arrumei. Tô pronta para sair.

Crescendo

Escrito dia 06/05/2015 - não editei o texto, mas hoje, quatro dias depois, não faço ideia de como posso ter escrito algo assim, com tanto peso, tanta dor, bom saber que já não me sinto mais assim.

Hoje faz uma semana e um dia desde o nosso fim. Até ontem eu estava onde estou, no meu antigo quarto, chorando por você. Repleta de nostalgia, fiquei lembrando do nosso primeiro encontro e quando fui apagar as mensagens antigas do meu cel, encontrei nossa primeira conversa. Confesso que hoje essas memórias doem menos. Falar sobre você já não me causa tanta dor no peito. Nada como um dia após o outro. Conversando com amigos, percebi o quanto de errado havia na nossa relação e o quanto de coisas ruins você deve ter guardado consigo mesmo. É uma pena, porque eu fui totalmente sincera com você, especialmente no fim. Mas nossas mães já dizem que não podemos esperar que as pessoas ajam da mesma forma que nós. Hoje, as músicas tristes já não me sufocam tanto e até o som do Tim se tornou super esclarecedor. Não nego a saudade, e muito menos nego que ela me traz tristeza. Mas eu sei que em algum momento as lembranças só deixarão uma saudade boa, o suficiente para me enxergar como diferente do que eu posso estar no momento. Queria saber como você está, se está se cuidando, se alimentando bem. Mas não tenho a mínima vontade de te procurar, não faz mais sentido, e eu sei que você não irá me tratar bem. Esse foi um dos motivos de ter fechado as portas para você. Acho que você se tornou audacioso demais, convincente demais com relação a mim e a minha vida. É como se você achasse que a minha porta sempre estará aberta, é como se você tivesse certeza sobre mim. Bem, é ai que você se engana. Eu não sou como você, que nega seus sentimentos de maneira agressiva e retrógrada. Eu sou leve e, ainda bem. Meus sentimentos são fixos, demoro para esquecer, mas outras características minhas me impulsionam para frente, assim como meus amigos e as demais pessoas que me amam. Eu sou amada, eu sei, e não é por poucos. Sou querida e adorada, ninguém gostou de me ver derrotada. Não porque as pessoas sempre esperam me ver bem, todos têm consciência de que ninguém está sempre 100%, mas porque elas sempre esperam o melhor de mim e jamais achariam que alguém poderia tirar meu brilho dessa maneira. Mas, meu brilho continua e, apesar de não viver esses últimos dias com prazer, eu sei que dias melhores virão. Dias em que terei me reerguido, em que os vestígios de mágoa e saudade de você estarão menos presentes. Sua ausência se tornou meu maior aprendizado e hoje agradeço por você não estar mais presente na minha vida, porque estou aprendendo comigo mesma e a ser uma nova Angélica, que ainda estou descobrindo. Espero que algum dia você abandone suas mágoas de mim, você sabe que elas existem e gostaria que você pudesse compreender isso, mas não sei se quero acreditar nisso. Não posso esperar mais nada de você. É lamentável que você tenha se tornado um desconhecido, é uma pena sentir o meu amor morrendo. Mas, é a vida. Você segue, eu sigo. Não vou voltar atrás. Não como o seu orgulho, mas porque sabemos que não era para ser. E o que será que será da nossa vida? Não sei, só sei que quero ser feliz, longe ou não de você. Se cuide.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O fim

Hoje tento compreender este fim repentino que quebrou todos os nossos planos. Nossa viagem no meu aniversário, o almoço com meus pais no domingo, a visita à casa de sua avó no natal, a nossa ida sozinhos à praia assim que recebêssemos, os pequenos desejos que criamos em conjunto e poderíamos colocar em prática no decorrer do ano, da vida, o fim de semana sem dinheiro em que passaríamos enrolados no edredom, nos aquecendo com o calor de nossos corpos. Como eu vou esquecer cada um desses planos que minha mente construiu junto à sua ao longo desses 4 meses, assim, de repente? É como pegar um saco cheio de papéis coloridos, amassá-los e queimá-los até perderem sua cor, sentido e definição.
Mas a vida tem que seguir, assim como os planos, certo? Planos que podem ser reciclados, arrumados e totalmente renovados. Nisso, o tempo e uma dose de coragem ajudam. Mas, e o meu amor, onde fica? Eu não sei o tamanho dele - nem sei se é possível medi-lo -, mas pequeno, não é. Não sei se vou descobrir a profundidade dele durante esse tempo longe de você, mas definitivamente, eu não queria passar por isso, é muita dor. Eu não queria desistir de nós, não queria refazer os meus planos, não queria te ver como um estranho, que esteve tão presente na minha vida e que agora está tão distante.
Minha casa mantém seu cheiro, é como se você estivesse ali o tempo inteiro. E está, porque você faz parte de toda a história que eu tive nela. Desde arranjar os entregadores, ao desencaixotar de caixas, à primeira refeição, ao primeiro drink, à primeira compra, ao primeiro passeio pela vizinhança, ao descobrimento dos comércios locais, ao boteco da frente que foi cenário para conversas sérias e para a primeira noite na minha rua, ao seu lado. Eu ainda não te conhecia bem e você as vezes parecia nervoso, mas sempre gentil e afável, sempre convidativo, sempre incrível, em tudo. Eu temia muitas coisas, mas você sempre me deixou segura para ser eu mesma, e eu fui ficando e você entrando cada vez mais na minha rotina, nos meus desejos, na minha vida.
Te tirar assim, bruscamente, é um abuso dos mais graves a tudo que eu tenho como mais essencial no meu caráter e no meu emocional. É arrancar uma parte imensa de mim e da trajetória que iniciei este ano. Entretanto, eu não sei se é preciso. Eu não quero te esquecer à força, me esquivar da lembrança sua a cada momento que eu ver, sentir ou tocar algo que te remeta. E daí eu entendi que eu não quero te esquecer. Eu não quero te amar menos, e nem quero tirar qualquer vestígio de você de mim. Mesmo que seus pensamentos e desejos agora sejam completamente contrários aos meus, mesmo que hoje você tente me ignorar na sua mente e no seu coração, mesmo que você esteja tentando me odiar. Não me importa. Eu não quero te tirar de mim.
Eu não quero esquecer da maneira doce que você ri, com a boca fechadinha e repleta de graça. Da voz grave que sai desses lábios carnudos e doces que fizeram eu me perder tantas vezes. Do olhar confuso e penetrante desses olhos fundos e radiantes. Do toque da sua pele macia e rígida, que contempla esse corpo forte. Dos seus braços aconchegantes que me pegavam no colo e me transportavam para outra dimensão. Do seu delicioso pênis, que se encaixava direitinho em mim e me proporcionaram inúmeros momentos de prazer e loucura. Da forma como você me possuía e me despertava os desejos mais impuros. Da sua companhia insubstituível, seja nos dias cinzas, seja na hora da alegria. Do seu bom humor repleto de ironia e da maneira simples que você encara a vida. Do seu jeito tão único, que se desmembra entre o menino sonhador e alegre, ao homem preocupado e responsável e ao garoto que ama super heróis e coleciona bonecos repletos de valor sentimental, que aludem sua infância e o seu desenvolvimento pessoal.
Eu sinto que jamais poderei esquecer aquela viagem na praia, que vimos a lua vermelha, fizemos planos com os pés na areia e nos amamos como nunca, sedentos pela carne do outro e com o peito cheio de amor. Em que você nos salvou de três trombadinhas, tão pequenos perante ao enorme homem que os enfrentava, com uma coragem e senso de proteção imbatíveis. Da noite na Roosevelt, em que me declarei à você no dia em que decidimos voltar e compreendemos, ali mesmo, que nosso futuro estava apenas começando - será que fomos ingênuos demais em acreditarmos que nosso amor salvaria as mazelas que trouxemos para o nosso relacionamento? Eu sentia que podia flutuar, mas melhor que isso: que poderia fazer isso de mãos dadas a você sem qualquer medo de cair. Não porque te via como uma muleta emocional, mas porque eu criei confiança em você e sentia que éramos parceiros de crime, cúmplices do acaso e da rotina e amantes que se amavam e cuidavam um do outro. Também não tenho como esquecer da vez que apareci no meio da noite na sua casa, de táxi, durante a semana, e você me arrancou do carro e não conseguia me soltar mais. Nem da vez em que te levei para o banheiro do bar, enquanto batiam na porta loucamente e ríamos sem parar, com você, todo sem jeito. Do seu último dia de trabalho em que te visitei antes de fechar, e estreamos aquele lugar. Das vezes em que, sem dinheiro, trouxemos o bar para a nossa casa, e bebemos, fumamos e cozinhamos petiscos, enquanto planejávamos o que faríamos quando estivéssemos com grana, não porque estivesse ruim daquele jeito, mas porque ambos queríamos melhorar o momento com o outro. Não esqueceria também das vezes que você me socorreu, no dentista, no hospital, nas quedas na rua, nas escadas, no trampo, quando eu não aguentava mais e saber que ao te encontrar ao fim do dia, tudo ficaria melhor. Dos rangos quando não tive forças para cozinhar, das vezes em que me perdi e você me doou seu abraço para me confortar, e das inúmeras massagens para me fazer relaxar. Das bebedeiras, em que já pudemos cuidar um do outro. Das vezes em que, naturalmente, proferimos elogios enquanto nos pegávamos nos encarando, como se o sentimento de amor nos dominasse por completo.
Chorei muito ao relembrar cada momento até chegar até aqui, mas eu decidi não lamentar mais pelo fim. Eu fui sincera, poderia ter agido de outras maneiras, poderia ter uma máquina do tempo e desfazer vários erros, mas a vida é agora, e no momento, eu fui sincera comigo mesma e não tenho como voltar atrás. Decidi que, por te amar demais, eu tenho que te deixar partir e também devo seguir o meu caminho. Mesmo sabendo que o que estamos fazendo vai contra o que queremos, mesmo sabendo que o tempo pode ser crucial para nunca mais te ter na minha vida, e que poderemos nos perder para sempre um do outro. Eu não quero falsas esperanças, então compreendi que vou ter que lidar com a sua rejeição. Que em alguns dias, vou chorar menos e terei aceitado melhor a sua ausência. E que ainda terei muitos demônios para enfrentar, especialmente longe de você. Esses dias foram essenciais para o meu crescimento, mas ainda me restam muitos - assim espero. E talvez, quem sabe, um dia nos encontremos pelas esquinas da vida, e estejamos mais maduros e dispostos a nos amar com plenitude, a sermos o que queríamos ter sido um para o outro e talvez estejamos prontos para o relacionamento que ambos queríamos. Não para enfrentar os dias frios, esquentar nossa cama vazia ou solucionar nossa solidão, mas porque, se for amor de verdade, então nosso fim só aconteceu por um cálculo errado de timing. Não tão errado assim, porque confesso: foi um verdadeiro prazer te conhecer. Se cuide e saiba que sempre torcerei por você. Vá e voe, nenão.

terça-feira, 24 de março de 2015

O amor nos tempos de Facebook

Seja qual for a sua rede social favorita, em qualquer uma delas você verá uma enorme quantidade de casais extremamente apaixonados e felizes. É como se a nossa timeline fosse uma capa de revista de fofocas, e a bomba da vez seria a mudança de status de relacionamento de fulano, que até poucos meses antes estava com outra. "Coitada da ex, que fora abandonada e agora ofuscada pelas juras públicas de amor eterno do amado para outra." É o que as pessoas pensam. A diferença é que, nas redes sociais, as informações correm mais rápido e somos vítimas desse bombardeamento constante de novidades, notícias, inutilidades e mudanças de status alheio. 

Queria discorrer sobre como tudo começou até chegar ao ponto atual, em que a exposição da própria vida pessoal é gratuita e comum, afinal, todo mundo que você conhece e convive faz e o tempo inteiro. No entanto, não vejo aqui necessidade para tal, até porque, ainda quero chegar ao ponto em questão. 

Hoje, para se fazer algo é preciso contar para todos. Mas só compartilhamos o que queremos que as pessoas saibam, é como se fizéssemos o trabalho da edição das revistas, apenas mostrando o nosso melhor: o quanto somos bonitos com nossas selfies cheias de filtros e alterações, o quanto somos felizes e altruístas, repletos de amigos, estamos sempre nos divertindo e visitando os melhores e mais caros lugares, e como nosso relacionamento é profundo e inabalável. Verdade seja dita: esta é a hipocrisia velada em seu estado mais bruto. 

Vejo casais tirando selfies semanais, sempre sorridentes e amorosos. Mesmos casais que, certas vezes, se separam durante o decorrer da semana, porque um ou outro está em uma festa, dando em cima de outrem. Você observa tudo isso, e na segunda-feira vê uma selfie apaixonada dos pombinhos e tem vontade de regurgitar o almoço. Não porque você se importa com o andamento do namoro dos outros, você só é obrigado a ver certas coisas que não podem ser desvistas, ainda mais depois que você já pode ver tudo. 

Você se dá conta que já fez isso um, dois ou três dias, mas você aprendeu. Vendo o próprio erro, ou o erro alheio, e você julga, mesmo não querendo, mas o que está exposto, dificilmente não está pedindo para ser julgado. Os olhos e a mente são as maiores armas críticas do corpo humano. É da nossa natureza opinar. E você percebe o quanto já foi idiota em tentar ser mais uma pessoa feliz aos olhos dos outros.

Me desculpem, senhores mais felizes e completos da minha timeline. Vocês podem continuar sendo hiper alegres e bonitos, eu não me importo com o que vocês deixam de fazer frente às lentes de seus smartphones, ou aos cantos escuros, mas eu não acredito na imagem que vocês querem passar. Podem, inclusive, fazer suas propostas cheias de argumentos, mas eu não vou votar em vocês nem em 2018, nem na veracidade da cor de seus sorrisos. Quem muito quer mostrar é porque tem algo a esconder. Não digo que todos os exibicionistas da web traem ou na verdade são depressivos, só acho que por trás dessa forte necessidade de se aparecer, existe algo muito mais intrínseco e contrário ao que está sendo exposto. Essa relação pode ser aplicada ao dia a dia, até mesmo de quem não é um heavy user das redes sociais. 

Peço desculpas mais uma vez, mas agora eu falo de mim: eu não quero um amor que só seja perfeito para o outro ver. Eu nem procuro um amor, quanto mais perfeito. E também não quero o rapaz mais bonito do quarteirão ou do Tinder. Aquele que as suas inimigas aplaudem - em segredo - de pé, com uma pontada de inveja e recalque. Eu prefiro muito mais um moço que meus amigos de verdade irão dizer: esse cara é foda, e vocês são mais foda juntos. E que a nossa foda seja literalmente maravilhosa, porque de opinião alheia, eu não preciso para amar. Nosso amor não é segredo, nós só não precisamos da aprovação de quem quer que seja para funcionar. E se algum dia nosso amor vier a público, que os likes sejam sinceros. Mas se não forem, foda-se e vamos foder gostoso lá na minha cama, onde ninguém precisa ver.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Insaciável



Acho que descobri o que realmente quero, só que decidi não ficar procurando isso. Existem coisas na vida que vêm ao acaso, por mais que você tente buscá-las - já dizia um clichê -, quando tiver que ser, será. Nunca aprendi tanto na vida como nos últimos anos e sinto que ainda passo por um processo de transformação intenso, até chegar o momento que diversas questões irão se estabilizar (assim espero). Ano retrasado foi quando emagreci vinte quilos, fiquei louca, tentei parar de fumar durante um mês e voltei no primeiro gole de cerveja, parei com a maratona de baladas em que passava vários dias da semana bêbada e caçando sarna pra me coçar, namorei um psicopata que flertava com a morte e com dezenas de garotas por diversos meios. E então teve a vinda da minha avó acamada e com demência à nossa casa durante cinco meses, o que resultou em uma briga imensa sobre dinheiro, meu primo ignorante tentou bater no meu pai dentro da nossa própria casa, e paramos de falar com a maior parte da família de meu pai e uma parte da família de minha mãe, nos isolando. 2014 foi o ano mais louco da minha existência, terminei o relacionamento doentio no carnaval, 3 semanas depois andava na rua acreditando que estava flutuando, tive inúmeros casos, fiz sexo casual com parceiros suficiente para inundar a minha lista (nada de DSTS ou gravidez, por favor),  me apaixonei 3 vezes (todos piscinianos), conheci gente pra caralho, viajei pra caralho, e voltei a ver o mar depois de 4 anos distante, que foi o cenário para a minha última paixão. Fiquei louca, chorei, berrei, briguei, quase fui pivô de um término, comecei a estudar astrologia, iniciei um livro (e não terminei), finalizei outro, me entreguei ao yoga, e, virei devota do mar (tive que falar dele de novo, não resisti), passando a virada do ano com os pés nele. E 2015 começou de uma maneira muito diferente do que eu achava que seria, mas talvez do jeito que eu desejava. Começou sereno e com dezenas de mudanças, não menos caótico, mas mais esclarecedor. Conheci o cara mais legal do mundo, que se chama Edgar, o foi o primeiro libriano que me envolvi. Fazíamos tudo junto, nos dávamos bem, nos entendíamos, e nunca conheci (e talvez nunca mais conheça) alguém tão parceiro quanto este, mas não demos mais certo porque eu não pude amá-lo da maneira que ele merecia, talvez por não estar pronta para um compromisso, talvez por não estar apaixonada por ele. Também finalmente sai da casa de meus pais e ainda luto para processar o que é essa vida nova, onde tenho experimentado cada vez mais terríveis sentimentos de medo, falha, culpa e, algo que senti ontem quando terminei com o Edgar, solidão. No entanto, entendi que esta solidão me é necessária para me entender melhor e lidar com meus próprios pensamentos, receios e devaneios, tanto que este foi um dos motivos para ter decidido morar sozinha. Como sempre, tudo na minha vida ocorre de maneira turbulenta, então tive que vivenciar a doença que atacou o meu estômago e é responsável por eu estar há 4 dias sem comer direito (e infelizmente, sem beber, sendo que eu precisava), o rombo que encontrei na minha conta e perceber que não vou conseguir nem pagar o meu primeiro aluguel e todas as minhas despesas com o que tenho no momento, e ter que apelar para o pagamento das minhas férias, 30 dias que eu poderia tirar para descansar, mas trabalhar enobrece a alma (vou tentar acreditar nisso), para pagar tudo o que devo e de quebra tentar visitar o mar, o término com o Edgar que está corroendo meu coração e a culpa constante por ter saído de casa sem qualquer condição para isso, ainda dependendo de grandes ajudas de meus pais, tudo assim, de bandeja, na mesma semana. Por mais que eu esteja totalmente preocupada - e hoje eu sei o que é deixar de dormir por falta de dinheiro (algo que já vivi várias vezes, a diferença que agora depende totalmente de mim) -, eu sei que é tudo uma fase e estou animada sobre o que pode acontecer daqui pra frente nessa nova jornada de liberdade e independência que me aguarda. Sentir isso me faz perceber o quão estava despreparada para namorar, pois, estar num relacionamento cômodo te faz pensar menos (esse é um dos motivos que me fizeram parar de postar aqui), porque você sempre tem alguém para afagar as suas mágoas e dúvidas, e o que eu preciso é aprender a lidar comigo mesma e com a vida que escolhi e este momento é agora, e eu não conseguiria fazer isso estando com alguém. Eu espero que em algum momento eu esteja mais tranquila e quem sabe, conheça alguém que me faça apaixonar e amar ao mesmo tempo o suficiente para apaziguar essa insaciável vontade de descobrir as mazelas e prazeres da solitude e viver um amor desses que enchem o peito, te fazem mais feliz e a pele brilhar, em que planos para o futuro surgem em cafés-da-manhã a dois, na cama, pós-sexo, de maneira natural para ambos. Enquanto isso não acontece, vou voltar a me jogar no mundão e ver no que dá.

Uma carta ao cara mais legal do mundo

Começo esse post com os olhos cheios, porém, com o coração conformado. Porque com tudo que já passei não haveria porque não aceitar o fim que procurei. Eu queria ter te amado da maneira que você merecia, mas eu não posso oferecer algo que não sinto profundamente. Porque eu te amo, mas este sentimento não é intrínseco em mim. Eu sempre disse que queria um relacionamento leve, desses com sabor de fruta mordida, doce, que nos deixa sermos nós mesmos, mas eu não sabia que deveria estar pronta - digo, com o coração totalmente livre e a mente mais amadurecida - para ter embarcado. Nossa maré era serena, mas isso era o que eu achava, porque percebi que as águas vindas de você eram mais profundas e eu nunca estive preparada para lidar com isso. Por isso eu briguei, eu tentei fugir de seus braços e preocurei razões para não estar com você, mas eu sempre voltava, porque apesar das minhas atitudes escapistas, eu te amo. Mas eu só amo, e talvez eu precise de mais para deixar alguém mover o meu mundo, além disso, existem outras coisas que me levam para outros sentidos, diferentes dos teus. Você dizia para irmos viajar, para visitarmos o mar, mas a cada vez que ouvia isso, eu associava o mar com outras pessoas e outras ocasiões que nada tem a ver com você, me perdoe. Eu fui tola em te subestimar, porque eu estava numa onda tão leviana e egoísta, me livrando de uma droga de amor, e ainda esperando que tudo que viesse fosse bom, ao meu modo, que esqueci que você é humano e também tem expectativas e não age sem esperar algo em troca. Você sempre foi tão gentil, tão afável e solícito, e eu, por vezes, tão distante e fria, porque não sabia lidar com todo esse amor que você pode me oferecer. Eu percebia na maneira que me olhava, nas palavras sutis, que você estava apaixonado, e toda vez que eu me perdia e escapava por teus braços, sabia que estava destroçando o seu coração. Até que esta foi a última vez que eu me perdi na vida estando com você, e deixei toda a minha confusão te abalar, porque retomei a consciência e entendi que não posso mais fazer isso com você e nem comigo. Isso não quer dizer que não doa, que não esteja sofrendo, mas eu sei que é o certo a fazer. A vida é feita de escolhas, e por mais que eu sei que vou sentir uma falta imensa de você, eu escolhi te deixar ir. Vivemos muito dentro de pouco tempo - dois meses - e esse pouco foi o suficiente para conhecer essa pessoa maravilhosa que você é e eu tenho certeza de que você merece muito mais. Boa sorte na sua vida e eu espero que algum dia você me perdoe. Com amor, Angélica.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Clandestinagem - Uma crônica sobre a pluralidade que encontrei em você


Eu te pedi e você veio, e devagarzinho vai deixando a sua marca em mim. Como uma brisa que bate no rosto num fim de tarde caloroso que, aconchegante, refresca e acolhe. Lembro dos seus olhos se levantarem e se arregalarem quando se encontraram com os meus, e eu pensava em jogar o meu cigarro antes que você me visse, mas não deu tempo, porque você já estava na mesa do bar de esquina soltando a fumaça do cigarro teu. Logo já estávamos íntimos, dividindo a cerveja e o friozinho que aquele dia chuvoso nos trouxe. Você parecia acanhado sendo que eu esperava uma persona mais escrachada, e isso me fez te apreciar mais naquele momento. Quando demos as nossas primeiras risadas foi quando percebi que poderia ser eu mesma, e tenho sido, sob a segurança de que você não me julgar por isso. Eu gosto do som da sua risada e quando seu rosto forma um sorriso sereno e doce que me contagia e me faz ser mais divertida, é como se você despertasse o melhor de mim. Cada vez mais você foi se infiltrando na minha vida e, sem que eu pudesse perceber, você já estava em mim, e isso me assustou. Me deixou confusa porque eu nunca tive a oportunidade de ter vivido o que vivo contigo hoje, e por mais que eu desejasse isso há anos, eu fiquei sem saber como agir. Eu sinto que eu posso ser livre com você, apenas não compreendo até que ponto essa liberdade funcionará para nós. Talvez eu ache que sei o que quero, mas eu não sei o que você quer, no entanto acredito que podemos descobrir isso juntos. Você estaria disposto? Eu amo a sua leveza e as gargalhadas que só você conseguiu me arrancar nas manhãs em que eu geralmente estou sob efeito de um mau humor doentio. Eu me sinto transbordar quando estou contigo, não sei explicar o que realmente é isso, mas eu apenas sei que é algo lindo que eu nunca havia sentido. É diferente daquelas paixões arrebatadoras e incontroláveis, em que você passa o dia todo enjoado à espera de algum sinal do ser amado, quando toca o telefone e você sai correndo para ver se é a pessoa e morre um pouco por dentro quando nota que se trata de outra. Quando você vive sob uma pressão angustiante entre picos de euforia e extrema depressão porque se entope de expectativas tão opressivas, que seu corpo se torna incapaz de se livrar das toxinas e sintomas narcóticos. Ou quando desperta em você um sentimento de caos onde a única fonte de paz se encontra no ser superestimado e praticamente irreal. Não, ainda bem que não é assim conosco. Você me faz sentir alguém melhor, assim como dizem nesses textos de auto-ajuda que lotam nossas time-lines e que as pessoas mais possessivas e intolerantes insistem em compartilhar como se estivessem aprendendo algo de tanto que se fixam em informações que, interiormente, não passam de palavras enfiadas goela abaixo e serão esquecidas no primeiro sinal de estímulo a um comportamento de ciume. Exatamente como as pessoas que oram diante de um padre ou pastor todas as semanas, e dormem enquanto os mesmos leem algum trecho de um livro grosso e antigo. Elas pensam que estão fazendo algum bem para o mundo e para si mesmas, quando na verdade a maioria se engana. Nosso romance é mais do que um romance, aliás, vai muito além. Eu te vejo como um cúmplice de uma vida clandestina e libertina em uma cidade caótica e tão louca quanto nós. Sinto que você não veio para me confundir e sim para me estender a mão, não para me ajudar, mas para caminhar ao meu lado por onde essa estrada puder nos levar. E enquanto não soubermos, nós iremos nos embriagar, cair no chão com dor de estômago de tanto rir de nossas próprias tolices e, levemente, provocando no outro qualquer sensação intensa e insana até descobrir se isso realmente é amor ou alguma outra coisa que não existe no nosso vocabulário. Obrigada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Aceitação

Eu me sinto ridícula por não ter te esquecido. E, pior, me sinto enfraquecida e burra, porque meu sentimento por você é totalmente irracional a ponto de não fazer sentido sua existência e, principalmente, sua permanência. Não tivemos uma puta história, não namoramos, não moramos juntos, não passamos mais de 24 horas totalmente ao lado do outro. Eu não conheço suas manias, não faço ideia de qual seja seu prato ou cantor favoritos. Eu não sei qual é a marca do seu xampu e nem o nome da sua mãe. Eu só sei que eu sou uma idiota porque me pego sofrendo com a sua imagem, constantemente. Não sei o que você tem de especial, não te acho mais interessante do que qualquer um que tenha passado na minha vida, e nem vejo nenhuma lógica em ainda te manter nos meus pensamentos - mesmo não querendo - mas você não sai da minha cabeça. Eu até esqueço que você existe, mas sempre surge algo para me fazer lembrar de você. E, às vezes, você aparece do nada, inclusive em momentos inconvenientes. É isso que você se tornou: um pensamento safado, persistente, cansado. Eu queria não lembrar mais de ti, eu queria que as últimas vezes que te vi eu não tivesse ficado tão nervosa a ponto de não conseguir ficar no mesmo ambiente que você, mas não pense que é porque você é um cara muito incrível que foi capaz de me fazer tremer nas bases. Sua presença me incomodava, porque eu tenho ódio de gente covarde. Existe um abismo que nos distingue, talvez você não tenha percebido, mas enquanto eu sentia tudo isso, me mantive ali, em pé e com toda coragem do mundo, sorrindo para qualquer ameaça e sambando em cima de qualquer armadilha. Não para te enfrentar, mas para curtir o que me fosse proposto ou o que a vida decidisse me proporcionar nos dias em que estive em sua cidade, e, vou te contar, foi maravilhoso! E você, você fugiu como uma gazela prestes a ser devorada por um leão, um peixinho sem vida ao lado de um felino grande e valente. Eu não gosto de me comparar com esses dois exemplos acima, mas foi assim que você agiu. Minha presença te incomodou e te fez colocar a máscara do fracasso, e correr para o aconchego do seu lar, porque você é fraco demais para estar nas ruas, ou na selva. Mas você é assim, como um bicho do mato que só sabe se defender, você nunca será ameaçador para ninguém, porque você não sai da sua zona de conforto, afinal, você não caça. Você é quem larga o controle antes de chegar no final lap, porque tem medo de fracassar, sem saber que isso te torna um fracassado no jogo da vida, pois aqui, no mundo real, quem não dá o play não sabe, e nunca saberá, qual é a graça de viver. E nisso eu não posso te julgar, apenas lamentar, porque eu te acho maravilhoso o suficiente para conquistar o mundão, seja com a sua inteligência, ou com a sua paciência. Eu te vejo preso em seu próprio pesadelo, sob o constante medo de se arriscar. Eu queria que você se libertasse, e estenderia as mãos a qualquer momento para te acompanhar, mas sinto que minha necessidade maior é me libertar de você, porque a sua covardia se tornou tóxica para mim. Mas eu não consigo. Então prefiro aceitar o fato de que você vai continuar nesta cabeça durante algum tempo, cada vez menos frequente talvez, e, quem sabe o tempo te leve de meus pensamentos, quem sabe...

domingo, 4 de janeiro de 2015

O mar

Planta e Raiz - Aquele Lugar

Ter reencontrado o mar me libertou. Sentir sua água salgar os meus cabelos e meu corpo me lavou a alma e me libertou dos maus pensamentos, tirou de mim o que o ano passado deixou. Foi um ano bom, transformador, onde senti emoções e pude vivenciar experiências nunca antes imaginadas. Foi um grande rolê, uma aventura louca e inesquecível, mas ele acabou, e com ele, tudo o que restou. Sinto minha alma tranquila e serena, somente esperando os acontecimentos deste novo ano, pronta para viver o que tiver de acontecer, mas não me sinto ansiosa, e isso é maravilhoso. Acredito que se o ano passado foi transformador, 2015 será o ano de amadurecer, assim espero, assim gostaria.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Adeus, politicamente corretos de minha vida!

O ano vai chegando ao fim e, com isso, o clima de festa começa e a minha energia passa a se voltar totalmente a isso. Já não quero mais trabalhar, quero que os dias de bebedeiras e risadas, com direito a por do sol direto do mar, e muito amor para dar e receber que só alguns ambientes e algumas pessoas podem proporcionar, cheguem logo. Eu sou assim, eu gosto de me doar. E nessa época do ano só restam dois sentimentos que se contradizem: felicidade ou tristeza. Meus últimos finais de ano foram o que eu chamaria de tristes, e nenhum deles representou o ano seguinte que se iniciou, mas com tantos finais de ano tristes, eu mereço um bem felizão, não? Pois bem, semanas de viagens me aguardam, e eu não vejo a hora delas chegarem para saciarem a minha vontade deliciosa de viver. Não sei o que exatamente me aguarda em cada uma das três viagens que farei, mas essa curiosidade me causa um arrepio na espinha. Me sinto calma e corajosa, não é toda semana que se pode viajar e curtir o verão. Queria estar com uns quilos a menos, mas tudo bem, consigo causar boa impressão ou, pelo menos, me sentir bem. É engraçado o quanto me sinto otimista com o que esses próximos dias me reservam. E com este ano que já tem os dias contados para acabar, eu deixo aqui o meu adeus aos politicamente corretos que insistiram em surgir na minha vida este ano.
Foram tantos certinhos que me fizeram repensar constantemente sobre quem eu era e o que eu queria, e no fim me deixaram mais confusa do que eu merecia estar. Então, adeus, ADEUS! Me deixem de uma vez por todas, se afastem, vão para bem longe ou sumam! Continuem em suas casinhas com seus sentimentos de vazio e depressão que vocês tentam preencher com a faxina diária de seus quartos, com as louças secas e limpas que vocês tanto fazem questão de lustrar, com suas mentes cheias de indagações mas sem desafios, com suas rotinas regradas em que vocês tentam encontrar o equilíbrio através da alimentação e do exercício físico, mas não com consciência, e sim com uma mania estranha e perversa que vocês insistem em seguir por terem medo de se perderem, e com as suas vidas sem emoção que nada tem a ver comigo. Não se atraiam por mim, rapazes. Não me busquem, não venham atrás de mim. Porque na primeira impressão eu nunca quero nada com vocês, eu até tenho que olhar duas vezes para encontrar um charme que para a maioria dos olhos é inexiste. Não me venham com suas gentilezas para depois me tratarem com frieza. Eu não quero vocês, não quero nenhum de vocês para me fazer sentir mal por ser quem eu sou. Não quero ninguém para julgar a minha loucura através do discurso silencioso que rodeia as suas mentes. Não quero seus corpos, por mais que eu me perca neles, eu não quero me perder, eu quero me encontrar. Eu não gosto disso e nada disso me faz bem. Fiquem longe, com suas portas e janelas fechadas em que quase ninguém pode entrar, com seus pensamentos, que vocês nunca querem compartilhar. Continuem distantes em suas vidas medíocres, porque eu, ah, eu vou é conquistar este mundão enquanto vocês preparam o chá das cinco em ponto. Eu vou é me jogar nessa vida louca e bandida enquanto vocês falam consigo mesmos e tentam fazer tudo certo, porque, convenhamos, é certo só na cabeça de vocês, mas só assim vocês conseguem colocar a cabeça no travesseiro e dormir. Dormir até não dar mais, porque é isso que vocês fazem: dormir enquanto a vida corre. Vão, seus infelizes, vão procurar meninas certinhas iguais a vocês, para que assim vocês tenham a vida sem sal que tanto almejam, ao lado de alguém igualmente sem sal, e façam filhos sem sal, porque eu gosto é de muito tempero. Pode por pimenta, pode por molho inglês, canela e até coentro, e pode por wasabi também, porque é com muito sabor que eu quero continuar vivendo! Eu não quero alguém para me consertar ou para mostrar o quanto sou errada, eu quero alguém que seja louco e se perca comigo, que me acompanhe nas minhas "viagens", e que não tente me aprisionar em seus gelados e amargos braços. Sumam, seus esquisitões! Eu não estou interessada em seus papos teóricos, em seus ceticismos e em suas confusões, não quero saber das suas vidinhas cheias de normas e bloqueios que vocês mesmo impõem. Eu vou continuar vivendo loucamente com muita leveza, liberdade e prazer, e vou mudar e transformar todo o meu curso todas as vezes que eu quiser e sentir necessidade, porque eu, eu sim, sei o que significa ser livre, e vou parar em qualquer lugar que a vida me levar, enquanto vocês, ah, que pena, vão viver e morrer exatamente onde têm certeza. Mas não sinto dó de verdade de vocês, porque eu sei que vocês amam essa piedade, eu quero que vocês fiquem o mais longe possível da minha realeza, porque não, meus amores, aqui não tem lugar para o universo razoável e duvidoso de vocês! Porque enquanto vocês estão aprisionados em suas ilhas, eu estou voando de nuvem em nuvem e onde o ar puder me levar. Adeus, certinhos, eu não sirvo para vocês!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Passou

Astrologia explica tudo, ou quase tudo. Hoje eu percebo que toda a minha aflição era explicável através dos trânsitos dos céus. E passou, assim como descrito na minha carta progredida. E eu nunca me senti tão tranquila. A resposta foi negativa, e assim o alívio se fez presente. Nunca me senti tão feliz com algo tão corriqueiro na vida de uma mulher, no entanto, com tantos significados. Doeu, passou, evaporou.

Tudo o que doía, incomodava e afligia desapareceu, restando uma paz calma e surgida em um momento essencial. E que continue assim, da forma que puder. Obrigada.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

À espera de uma resposta

O fim do ano vai se aproximando e eu me sinto como se estivesse no mesmo ponto que parei no ano anterior, se não pior, porque aquela situação eu sabia que, demoraria, mas seria passageira. Do que me adiantou tantas vivências, ter conhecido tantas pessoas, e ter me deparado com tantas reflexões se me sinto tão perdida quanto nos dias em que eu dividia um quarto, em que minha avó com alzheimer definhava e gritava no outro, pedindo por água ou atenção, em que via meus pais desesperados e levava um relacionamento que só me fazia mal? Para o que me serviu ter vivido tantas coisas, na mesma velocidade que comanda a minha ânsia insaciável por viver, se hoje eu me vejo sozinha, contida e com medo? Por que as sensações boas de liberdade, de paixão, de amor e de extrema felicidade foram embora, tão fugazes, e as de confusão continuam a imperar? Será que eu não sei viver bem e aproveitar os bons momentos? Será que eu sou tão insegura ao não saber enxergar quais são os meus principais erros e continuar a cometê-los? Será que eu não aprendi a me amar? Tudo o que fiz para me sentir viva, no fim, me fez sentir mais vazia do que eu já pude ficar e agora sinto que cheguei num fundo que eu nunca imaginei alcançar. Não é a depressão, nem a ansiedade, é a confusão e o medo. Me sinto coagida pelos meus próprios pensamentos, porque eu sinto que meu futuro está comprometido a partir do momento que a resposta que se faz necessária chegar em minhas mãos, e eu a temo. Temo mais o seu resultado positivo, claro, mas o negativo também me amedronta, porque vai confirmar a minha loucura. Talvez porque eu não queria passar por tudo isso sozinha, mas eu não tenho a quem recorrer, aliás, eu não posso, é muito peso para qualquer pessoa, e eu sinto que, por mais difícil e por mais que isso me machuque, devo resolver sozinha. Tenho bons amigos, alguns já sabem e demonstraram a ajuda que puderam oferecer, mas outros, eu não sei onde estão, e sinto que não lhes devo incomodar. Eu odeio parecer pedante, meu orgulho é muito grande para isso, mesmo que minha necessidade de ser honesta e me expressar seja enorme, talvez, esse seja o momento de me calar. Por mais que eu ache que não devo passar por isso sem qualquer apoio, ou com alicerces fracos que podem facilmente despencar, eu acredito que me fará mais forte se eu souber conduzir o caminho que devo trilhar. Eu preciso ser forte. Eu tenho uma força imensa para ajudar os outros, e quanto a mim, minha positividade sempre foi muito presente para não me deixar cair por muito tempo, mas eu cheguei numa situação que não sei lidar, simplesmente por ser algo muito mais físico do que emocional ou psíquico, e que pode comprometer toda a minha vida, mas mesmo assim, que afeta em todos os sentidos. Me sinto apavorada, como uma menininha com medo de escuro após ver um filme de horror às escondidas. Sinto minhas entranhas me devorarem e sintomas físicos nunca antes presenciados. Talvez eu esteja assustada o suficiente para ter criado outro drama, eu queria poder acreditar nisso, mas a cada dia que passa sem evidências que comprovem o contrário, percebo que a carta de conclusão para meu futuro incerto apenas está sendo impressa, prestes a me ser endereçada.
Não penso mais sobre cada caso, mas reflito sobre o todo, e o desfecho foi que eu me ferrei brutalmente, bati a cara feio. Não falo com relação ao que senti ou me fizeram, falo sobre o que está acontecendo comigo, no meu corpo, neste momento. Eu queria que tudo isso não passasse de um pesadelo e que amanhã o dia amanhecesse lindo, com direto à bela vista do mar apenas sendo adornada pelos raios inebriantes do sol, todo cheio de força e esplendor, e que toda essa visão me preenchesse a alma, o suficiente para acalentar minha angústia e calar meus vagos e sombrios pensamentos. Eu estou sozinha à espera de uma resposta. Eu estou sozinha. Eu não sei aonde vou parar.

domingo, 30 de novembro de 2014

E quando a realidade vem à tona

Bob Marley - Every little thing is gona be all right

Acho que levei uma semana para perceber algo que o ano todo venho tentando compreender. Algo meu, extremamente íntimo, porém, essencialmente esclarecedor e que acredito valer para outras pessoas. Toda essa minha ansiedade oca faz parte de mim, infelizmente. E eu sofro com ela a minha vida inteira, e, por mais que eu não a transpareça abertamente, ela está aqui, enraizada e latente, e por vezes até grita. Eu queria me livrar desse mal, já busquei terapia, já fui encaminhada para psiquiatra, mas tudo o que eu menos quero é ficar dependente de remédios. Tá certo que eu uso de alguns artifícios nada saudáveis apenas para amenizar o problema, o que não é muito diferente de usar medicamentos, no entanto, o uso ocorre através do prazer, então, se preenche minhas necessidades de um modo ameno, por que não? No entanto, percebo, desta vez de maneira muito mais profunda e escancarada, que esses usos também são vazios e, que para combater de fato o problema, eu devo procurar por opções mais saudáveis, exatamente aquelas que eu tanto esqueço, mas que ficam martelando na minha mente. Opções como voltar a praticar yoga e meditação, parar de buscar na noite - quando digo noite me refiro às baladas - uma fuga para minhas dificuldades diárias ou uma maneira de me sentir viva, mas que não me supre mais, justamente por causa do vazio que resta no dia seguinte. Além disso, procurar em outros corpos algo que me falta, algo que desejo, mas que tenho preguiça e alguns impedimentos para começar a adquirir. E o que me falta é a calma. Eu não preciso buscar uma fonte de calmaria inesgotável, eu não preciso de um homem ou de amigos - e diversão constante - para arcar com a minha ânsia por viver, eu preciso apenas me reencontrar, olhar para o meu interior e visualizar o pico do problema. E eu achei.

Percebo então que, neste ano de transformação e inúmeros aprendizados, a realidade foi-me confrontada diversas vezes, mas eu não enxerguei porque o meu ego me atrapalhou. Agora, eu me liberto aqui, de uma vez por todas, de meu ego para poder transcender nessa estrada que se chama vida. Vou buscar o que me faz bem, o que me soma, vou trabalhar com alguns pontos que não posso mudar de imediato, e vou me livrar do que me faz mal, seja com o tempo que ainda me houver, seja conforme a vida quiser.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Carta ao homem do mar

Maria Rita - Encontros e Despedidas 

Quando estávamos naquele quarto escuro, naquele ambiente tão íntimo e ao mesmo tempo tão acolhedor, eu revelei o meu desejo de te carregar comigo. E você riu, disse que para São Paulo não se mudaria, então eu sugeri que fugíssemos e você aceitou. Como eu queria que essa proposta, dita em tom de brincadeira, se concretizasse. Como eu desejaria realmente fugir ao teu lado para algum lugar nunca antes visitado por nós, ou, no mínimo, eu me imaginaria fugindo para o teu canto, de tempo ameno e com o mar aberto. Seria como se você me resgatasse da selva de pedra que me aprisiona, seria como se a liberdade que tanto almejo estivesse ao teu lado. Sinto um nó na garganta ao escrever cada uma dessas palavras e meus olhos lacrimejam, mas não despejam uma gota, porque eu sei que se eu chorar vai ser por tristeza e não é assim que eu quero encarar a nossa curta, porém bela e intensa história. Eu sei que podemos nos encontrar num futuro muito próximo, eu sei que você quer, tanto quanto eu quero, e sei ainda que você é mais maduro do que eu para não me enxergar como uma solução para a sua solidão, uma salvação para a sua depressão e talvez, seja porque você não queira se livrar do seu sossego, e eu acho bom e inclusive aprecio, afinal, já aviso de antemão: eu sou caótica, assim como o trânsito paulista e a constante correria que você tanto despreza na minha cidade, assim como o ar poluído nessa permanente atmosfera, assim como a ansiedade que afeta toda uma geração, assim como poderia ser o cenário do teu pior pesadelo. Mas eu não quero te tirar do aconchego, não, moço da pele macia e bronzeada. Eu não quero tirar a tua paz, não, moço dos olhos fundos e penetrantes. Eu não quero me tornar a principal razão da tua loucura, não, moço da voz oca e alta. Eu não quero ser a moça a que vai mudar a tua vida, simplesmente porque eu não acho que deva ser mudada, não, moço do corpo que beira a minha visão de perfeição. Porque eu não sou perfeita e eu sou tão perdida quanto qualquer jovem de minha idade. Porque eu não sei o que espero do amanhã e não tenho planos concretos para nada. Porque eu ainda nem sei o que mais me faria feliz, quanto mais fazer alguém feliz. Isso é muita responsabilidade, moço que descreve a própria vida como tranquila e "sem emoção". Eu confesso apenas que perderia toda uma eternidade se fosse para me perder em seus braços novamente, eu encararia outro quarto sem luz e sem piso para sentir-me desfalecer sobre o teu corpo, a cada vez que você me fizer transportar para outra galáxia, e eu não somente viajaria do Rio até Salvador, como desbravaria qualquer cidade para estar contigo e receber teu carinho nos meus fios de cabelo desgrenhados e banhados pelo nosso suor, enquanto acaricio a sua barba e aprecio o teu sincero e largo sorriso. Eu queria o poder de congelar o tempo naquela noite de domingo que foi totalmente nossa, sem qualquer intervenção, onde estávamos dispostos a equalizar as nossas energias, enquanto recebíamos e doávamos, um ao outro, um pouco de nossas almas, que se entrelaçaram e dançaram sob a mais frenética e intensa canção. Você me mostrou um pouco de tuas fraquezas, e eu vi o teu olhar mudar enquanto estávamos unificados, eu pude enxergar um brilho que talvez você não sentia há algum tempo. E eu fico imensamente feliz por ter sido o motivo para esta felicidade, na verdade, eu queria que ela durasse tempo suficiente para preencher o teu coração com positividade e acolher os teus pensamentos toda vez que você se deitar, mas eu não sei se vai durar muito, mas que seja suficiente enquanto dure. Talvez porque por mais positiva que eu seja, eu sou realista, e isso eu aprendi com a experiência que as minhas escolhas e atitudes me trouxeram. Eu queria poder acreditar que meus sentimentos por ti tomassem vigência, eu queria poder acordar todos os dias com o som da tua voz, bem baixinha para não me assustar, e o toque de tuas largas e firmes mãos acariciando a minha cabeça, eu queria ser quem te dá prazer a cada ereção que você tiver, e queria descobrir contigo o verdadeiro significado do verbo "amar", mas eu não posso me iludir, não mais, ainda mais em nossas condições, que nos separam por quilômetros de distância de duas vidas que não podem ser subvertidas. Embora, eu desejasse que nosso encontro ocorresse em breve, onde eu pudesse finalmente pular em teu colo e beijar os teus grossos lábios, sentir o calor do teu corpo se aquecer em contato com o meu, e me deixar ser levada por tua calorosa diligência. O desejo permanece e permanecerá enquanto houver razão, ou emoção, para que perdure. Eu não acredito que você seja substituível, assim como vi e sabia que muitos seriam, mas eu não posso esperar de ti algo impossível. Eu nunca esquecerei da imagem em que a brisa batia em teu rosto e do inebriante sorriso que se formou na tua boca quando nossos olhares se encontraram. Eu queria te salvar, homem do mar, e queria me salvar ao teu lado, esta é apenas uma vontade que será guardada, aqui, em minha alma. Obrigada.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Quando a brisa encontra o mar

Cada vez acredito mais que na vida nada ocorre por acaso e cada um dos acontecimentos parece se encaixar apenas para ser escrito. E assim eu descrevo, aos poucos, a minha história. É neste blog que eu desabafo os meus sentimentos mais profundos, assim como as conclusões que encontro para várias dúvidas após tanto refletir, ou somente viver. Este ano inteiro tenho me posto à prova do acaso, e assim pessoas foram surgindo, e passando. Por mais que algumas eu esperava manter, eu sentia a necessidade de deixá-las ir, compreendendo que cada uma teria passado para deixar uma lição, mesmo que este ensinamento não fosse claro, era preciso reagir. E essa reação tornava essas lições incompreensíveis, porque eu precisava proteger o meu ego. Até eu entender que muito além de estar cansada dos jogos de ego, eu deveria quebrar esses dogmas sociais para me libertar completamente de algo que sempre me vi envolvida, mas que não sabia como escapar. Então decidi ser eu mesma: livre, leve e direta. E passei a seguir uma máxima de uma amiga aquariana: eu não quero apenas sexo, eu quero sentir. E então, quando eu menos esperava, parece que o sol queria se pôr à minha frente simplesmente para ser apreciado e aproveitado. Quando revisito a cidade natal de meu ex e me deparo com inúmeras lembranças há tanto tempo guardadas em algum local de minha memória, fui preenchida com um imenso sentimento de paz. Aquela cidade não era ele, aquela cidade não é somente o palco para os episódios finais e tristes de nosso relacionamento que durou 2 anos, aquela cidade é bela e cheia de serenidade. E desse maneira, me vi surpresa, e algo que eu não lembro mais como era, me tomou novamente. Cai nos braços afáveis de ninguém menos do que um pisciniano, desses calmos e cheios de regras para seguirem suas rotinas, mas que apreciam uma boa dose de loucura. Desses que eu passei a admirar, desses que sempre me surpreenderam, desses que podem me ferrar. Eu me vi submersa em um ambiente repleto de aconchego e escuro, assim como ele descreveu que gostava, e completamente dominado por uma intensidade que não saberia descrever. Foi algo que pode ser comparável ao encontro da brisa com o mar, como se eles se unissem e se entrelaçassem numa dança sem ritmo fixo, mas coberta de calor, um calor suave e ameno, um calor que preencheu a minha alma, um calor que não será tão cedo esquecido. Nosso encontro tardará, e ele me fará esperar, assim como todos os piscinianos fizeram, mas essa espera não interferirá em minha vida, ela apenas me fará finalmente a aprender a primordialidade da calmaria, algo que sempre ansiei, algo que eu sabia que só com ele eu iria aprender.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Bukowski, astrologia e as coincidências de minha história de vida

Quando comecei a ler Bukowski, eu me via vivendo como ele. Em uma vida regada à sexo, drogas e alguma necessidade de intelectualização. Não que eu realmente vivesse desse maneira, até porque só fui viver e compreender plenamente a minha liberdade sexual este ano, porque antes disso, eu só me via em meio a amargas ilusões, que até então, eram incompreensíveis para mim. E assim a noite, as bebedeiras se tornaram minhas companheiras, assim como meu combustível era viver para o meu prazer, para as amizades e relacionamentos instantâneos, embora eu soubesse separar muito bem uma questão da outra, existiram muitas "amizades" que acabaram tão rapidamente, quanto dura a brisa da maconha. Entretanto, toda essa introdução se refere a ocasiões ocorridas há dois anos atrás, e, este ano minha vida teve uma reviravolta inconcebível. Eu sempre admirei a maneira crua como o velho tarado descrevia os acontecimentos mais mundanos de seu cotidiano, a forma negativamente bem humorada como ele enxergava o todo, e cada detalhe, me faziam sentir compreendida. Certamente achava que poderia ser uma das personagens de Mulheres, e que eu era realmente uma mulher que sabia o que queria.

Hoje eu me vejo com o ego estraçalhado, o mesmo ego que me dá orgulho e que serve de impulso para minha vida. O mesmo ego que me transparece segurança, a ponto de ouvir de amigas próximas, frases como: você é um mulherão, eu queria ser como você. No entanto, isso apenas é uma carcaça, basta procurar pelo significado de um ascendente regido pelo signo de leão para entender, afinal, leão é um signo fixo, que regido pelo Sol, a estrela mais brilhante do céu, a razão para existir vida na Terra. Sem divagar em astrologia, mas havendo necessidade em voltar para os ensinamentos que este estudo tem me proporcionado, me vejo sob um karma chamado "parte da fortuna", algo que fui entender de fato hoje, e vi todo o desenrolar na prática, diante de meus olhos. Antes de tudo, eu procurei por astrologia porque eu necessitava alguma maneira de me entender melhor e, consequentemente, as pessoas ao meu redor. Eu precisava de algo que fosse mais místico e menos complicado do que a psicanálise, por exemplo, mas me deparei com um estudo milenar e com muitos pontos de vista, sem fácil acesso para compreender cada aspecto da maneira correta, mas como se trata de um longo estudo, não haveria como haver maneiras corretas, até porque, cada autor-astrólogo dará uma visão diferente. Falar sobre Astrologia é complexo, até porque, acredito não conhecer ou entender 10% das prioris necessárias para analisar um único mapa natal, quanto mais relatar o que escreverei a seguir. Mas meu próprio mapa me revela a minha audácia, e a minha maneira de saber discorrer sobre qualquer assunto, mesmo tendo o mínimo de conhecimento. Tenho dois planetas em gêmeos, luminares em signos de ar, o que me faz tender totalmente à comunicação, à racionalização, e a necessidade de encontrar sentido para tudo. Voltando a falar sobre o karma, minha fortuna está em peixes, na casa 8 (casa de escorpião, signo do elemento água, assim como peixes), isso significa que a minha fortuna, ou a missão de vida seja compreender o incompreendido e de uma maneira pisciniana. O que acontece é que não tenho profundidade emocional (veja a diferença entre racional e emocional, eu nunca soube separar) suficiente para concretizar tal fato, talvez, não agora aos 24 anos, logo no momento que estou em constante mutação, onde sinto a necessidade de amadurecer em pontos emocionais e psicológicos. Isso talvez implique na minha atração por piscinianos, por eles terem essa profundidade emocional que eu não tenho. Talvez pela maneira deles enxergarem o mundo, seja muito diferente da minha. Embora eu diga isso com base em todos que já me envolvi, e não preciso dizer que dois deste signo solar foram os que mais me foderam (desculpe o linguajar, mas não haveria outra maneira de me expressar melhor) este ano, sem levar em conta que a pessoa mais importante da minha vida é a minha mãe, solar em peixes, mas com muitos planetas em aquário, o que faz dela uma aquariana muito louca, mas com todos as características de peixes: o escapismo, a loucura, a vitimização, a postura defensiva, a falta de pés nos chão, entre outros, e, já que a Astrologia também explica a genética, eu herdei uma lua em aquário, e uma fortuna em peixes, enquanto minha irmã, uma lua em peixes e um ascendente em aquário, entre muitos outros aspectos. Não vou mencionar os aspectos herdados de meu pai, porque não teria fim, e não iria passar de coincidência para os leigos.

Foi então que este ano resolvi abandonar o tesão por Bukowski, para cair nos braços afáveis de autores como Leminski, Kundera e Hesse, porque eu precisava de leveza, ainda mais após sete meses de autodestruição ao lado de alguém que nenhum bem me fazia, que nada compactuava com meus ideais ou simples pensamentos e que eu extingui de minha vida de uma maneira muito bruta, mas que me rendeu uma sensação transcendental de liberdade. Depois do término com ele, conheci o cara que estimulou grande parte dos pensamentos e conceitos que eu carregava até poucos meses, mas que desmistifiquei após constatar que nada de sábio ele tinha, apenas era alguém que estava experimentando o doce gosto da liberdade, mas que tinha profundidade e lábia suficiente para expressar cada noção de maneira suave e persuasiva, assim como um verdadeiro sábio. Ele tinha mercúrio em peixes, onde este planeta encontra o detrimento, mas que, de alguma maneira, se atrai com meu mercúrio domiciliado, racional e repleto de ar. Como dois pólos de opostos que se atraem (lembrando que o meu oposto seria sagitário, mas ele não se atrai), assim como a razão e a emoção. Sorte a minha poder mudar meus pensamentos, ser como o refrão: "eu prefiro ser essa metamorfose ambulante", e não ter que carregar nenhuma constatação pesada para sempre, ou por tempo demais. Houveram outros tantos mutáveis: sagitarianos e virginianos, mas os piscinianos sempre foram os que mais marcaram. Depois deste, surgiu outro, de mesmo sol, mesmo mercúrio, mesma vênus (em aquário), e lá estava eu, novamente, sofrendo. Não porque esperasse algo deles, não porque estava apaixonada, mas porque estava frustrada, ou desiludida, porque era difícil compreendê-los, porque eles não compreendiam a minha leveza e a minha necessidade de me expressar, e porque eu queria um pouco deles para mim. Não eles, de fato, mas havia algo neles que me instigava, que eu queria ir mais a fundo para conseguir compreender, porém, fui barrada antes mesmo de poder adquirir conhecimento suficiente. Porque a vênus em aquário deles se sentia sufocada, não que eu ficasse em cima, mas porque eram coisas da vida, o primeiro tinha acabado de sair de um relacionamento posterior ao fim de 10 anos de casamento, então ele queria comer todas as bucetas que lhe fossem possíveis, e me achava muito imatura para ele (não que eu concorde com isso), e o outro era apaixonado pela ex, um ser fixo e apegado, mesmo havendo envolvimento suficiente entre nós, ele apenas me disse: você é muito livre e eu invejo essa sua leveza, mas eu não consigo ser assim. E, em uma discussão intensa em que ele agiu totalmente como vítima, eu o exclui de minha vida. Falando assim parece que sou extremamente fria, mas não, é porque é essa a maneira geminiana de comunicar, informar e narrar histórias, eu me prendo aos fatos, aos detalhes, e, até nas emoções, mas talvez só as que senti, porque só assim iria me fazer sentido escrever.

Até que depois de alguns meses, num momento em que me encontro totalmente apática com relação aos envolvimentos afetivos, ou à busca por diversão na noite, conheço outro pisciniano, que se diferencia dos outros, com um vênus em peixes e um ascendente em gêmeos. É muita mutabilidade, desprendimento e frieza, e eu sabia de tudo isso antes de conhecê-lo. Eu não me atrai por ele, não fisicamente, mas eu sabia que ele era interessante. E fui me deixando levar, até o ponto de ele me fazer sentir uma merda, a mesma merda que me senti com os outros, a mesma merda que sinto desafiar invasivamente o meu eu feminino. Consegui enxergar a forma dele falar exatamente semelhante a um colega de trabalho que tem o mesmo sol e o mesmo mercúrio. (Ainda é possível falar que Astrologia é balela?) A mesma frieza, a mesma dificuldade em se expressar, a mesma necessidade de culpabilização, a mesma postura defensiva e covarde. Sinceramente, eu sabia que esse cara tinha todo o poder para me ferrar, mas eu estava sendo cuidadosa a ponto de saber quando seria o momento de parar, foi apenas o contratempo, que me pegou numa imensa tpm, uniu à falta de senso  dele, com o ego feminino totalmente sensibilizado e ferido. Eu poderia ter sido mais leve, eu poderia realmente ter colocado o meu leão, meu aquário ou meu gêmeos para trabalhar, mas outros aspectos falaram por mim, e eu me vi vitimizada e perdida. E apesar de parecer que reclamo de minhas fraquezas, tão enraizadas, eu amo o meu mapa, e esse meu sol e mercúrio maravilhosos são a minha arma e a minha salvação. Eu prezo pelo valor da palavra, mesmo que palavras não sejam atitudes, para mim não há separação, se eu digo algo, é porque é isso o que eu faço, é isso o que eu penso, e por isso me sinto fraquejar quando alguém age de maneira reversa ao que disse, e é isso o que os mercúrios piscinianos fazem, o tempo todo. E é por isso que eu devo me afastar deles. Menos o colega que me delega trabalho, que a única maneira que encontrei de evitar atritos com ele (que não foram poucos), foi tratando-o como merece ser tratado: sem importância. Brinco com ele o dia todo, até fazer ele soltar aquela risada nervosa e ensaiada, aquela frase pronta que ele preparou meses atrás, porque criar um repertório de frases prontas foi a maneira que ele encontrou de se livrar da dificuldade em se comunicar. Ele é duro, sem leveza, e é assim que a maioria deles é, especialmente os que eu atraio. Eu resolvi colocar um ponto final em todas as histórias mal acabadas e, diferente de Bukowski, que por sinal era leonino (e deveria ter problemas com o ego, mas morreu em 9 março, estranha coincidência), não vou mais me embriagar para esquecer, vou aprender, finalizar, amadurecer e voltar a reinar com a rapidez que meu marte em áries pede, com a necessidade que meu sol demanda em esquecer, com a vontade de desapego que minha lua possui, e com toda a realeza e orgulho que meu ascendente me trouxe. Ponto, e ponto final.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O sentido de tudo

É estranho quando algo perde o sentido. Parece que fica um vazio, ou uma incompreensão. Eu percebi que a minha necessidade em adicionar razão para tudo me torna infeliz. Não por muito tempo, mas, pelo menos, até eu encontrar uma solução ou substituir a preocupação por outros pensamentos, mas o ideal é sempre resolver. Existe uma inquietude dentro de mim que não cala, às vezes, ela fica adormecida, mas constantemente grita, porque precisa expressar o que está lá no fundo, muito além do ego. A ânsia por respostas é sempre delirante, porém, é instigante também. Talvez essa mente sagaz só precisa encontrar uma fonte de paz, que ofereça calmaria inesgotável. Mas a vida é feita de momentos, e estes tendem a passar muito depressa. Aonde está a minha paz? Eu não sei.